Para não deixar Portugal cair no esquecimento

Renovar. A renovação tem constituído quase um mantra utilizado pelos partidos políticos para, de uma vez só, encurtarem a distância (cada vez maior, diga-se) entre eleitores e candidatos, assegurarem mudanças estruturais no funcionamento interno das organizações a que pertencem, e anunciarem ao País que conseguirão fazer diferente, porventura melhor do que no passado. A força política da renovação, e toda a sua carga simbólica e prática, teve a sua génese em António Costa, que a tem utilizado como farol nestas eleições legislativas. A coligação PSD/CDS titubeia nos mesmos passos, tentando colar-se a essa imagem, mas a realidade dos últimos quatro anos, neste país, transforma este embrião de estratégia num nado morto, porque a este PAF (Portugal à Frente) falta o essencial para governar, a segurança dos governados nas suas políticas, e a certeza que o governo conjuga muito mal o verbo renovar.
António Costa apresentou os objetivos para a década, o Programa e as listas de cada distrito, no tempo certo. Não na oportunidade da política e dos políticos. No momento certeiro para Portugal. Porque, recordou, «os portugueses estão a sofrer anos de enorme depressão e descrença e, caso não se reconstrua a confiança, é impossível mobilizar o país. Mais do que qualquer estatística, mais do que qualquer modelo económico ou preconceito ideológico, o principal falhanço deste Governo foi ter minado a confiança e de ter traído os portugueses.». A confiança na mudança será o motor de arranque para renovar as políticas públicas no nosso país, designadamente as sociais (tão mal-amadas, atualmente), e será a força motriz que nos mobilizará a votar, exercendo um direito que tem sido desvalorizado e pouco combatido.
A decisão de votar antecipa a resolução de ”em quem votar”. De forma cautelosa, a grande maioria dos portugueses, e também no distrito de Bragança, prefere aguardar por mais informação para sustentar a tomada de decisão. De um modo que se quer livre e ausente de pressões, cada eleitor é motivado por razões racionais, mas também emocionais, procurando representantes honestos, competentes, humildes, e que defendam de forma inabalável o distrito pelo qual foram eleitos, as populações que neles depositaram todas as esperanças. É cada vez mais decisivo a coerência dos percursos profissionais e políticos dos candidatos, o acompanhamento que têm dado às necessidades distritais (organizações sociais, desportivas, humanitárias, as empresas e seus colaboradores, os desempregados e os mais desfavorecidos), mas também a dedicação à solução de problemas graves específicos do distrito e outros que sejam transversais ao País. No nosso caso, a interioridade continua a ter um custo alto demais para muitas empresas e jovens empresários apostarem em se fixarem no nosso distrito. Sem trabalho, não há pessoas e sem pessoas não há vida. Sem vida, o abandono das terras e com ele o martírio dos incêndios florestais. Um ciclo vicioso difícil, mas não impossível, de quebrar.
O essencial da política reside na resolução dos problemas das pessoas. Sem retórica ou demagogia. Sem truques ou malabarismos. Sem jogos de poder e sem manipulação de factos. E, sobretudo, sem falhas de memória. E aqui fala-vos de uma das situações mais dramáticas vividas por todos os transmontanos, em particular as muitas famílias com vidas salvas pela prontidão de acesso a hospitais centrais – a saída do helicóptero de Macedo de Cavaleiros. Honra seja feita ao PS de Vila Real, que, solidário com o distrito de Bragança, veio defender a sua manutenção no local onde sempre deveria ter permanecido. Esta «facada mortal» do atual Governo PSD/CDS, obteve a total anuência do atual cabeça de lista da coligação, Adão Silva. Enquanto deputado, defendeu o desvio deste equipamento para Vila Real, por questões de centralidade. E isso, ninguém vai esquecer!
Por: Júlia Rodrigues
