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“Não podemos ter medo de votar no que acreditamos”

“Não podemos ter medo de votar no que acreditamos”
  • 26 de Agosto de 2015, 13:58

Qual o propósito da sua candidatura?

O objectivo da minha candidatura nas listas do Bloco de Esquerda como independente é na tentativa de alterar este tipo de políticas que nos têm governado nos últimos anos, ou melhor dizendo desde o 25 de Abril.

Que politicas têm sido essas?

Nós estamos a assistir ao despovoamento do nosso distrito. Desde 1960 perdeu muita população, nesse ano tínhamos 230 mil habitantes, hoje temos 130 mil. Não podemos continuar a assistir a este êxodo. Os nossos concelhos estão desertos dos serviços prestados e as oportunidades aqui cada vez são menos. As pessoas vão à procura de oportunidades. Infelizmente temos assistido à saída de jovens muito capacitados e o nosso distrito hoje resume-se a pessoas idosas e qualquer dia chegamos ao ponto de não termos quem trate das pessoas mais velhas.

O que é preciso fazer para que se inverta esssa tendência que fala?

Eu penso que há muitas coisas que podemos fazer. A primeira coisa é valorizar as pessoas que temos cá e por isso o Estado não pode retirar o que tem cá. Tem que criar condições para que as pessoas possam ficar. Estamos a falar de serviços como a saúde, educação, transportes públicos.
Outra coisa é a valorização do sector primário que tem sido abandonado ao longo dos anos. Criou-se e está-se a criar a ilusão que o sector primário só é para grandes empresas e grandes investimentos e que a agricultura familiar já não pode existir e isso é uma grande mentira. O que nós temos nas nossas aldeias dos nossos concelhos mais pequenos é o sector primário, a agricultura e pecuária, é feita por pessoas de alguma idade já porque infelizmente são poucos os jovens que vêm para o sector primário porque é um sector que não tem ajudas.

Acha que a agricultura é pouco apoiada a nível de projectos de fundos comunitários?

Não vou por aí até porque neste momento há apoios comunitários para novos projectos mas têm que ser canalizados e bem canalizados ou melhor tem que haver uma sustentabilidade naquilo que se faz. E no nosso país, não é só no nosso distrito, não há planeamento. O que acontece é que a Estado passou essa responsabilidade para os municípios e estes não estão muito vocacionados para o sector primário, preferem arriscar em zonas industriais e comerciais mas o sector primário é o que tem mais potencialidades no nosso distrito aliado, por exemplo, ao turismo cinegético. A caça e as pescas sempre foram um pilar da nossa economia e o nosso Governo, mais uma vez, com a sua capacidade se retirar da sua responsabilidade cingiu-se a ficar com o dinheiro das licenças e de tudo quanto é necessário para praticar o exercício de caça e entregar esta responsabilidade aos caçadores e não pode.
Quem nos tem governado nos últimos 40 anos são sempre os mesmos, embora eles apareçam agora a dizer que é a primeira vez mas se virmos bem os desígnios do distrito de Bragança têm estado sempre nas mesmas mãos e até agora sempre compactuaram com as políticas do Governo. Nunca, a não ser nas campanhas eleitorais, se insurgiram contra estas políticas destrutivas de despovoamento.

Considera que há alguma inactividade das pessoas que têm representado o distrito nesse aspecto?

Creio que não há inactividade porque todas as pessoas que estão no distrito quererão o melhor para a sua terra mas o certo é que eles são absorvidos pelas máquinas partidárias e nunca os vi insurgir-se contra estas políticas restritivas.

Por Cátia Barreira


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