Adriano Moreira critica o descaso que os sucessivos governos têm dado à CPL

Os sucessivos governos portugueses não têm sabido aproveitar a influência que têm sobre as nações que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), criada em 1996. Esta foi uma das principais ideias vincadas por Adriano Moreira na conferência “As Comunidades Portuguesas e as Migrações”, que decorreu na passada quinta-feira, em Bragança.
O professor de Direito, ex-ministro do Ultramar, criticou o desprezo a que considera que tem sido votados a CPLP e o Instituto da Língua Portuguesa, pelos próprios portugueses. “É um grande erro o descaso em que a governação portuguesa tem tido essas instituições, incluindo o Instituto da Língua Portuguesa. O projecto da Comunidade, que se chama hoje CPLP, deve-se à Sociedade de Geografia de Lisboa, com dois congressos. Mas quem fez, foi o Brasil. O embaixador que tratou disso, nunca fez um discurso em que não citasse a Sociedade de Geografia e a mim, que eu ajudei, mas quem fez foi o Brasil”, sublinhou.
Adriano Moreira lembrou ainda que a ideia de um Instituto Internacional de Língua Portuguesa partiu de Portugal mas acabou por ser consolidada pelo Brasil. “Quem teve a ideia de um Instituto Internacional da Língua Portuguesa, que hoje interessa tanto ao nosso projecto do Museu da Língua, foram os portugueses, que sugeriram que se fizesse um Instituto onde os países que foram libertados estivessem em pé de igualdade, no sentido em que teriam completa liberdade. Foi aprovado. Mas quem o fez, foi o presidente do Brasil”, acrescentou.
