Sendim com olhos postos no futuro

Ter, 23/01/2007 - 18:10


Do futebol aos mais pequenos acontecimentos do dia-a-dia, as páginas do Grupo Desportivo de Sendim desmontam a paixão que se vive no mundo da bola, com destreza e emoção, mas sempre muito sui generis em todos os planos de fundo. Um clube que sabe o que é o rápido descer e o lento subir, fruto da vasta experiência desportiva no Nordeste.

A época passada só deu uma Taça da Amizade frente ao Carção. Mas, no curriculum vitae do Grupo Desportivo de Sendim (GDS) já entraram vários êxitos.
Em Setembro de 1977, o pai do jovem presidente, José Luís Almendra, cria um clube modesto e cheio de fé, que viria a ser, desde os primórdios, um nome sonante no desporto nordestino. Quem não ficou indiferente ao futebol da terra foi o actual comandante dos destinos do Sendim, André Almendra, que aprendeu, desde a sua infância, a idolatrar o GDS. Antes de ver a luz do dia, a colectividade atirava-se de corpo e alma em “joguitos”, quer em Sendim, quer nas vizinhanças. A paixão já era muita, por isso, transbordou-se num projecto sério e enérgico ao mesmo tempo.
Na sua vida, o GDS leva já alguns registos significativos, tais como: o título de campeão da II Distrital, da I Distrital, presença na III Divisão Nacional e vencedor da Taça da Associação. Acresce que, “em 90 por cento dos campeonatos disputados no Distrital, o clube fica sempre nos primeiros lugares”, recorda André Almendra.
No que concerne a recursos humanos, o clube rivaliza, no campeonato, com 20 atletas, orientados pela dupla Fernando Teixeira e Zé Espanhol. Um massagista, dois roupeiros e seis directores completam a epopeia do grupo de trabalho.

Direcção quer apostar num relvado sintético, aumentar as bancadas e melhorar balneários
A direcção pretende requalificar as infra-estruturas, dotando-as de bem-estar para os intervenientes de jogo. “A primeira obra é a colocação de um sintético no Valentim Guerra. Depois, numa segunda fase serão os balneários, seguindo-se as bancadas na zona do bar, a construção de casas de banho e, por último, a melhoria das acessibilidades”, explica o presidente.
A filosofia do GDS passou, numa primeira instância, por manter as pessoas, em especial os jovens, ocupadas ao domingo com a prática de desporto. Nesta região pouco ou nada existia para recrear os jovens, o que levou ao nascimento do modesto Grupo Desportivo de Sendim. Não obstante, o clube brotou para levar o nome do clube o mais longe possível. Hoje, o Sendim tem, em traços gerais, a mesma missão, lutando peculiarmente no Distrital e tentando desenvolver desportiva e civicamente os atletas que pisam o clube. Muito embora a prata da casa não reine no conjunto desportivo, os forasteiros, que alinham na equipa sentem-se genuinamente sendinenses. “Se recorrêssemos só aos jovens da vila a equipa estaria desfalcada, porque há pouca juventude”, lamenta André Almendra.
Apesar de tudo, o futebol juvenil é uma realidade na vila. “Os miúdos vão ganhando alguns jogos, mas a falta de jogadores não permite muito mais”, acrescenta o presidente. A título de exemplo, no último domingo, os juvenis, orientados por Francisco Barreira, apresentaram-se, apenas, com 10 unidades frente ao Bragança.

Futuro do clube passa por manter o máximo de jogadores nos próximos 2/3 anos
Em teremos de orçamento, o clube vive do subsídio camarário, alguns patrocínios e sócios.
Para o que resta do campeonato, o GDS quer ocupar um lugar do pódio, mas o seu grande objectivo atendia à conquista da Taça da Associação. “Infelizmente perdemos com o Morais”, lamenta o dirigente. Resta, agora, ao clube continuar as batalhas pelo melhor posto possível, sabendo à priori que os primeiro lugar já está encomendado.
O futuro do clube foi pensado nos próximos 2/3 anos, pelo que a direcção confia nestes atletas e aposta no sucesso da “base” a médio prazo. “Para as próximas épocas o objectivo é manter o máximo de jogadores e não queremos trocar mais do que 4 jogadores por época”, revela o responsável.
Por último, o GDS tem para este ano um aliciante extra, pois comemora trinta anos em Setembro. Por isso, o clube realizará uma grande festa, que coincidirá com a abertura da nova estação desportiva, reunindo dirigentes e atletas que representaram Sendim e, ainda, o actual plantel. Deste modo, “todos os envolvidos comungarão do espírito do GDS, que é, também, de convívio e alegria”, finaliza o André Almendra.