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É tempo de confiança

É tempo de confiança
  • 18 de Agosto de 2015, 13:28

Já contava que assim fosse… uma verdadeira alucinação com o passado, as estatísticas a jeito, as miseráveis interpretações e encenações e o sempre lamentável aproveitamento quase até à exaustão do medo.

A discussão em torno dos debates televisivos, com ou sem Paulo Portas, levanta mais uma vez a arrogância democrática e o poder discriminatório de um Partido que não é mais o CDS. Retrata-se na figura do político Paulo e personifica a personagem. Num Portugal democrático, ninguém entende a birra. Em igualdade de circunstâncias com o CDS da coligação PAF, os verdes que integram há décadas a coligação democrática unitária CDU, nunca tiveram esse espaço. É por isso reprovável a distinção entre partidos, qualquer que seja a sua ideologia política e representatividade democrática. Uns e outros, coligados ou não, devem ser representados pelos respetivos líderes. Esta atitude não é mais do que o resultado da permanente subserviência interna no Governo e na coligação PAF, do PSD, ou melhor, do PSD de Passos Coelho ao PP do político Paulo. Foi visível nestes 4 anos de Governação e manifesta-se agora nas posturas altivas em decisões que não agradam o político Paulo. Não pode mesmo ser contrariado. Protesta e refila sem razão. É a vítima de um sistema, em que ele queria ser a exceção.

O político Paulo criou em Portugal um poder político tipo iceberg. Só é visível uma parte insignificante, quando a que está abaixo do nível das águas é muito superior. Aconteceu quando, num golpe frio e calculista, encostou o PSD e Passos Coelho às boxes e continuou a correr contra o tempo, colocando em causa o Governo. Falou mais alto a perpetuação no Poder e ele chegou a Vice Primeiro. Ganhou e voltou a ganhar espaço político no Governo. Mais ministros e maior capacidade de influência. Os 11% granjeados em 2011, como por magia, passaram a valer o dobro. Assume as rédeas da Coligação e mostra quem manda em Portugal.

No distrito de Bragança, temos esta semana mais uma visita do Ministro da Educação e Ciência, Prof. Nuno Crato, a Mirandela. Em pleno mês de férias de alunos, professores e demais colaboradores, bem como, e sobretudo, das respetivas direções, o Ministro visita novamente as instalações da Escola Secundária de Mirandela e a Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo do Instituto Politécnico de Bragança. Vem, assuma-se, em pleno ato de campanha eleitoral, apoiando-se na visibilidade da comunicação social regional e nacional. Exemplo do mais do mesmo… em plena crise, os portugueses a pagarem estadias e deslocações de políticos, assessores e seguranças com objetivos políticos partidários.

É tempo de Confiança! Há que ser diferente e fazer a diferença. Talvez fosse mais fácil a António Costa ceder à pressão mediática, criticar as dívidas à segurança social do Dr. Passos Coelho, ou referir-se às notícias que têm vindo a ser publicadas sobre o candidato pelo Porto e vice-presidente do partido, Marco António Costa. Infelizmente, em Portugal sobra matéria para aflorar sobre políticos, mais ou menos públicos, que têm processos pessoais a resolver.

Em política, o foco tem que estar sempre no que é essencial para as pessoas: ter emprego e qualidade de vida. O novo tempo de confiança é, assim, também o momento de fazer diferente, ser distinto da frieza a que temos sido obrigados desde há 4 anos. É tempo de olhar pelos Portugueses.

Agostinho da Silva referia-se à “única salvação do que é diferente é ser diferente até o fim, com todo o valor, todo o rigor e toda a rija impassibilidade; tomar as atitudes que ninguém toma e usar os meios de que ninguém usa; não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; ser ele…”.

Por Júlia Rodrigues


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