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Vencer e viver para os outros

Vencer e viver para os outros
  • 19 de Outubro de 2021, 08:04

O mês de Outubro é dedicado internacionalmente à sensibilização para o cancro da mama. Chamado “Outubro Rosa”. Em Portugal, a doença afecta cerca de 7 mil mulheres por ano e causa a morte a 25 por cento das vítimas.
Os especialistas são claros quando afirmam que a prevenção e o diagnóstico precoce são imprescindíveis para vencer a doença. 
Nesta edição damos a conhecer duas brigantinas que se defrontaram com a doença e deram origem ao movimento “Vencer e Viver”. Este é composto por cinco mulheres que actualmente ajudam outras 214. 
O movimento tem um gabinete de apoio aberto no Mercado Municipal de Bragança. O trabalho destas cinco mulheres não é apenas de uma nobreza extraordinária, mas de um altruísmo tremendo. Conscientes da dureza da luta que travaram fazem de tudo para minimizar a de outras mulheres. 
O seu testemunho e força é já uma grande ajuda para quem se depara com a doença, mas vão ainda mais longe, têm também próteses capilares e mamárias. Além disso, ainda disponibilizam aulas de ginástica adaptadas.
Hoje em dia com o acesso livre à internet toda a gente, que se depara com uma determinada doença, a primeira coisa que faz é ir a esse “mundo novo” tentar encontrar pessoas que se encontrem na mesma situação. Aliás, segundo o motor de pesquisa Google, uma em cada 20 pesquisas realizadas no mecanismo de buscas está relacionada com a saúde. Resumindo, esta é uma resposta extremamente útil em territórios como o nosso, onde, por vezes, tudo parece tão longínquo.  
Para serem tratadas têm de se deslocar e sair da sua zona de conforto. Aqui podem encontrar o alento de quem partilha a sua dor e os mesmos obstáculos. O cancro da mama destrói a autoestima de qualquer mulher e é aqui que estas guerreiras entram para ensinar outras a viver com a amputação mamária ou com a sua reconstrução, pois têm também ao seu serviço uma psicóloga. 
Confesso que desconhecia este movimento até ao momento, mas fico felicíssima por saber que existe e espero que se mantenha por muitos e longos anos. A estas cinco grandes mulheres desejo a maior força e saúde para continuarem este magnífico serviço voluntário.
Outro destaque que faz manchete esta semana é a notícia da iminência de a maior operadora de transportes públicos da nossa região deixar de fazer alguns percursos devido ao aumento do preço dos combustíveis. Bem sabemos que a afluência não deve compensar os custos, mas o que é certo é a nossa única forma de mobilidade e o transporte já é bastante deficitário. Espero que encontrem uma solução, nem que seja subsidiada, para não sofrermos mais essa perda que terá, obviamente, grande impacto nos mais vulneráveis, os idosos. 
Andamos aqui sempre a tentar combater o isolamento deste grupo, mas a maior forma de isolamento é a falta de mobilidade. Vamos esperar que caso a empresa entenda, como será natural, que operar aqui não compensa que os governos, quer centrais quer locais (que amealham os nossos impostos), encontrem uma solução decente.
 

Cátia Barreira


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