“Expresso de Bragança” ruma a Inglaterra nas próximas duas épocas

O “Expresso de Bragança” defende a união dos clubes em Bragança para desenvolver o futsal e pretende alargar as escolinhas de futsal.
Arnaldo continua disponível para a Selecção Nacional mas ciente que um dia vai ter que ceder o seu lugar.
Jornal Nordeste (JN) – O título conseguido ao serviço do FK Nikars, o terceiro, foi especial?
Arnaldo Pereira (AP) – Sem dúvida. Fomos campeões sem nenhuma derrota. A época foi fabulosa. Começamos por ganhar a supertaça, depois seguiu-se o apuramento para a UEFA com sucesso e só perdemos para a final four. Os objectivos foram cumpridos. Para colmatar a época fui eleito o melhor jogador do campeonato.
JN – É caso para dizer que foi a cereja no topo do bolo …
AP – É isso mesmo. Tenho que agradecer à equipa técnica e aos meus colegas pois sem eles nada disto era possível.
JN – Como é o campeonato de futsal da Letónia?
AP – Neste momento está um pouco mais competitivo pois as equipas que eram consideradas mais fracas evoluíram bastante e os jogadores também. Mas, o campeonato é basicamente disputado entre o Raba e o Nikars. O Nikars leva sempre a melhor porque tem os melhores jogadores.
JN – Antes desta aventura pela Letónia já tinha passado por Espanha e Inglaterra. O que o motivou a emigrar? O factor financeiro pesou nessa decisão?
AP – Sim. O factor financeiro pesa sempre. Mas, o que me levou a emigrar foi o facto de querer mais sossego e tempo para estar com a minha família. Entretanto, a minha esposa ficou grávida e quis acompanhar o nascimento do meu filho. Em campeonatos como o português ou espanhol as equipas são profissionais, treinam duas vezes por dia, e o tempo é dedicado mais ao clube do que à família.
JN – Isso quer dizer que o campeonato de futsal em Portugal e Espanha é bem mais competitivo do que em Inglaterra ou Letónia?
AP – Sim. Neste momento o futsal em Inglaterra e Letónia estão a crescer e em Portugal o campeonato é já muito forte e o de Espanha é o melhor do mundo.
“ … algum dia vou ter que ceder o meu lugar … “
JN – Já que falamos em Inglaterra sei que vai regressar ao Baku United. Porquê regressar a Inglaterra?
AP – O clube fez-me uma boa proposta e como já estou com um certa idade vou regressar. É um contrato de dois anos.
JN – Já pensa no final de carreira?
AP – Neste momento vou viver o presente e pensar em cumprir os dois anos de contrato com o Baku United, mas claro que penso no futuro e espero que este passe por ficar ligado ao futsal.
JN – Vem aí o Europeu 2016, espera ser convocado para esta competição?
AP – Claro que penso nisso mas já não tanto como há uns anos atrás. O seleccionador sabe que estou sempre disponível, mas se não for chamado não vou ficar surpreendido pois algum dia vou ter que ceder o meu lugar.
JN – Mas, o facto de ter participação na fase de qualificação coloca-o de imediato no lote de convocados para o Europeu …
AP – Sim. Se tudo correr bem, se começar bem a temporada serei chamado. Mas, se não for chamado não vou ficar triste com isso .
JN – Uma fase de qualificação que não foi de todo fácil …
AP – É verdade, não foi fácil. Complicamos no jogo com o Cazaquistão, que é uma equipa que descaracteriza bastante o jogo. Foi um jogo atípico, que perdemos. Depois ganhamos à Roménia e conseguimos o apuramento.
JN – Antes da qualificação realizou dois jogos em Bragança, na sua terra natal. Foram duas partidas especiais para si?
AP – Sem dúvida. Jogar num ambiente onde estão as pessoas que nos viram nascer e crescer torna os jogos especiais.
JN – Na altura o pavilhão mudou de nome e passou a chamar-se Arnaldo Pereira. Isso faz crescer a sua responsabilidade na modalidade se juntarmos o facto de ser o jogador mais internacional da selecção?
AP – Quando somos atletas de topo temos sempre responsabilidades perante o futsal.
JN – Ficou de alguma forma surpreendido com a homenagem que lhe foi feita?
AP – Sim fiquei. Também fiquei muito agradecido.
Arnaldo Pereira defende união dos clubes em Bragança
JN – O que pensa fazer quando terminar a carreira? Dedicar-se mais às escolinhas de futsal que tem em Bragança e Chaves?
AP – O meu grande objectivo e alargar o projecto e abrir mais escolas. Não só abrir mas alargar o projecto das escolas para terem continuidade em certos clubes. Mas, pelo que vi quando abri as escolas em Bragança e Chaves não vai ser fácil …
JN – Porquê?
AP – Porque os clubes não estão abertos para trabalharem em conjunto. Aqui em Bragança, quando abri a escolinha convidei os Pioneiros e a Habinordeste, que ainda existia na altura, a fazermos um projecto em conjunto onde cada um assumia a sua parte. Eu assumia a parte de escolinhas, outro os juniores e juvenis e outro os seniores, mas depois vi não havia vontade dos clubes para trabalharem em conjunto. É pena. Assim o nosso projecto vai ter que ser revisto. Vou continuar com as escolinhas mas vou ampliar o projecto para os miúdos poderem continuar a jogar futsal.
JN – Mas acredita que esse entendimento entre os clubes ainda é possível em Bragança?
AP – O nosso esforço depois de terminar a época, depois do torneio em Junho, vai passar por convidar alguns clube e associações para fazer com que o projecto seja maior e com mias responsabilidades. Só desta forma conseguimos dar continuidade na modalidade aos miúdos.
JN – Faz parte dos seus planos abrir escolas de futsal em outras localidades?
AP – Há apenas conversas. Quem sabe Mirandela, Macedo e Vila Real. Vamos ver.
