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Pescadores de Montesinho esperaram 2 anos por repovoamento de trutas

Pescadores de Montesinho esperaram 2 anos por repovoamento de trutas
  • 28 de Julho de 2015, 10:11

Dois anos depois do último repovoamento, cerca de 2 mil trutas foram lançadas, na passada quinta-feira à barragem da Serra Serrada, em pleno Parque Natural de Montesinho. O compasso de espera por um novo repovoamento provocou prejuízos aos pescadores e ao prejudicou o turismo das localidades próximas da barragem, como explica António Coelho, presidente da Associação Florestal de Trás-os-Montes, que presta apoio técnico à Associação de Caça e Pesca Amigos de Montesinho a quem está concessionada esta área de pesca. “Isto acarretou prejuízos para a Associação de Caça e Pesca Amigos de Montesinho que durante dois anos se viu impedida de obter as receitas das licenças. Também o Estado Português perdeu porque 25 por cento da receita vai para o Estado. Mas mais importante do que isso, foi perder todas as sinergias financeiras, económicas e sociais que se criam à volta da pesca, promovendo o turismo na aldeia”, sublinha.
A questão do repovoamento tem gerado alguma polémica, uma vez que o Plano do Ordenamento do Território do Parque natural de Montesinho considera que “os repovoamentos são contraproducentes porque promovem a disseminação de pragas e doenças, causando perturbação no equilíbrio natural entre as populações selvagens e as patologias”, estando por isso proibidos. António Coelho explica que esta demora se deveu a uma objecção do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) sobre a pureza genética dos reprodutores da truta. Um argumento que Associação Florestal de Trás-os-Montes não aceita, lembrando que as mesmas trutas que foram postas em causa serviram para repovoar rios fora das áreas classificadas. As associações de caça e pesca têm vindo a reclamar mais igualdade para áreas protegidas. ”Sempre questionamos o Estado Português porque razão fazia um tratamento diferenciado entre repovoamentos dentro e fora de áreas classificadas. Nunca obtivemos resposta. Não há qualquer tipo de argumentação, dentro próprio Estado, quando ele próprio faz esse tipo de repovoamentos fora da área classificada. Ou tinha as características genéticas adequadas e fazia-se o repovoamento ou não tinha e não se fazia”, constata o também pescador.


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