Feijões de metro e batatas de quilo

Ter, 09/10/2018 - 10:09


Olá gente boa e amiga! No passado fim-de-semana tivemos a primeira geada do Outono. Segundo o tio Queiroz, de Mal Partida (Almeida – Guarda), agora já temos mais um cobertor na cama. As folhas já começam a cair, que o digam os nossos ouvintes do clube dos auriculares, os ministros da limpeza das nossas localidades, porque já começou a época da ‘encadernação’. A minha cidade de Bragança tem muito mais vida. Temos mais estudantes do que nunca e de muitas origens diferentes, de Portugal e do estrangeiro. Muitos deles são meus companheiros de rua, porque a partir das 4:30 da manhã, quando venho fazer o programa, encontro os doutores de capa a comandar os pelotões de caloiros a serem praxados. Numa destas madrugadas, para meu espanto, fui reconhecido por alguém de um desses pelotões que começou a cantarolar “bom dia Tio João, amigo do coração” e todos repetiram em voz alta. Senti-me envergonhado e um pouco assustado e por isso me retraí. Depois de pensar melhor, agradeci-lhes com um aceno de mão, mas fiquei triste de não ter ido pessoalmente agradecer e saber de que curso eram.

Um abraço de agradecimento para todos eles.

O tio Morais, de Vila Nova de Monforte (Chaves), contou-me que tinha encontrado no meio do seu lameiro uma ‘camisa’ de uma cobra com 1,92 m. de comprimento, que o deixou espantado, assim como a todos os utentes do lar da aldeia, onde a foi mostrar.

Deixo aqui o convite a todos os mogadourenses e não só, para nos acompanharem no próximo sábado na Feira dos Gorazes, em Mogadouro, de onde vamos estar em directo para o programa do Tio João.

Agora vamos festejar a vida de quem nos escuta. Nos últimos dias estiveram de aniversário o tio Rogério Sá (71), de Vila Nova (Bragança); o Chico Mau Feitio (40), de Veigas – Quintanilha (Bragança); Norminda (79), da Ribeirinha (Mirandela); Irene Canteiro (50), de Samil (Bragança); Normando (60), de Cidões (Vinhais); Ana Maria Porto (78), de S. Martinho de Angueira (Miranda do Douro); Teresa (53), de Babe (Bragança); a tia Lurdes (98), mãe do tio Chedre, de Nunes (Vinhais); João (83), Valdrez (Macedo); Iracema (69), de Nunes (Vinhais) e Fátima (48), de Podence (Macedo de Cavaleiros), não esquecendo os 66 anos de matrimónio do casal Gualter e Maria, de Agrochão (Vinhais).

 

Estamos no mês de Outubro e por cá já anda meio mundo à espera que a castanha comece a cair. A tia Chanqueira, de Sendim (Miranda do Douro), que nos fale sempre em sendinês, disse-nos que este ano há menos de metade das ‘almendras’ que é costume haver e que ‘las nuzes’ estão muito atrasadas. Como grande produtora de nozes que é, também nos disse que “ainda não estão a sair da casca.

O tio Liberdade Jantaradas, também de Sendim, disse-nos que todos os anos colhe cerca de 2000 quilos de uvas e este ano teve que lhe tirar um zero. Quem nos disse o contrário, utilizando a expressão “em anos maus é que se vêem os bons agricultores”, foi o tio Zé Carlos Pinto, de Tabuaço (Viseu), que este ano teve muito mais uvas que em anos anteriores, porque teve a perspicácia de caldear por cinco vezes, sempre no momento certo, ou seja, antes de virem os nevoeiros, porque quem deitou a calda depois, queimou as uvas.

Foi neste último fim-de-semana prolongado, que se realizaram mais vindimas, visto que os familiares vieram ajudar à festa. Alguns dos nossos tios continuam a querer vindimar mais tarde, porque dizem que as uvas que entretanto não são comidas pelos pássaros, fazem o vinho atingir mais grau.

Ultimamente temos falado muito de uns feijões que já muita gente produz e que dão pelo nome de “feijões de metro”. O tio Delmino Vaz, de Grijó (Bragança), disse que tem um feijoal em que todos os feijões desta espécie têm mais de 70 centímetros. A minha sogra, a tia Sarinha, de Caravela (Bragança), também os produz e posso dizer que são muito saborosos.

Estamos num ano de batatas, mas as mais tardegas são as maiores. Que o diga a tia Maria de Lurdes, de Fontes de Transbaceiro (Bragança), que há poucos dias arrancou batatas com mais de um quilo e a da fotografia, na mão do seu filho, que tem cerca de dois quilos.

A todos umas boas agriculturas e para a semana cá estaremos a anunciar a chuva, se Deus quiser.