Sociedade

Movimento Cultural de Miranda acusa Montenegro de afirmações graves sobre liquidação dos impostos das barragens

Movimento Cultural de Miranda acusa Montenegro de afirmações graves sobre liquidação dos impostos das barragens
  • 24 de Outubro de 2024, 16:31

O Movimento Cultural da Terra de Miranda (MCTM) diz-se incrédulo com as mais recentes declarações do Primeiro-Ministro sobre o processo de pagamento de impostos das barragens que a EDP vendeu à Engie. O chefe de Estado disse, na semana passada, na Assembleia da República, que a administração fiscal está a efectuar liquidações “segundo princípios que não são muito claros”. O movimento, que diz que as declarações “assentam que nem uma luva aos interesses das EDP e das concessionárias”, está revoltado. “Estas palavras, de facto, caem-nos muito mal”, esclareceu Alberto Fernandes, um dos membros do MCTM, que assinalou ainda que ao Luís Montenegro estar a “levantar dúvidas” a cobrança dos impostos é suspensa. Ou seja, segundo a lei do código de Procedimento Tributário, estas palavras de Luís Montenegro dão razão à EDP e às concessionárias das barragens para contestarem os processos relativo à liquidação dos impostos em causa. Dizendo que apesar de não estarem a contar com semelhantes declarações, Alberto Fernandes referiu que também não esperavam uma postura muito diferente daquela que Montenegro tomou. “Já quando criou o grupo de trabalho para avaliar a questão do pagamento do IMI, o senhor Primeiro-Ministro levantou dúvidas”, criticou. Ao contrário das dúvidas dos governantes, para o movimento a lei é clara e obriga as barragens a pagar o IMI. Isso mesmo está comprovado num parecer da Procuradoria-Geral da República de 2006 e em três despachos que já foram emitidos pelo ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. “Aquilo que sabemos é que essas dúvidas não existem. Tanto que não existem, que a PGR, em 2006, e, depois, três despachos do ex-secretário de Estado, realmente reafirmam a necessidade de incluir todos os equipamentos das barragens para chegar à sua avaliação”, afirmou Alberto Fernandes. O membro do movimento cívico lamenta que as coisas estejam a ficar cada vez mais “complicadas”. Ou seja, o tempo “vai passando” e os impostos “continuam por cobrar”. Depois destas declarações, o MCTM dá mesmo por perdidos os 400 milhões de euros de impostos que caducam no fim do ano se nada for feito. “Penso que é inevitável. É mais um caso de política e neste caso protagonizado pela EDP. É triste que assim seja. Estes 400 milhões aplicados na região naturalmente que fariam a diferença daquilo que tem sido o investimento do Estado Central nestas regiões periféricas e necessitadas desse investimento. É que além de não haver esse investimento, ainda por cima esse valor não fica aqui e era devido aqui à região”, rematou. Luís Montenegro disse que o Estado está a liquidar o IMI das barragens “segundo princípios que não são muito claros”, depois de no último debate quinzenal na Assembleia da República ter dito que estava a aguardar a investigação da Procuradoria-Geral da República sobre a cobrança de IMT e Imposto de Selo à EDP. As seis barragens que a EDP vendeu à Engie (Miranda do Douro, Bemposta, Picote, Foz Tua, Baixo Sabor e Feiticeiro), ficam no rio Douro. O negócio rendeu 2,2 mil milhões de euros à EDP. A venda das barragens ficou concluída no fim de 2020. O fecho da transação aconteceu exatamente um ano após o acordo feito entre as empresas.


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