Arquivo: Edição de 17-11-2009
Secção: Informação Regional
“Pare, Escute, Olhe”, de Jorge Pelicano, apresentado pela primeira vez aos seus protagonistas
A apresentação do filme “Pare, Escute, Olhe” aos seus protagonistas, que viram, pela primeira vez, “as suas estórias reflectidas numa tela”, aconteceu no esgotado Centro Cultural de Mirandela, dia 14 de Novembro.
Realizada por Jorge Pelicano, esta longa-metragem com, sensivelmente, 90 minutos, destaca-se como sendo um documentário interventivo, “que assume o ângulo do povo para traçar um retrato profundo de Trás-os-Montes”.
Este segundo filme é a continuação de um trabalho iniciado com a sua primeira película “Ainda há pastores”, rodado na Serra da Estrela. Isto porque, o realizador queria manter o tema do despovoamento. “Falar no encerramento das linhas férreas nesta região significa falar do despovoamento. Quando o comboio desaparece é porque já não há pessoas. É uma espécie de metáfora para falar neste problema que afligem tanta gente”, garante Jorge Pelicano.
“Região esquecida e despovoada, vítima de promessas politicas incumpridas… A identidade do povo transmontano está em risco de submergir”
“O objectivo era dar o lado que não aparece nas televisões, a vida dos que vivem próximos da linha e perceber qual a utilidade deste comboio para as pessoas. Dar uma outra visão, não para criticar os outros mas, essencialmente, para que as pessoas reflictam. Para onde caminhamos? Que futuro?”, questiona o realizador.
Segundo o autor, “este é um património único e, por isso, pode e deve ser rentabilizado. Não há outro semelhante em Portugal. Acreditem! Isto pode ser estruturado para criar riqueza, de forma, a fixar pessoas em Trás-os-Montes. Sem opções de emprego, os jovens partem. Os idosos são votados à solidão e ao esquecimento. As famílias separam-se porque muitos vão para o estrangeiro.” Jorge Pelicano, que demorou dois anos e meio a produzir este documentário, aponta o despovoamento como um dos principais problemas da região transmontana.
“Temos de acreditar, estarmos unidos e estabelecermos políticas que fixem as pessoas na região. Criando, por exemplo, um turismo ferroviário, como se investiu no Douro através do turismo fluvial”, defendeu o realizador, no debate após a apresentação do filme.
“O filme faz com que as pessoas se mobilizem para esta causa. Temos é de lutar todos juntos! Não pode ser como a EDP e o Governo (CP) pretendem, que é por isto debaixo de água”, argumenta.
A Quercus afirma que “esta luta ainda não está perdida, pois ainda não saiu a guia definitiva. Uma comissão independente realizou um estudo para a Comissão Europeia, publicado há poucos dias, que arrasa o Plano Nacional de Barragens”, garantiu, em Mirandela, um representante da organização ambientalista.
Por:
Bruno Mateus Filena
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