Entrevista

Fernando Morato: “Do ponto de vista desportivo tem sido uma grande experiência”

O preparador físico natural de Bragança, de 27 anos, há cinco temporadas que trabalha na 2.ª Liga de futebol, na equipa técnica do mirandelense Rui Borges. O seu percurso começou no Campeonato de Portugal, G.D. Bragança e S.C. Mirandela, seguindo-se as competições profissionais. No currículo tem Aca

06 jun. 2023, 09:45

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O preparador físico natural de Bragança, de 27 anos, há cinco temporadas que trabalha na 2.ª Liga de futebol, na equipa técnica do mirandelense Rui Borges. O seu percurso começou no Campeonato de Portugal, G.D. Bragança e S.C. Mirandela, seguindo-se as competições profissionais. No currículo tem Académico de Viseu, Nacional, Académica, Vilafranquense e Mafra. Tudo aponta que a próxima paragem seja Moreira de Cónegos, na 1.ª Liga

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Fernando já são cinco épocas como preparador físico na 2.ª Liga. Como tem sido esta experiência no futebol profissional?

Tem sido enriquecedor. Eu guardo, principalmente, a parte pessoal. Tem sido importante o número de pessoas que conhecemos, a personalidade dos jogadores, e é isso que levamos no final de cada época e do nosso percurso. Do ponto de vista desportivo tem sido uma grande experiência, ainda mais porque começámos num contexto amador e passo a passo atingimos os nossos objectivos e os campeonatos profissionais.

Cinco anos na 2.ª Liga mas em contextos diferentes, ou seja a experiência no Académico de Viseu não foi a mesma, por exemplo, no Mafra …

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Totalmente diferente, mas todos os contextos muito enriquecedores. Pessoalmente, e quando digo pessoalmente digo equipa técnica, tenho um gosto especial pelo Académico de Viseu pois deu-nos a oportunidade para trabalhar a nível profissional. Desde aí, as coisas surgiram de forma natural e o nosso trabalho também foi ditando o nosso percurso.

Estamos a falar de uma liga profissional, logo mais exigente mesmo para ti enquanto preparador físico?

Sim. Eu recordo os primeiros dias em Viseu. Eu tinha 23 anos e dei com um grupo de trabalho, um plantel, recheado de jogadores que já tinham passado pela 1.ª Liga …

É preciso ter uma postura diferente?

Não digo diferente. Com esta idade pensamos que autoridade é o melhor caminho, mas não. O melhor é conquistá-los pelo nosso trabalho e competência.

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Estamos a falar de um campeonato mais exigente em termos de trabalho. Toda a evolução do futebol obriga-te a evoluir também …

Desde o Viseu até ao Mafra tínhamos um padrão de trabalho evidente para nós, mas o nosso dia-a-dia era diferente desde o Académico de Viseu até ao Mafra, mas os princípios e ideias são iguais acompanhando sempre a evolução do futebol.

Qual é a rotina diária de um preparador físico numa equipa técnica?

Depende das condições e contexto do clube. Mas, por exemplo, nesta última época no Vilafranquense e Mafra tínhamos uma rotina de pré-treino no ginásio, uma preparação para o próprio treino e o momento a seguir ao treino. No treino a minha ligação com a equipa técnica é sempre num contexto d intervir em todos os momentos, seja técnico ou físico. Em alguns clubes tínhamos os fisiologistas que nos auxiliavam. Eu costumo dizer que passo mais tempo com os jogadores do que com a própria equipa técnica.

O teu papel é trabalhar ao pormenor cada jogador?

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Estamos a falar do contexto de evolução do jogo e da modalidade e temos que acompanhar. Do ponto de vista físico e técnico-táctico a evolução foi tão grande que nós precisámos de passar essa evolução para os jogadores. Neste contexto de 2.ª Liga temos equipas que trabalham de forma totalmente diferente tal como os jogadores, mas eles têm percebido as nossas ideias e isso tem sido a chave para o nosso sucesso.

Estamos a falar de uma equipa técnica cem por cento transmontana e que trabalha junta há cinco anos. Há uma grande cumplicidade entre todos os elementos?

E não trabalhei com muitas equipas técnicas e penso que ao longo do tempo vou sentir essa união que temos. A grande capacidade que temos é sabermo-nos adaptar, ou seja estivemos em contextos que entrámos no início da época, em contextos que entrámos em Fevereiro e já passamos por tudo na 2.ª Liga e sempre tivemos a capacidade de nos adaptar. Uma pontinha de sorte tem de haver sempre, mas o trabalho está acima de tudo. Uma das virtudes do transmontano é saber adaptar-se quando as coisas correm menos bem.

Há algum jogo que te tenha marcado mais nestes cinco anos na 2.ª Liga?

Sim. Há vários, nomeadamente o Viseu 2 – Penafiel 1 em que garantimos a manutenção na nossa primeira época em Viseu. Depois, a meia-final da Taça de Portugal com o jogo no Dragão. Foi um jogo de grandes emoções para uma equipa técnica que não estava totalmente preparada psicologicamente preparada para algo daquela dimensão. Apesar de termos perdido por 3-0 foi um momento importante para nós.

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Costuma-se dizer que em equipa que ganha não se mexe e sabendo que o Rui Borges, pelo menos tudo aponta para aí, vai assumir o comando técnico do Moreirense, tu segues também para Moreira de Cónegos?

Sempre que puder vou seguir com ele, pois tenho uma grande cumplicidade com o Rui e a restante equipa técnica. Em relação ao futuro vamos ver. Estamos a ver o melhor para o futuro.

Mas há essa expectativa de te estreares na 1.ª Liga?

Pessoalmente, eu tenho uma promessa para mim mesmo, chegar à 1.ª Liga com esta equipa técnica. Vamos ver.

Estamos a falar do presente e do futuro mas não podemos esquecer o passado, que começou em 2016 no GDB. Nessa altura acreditas que era possível estares neste patamar? Era isto que querias?

Eu até acabei por abandonar precocemente os estudos. Terminei a licenciatura mas recebi uma proposta para trabalhar logo. E era isso que queria. O meu objectivo era trabalhar ao mais alto nível em Portugal ou no estrangeiro. A primeira foi fantástica com o mister Zé Gomes, no Bragança, em que aprendi imenso e tive uma primeira base de desenvolvimento muito grande. Infelizmente, as coisas não correram bem e em Abril saímos. Uns meses depois, recebi uma chamada do mister Rui que acabou por mudar a minha vida.

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Gostavas de trabalhar no estrangeiro?

Sim. A minha visão daquilo que perspectivo para o meu futuro é trabalhar no estrangeiro, filtrando um pouco aquilo que é o estrangeiro. Não sabemos o dia de amanhã, mas se possível trabalhar nas melhores equipas do mundo.

Fernando estamos a falar da tua profissão como preparador físico, mas também foste jogador ...

(Risos) Sim, mas rapidamente percebi que não tinha capacidade física e psicológica para me encaixar como jogador profissional. E percebi isso quando passei para este lado. Aqui fora, chama-me muito a atenção por causa da minha família, do meu passado e é isto que quero fazer toda a minha vida.

Continuas a acompanhar o GDB?

O Grupo Desportivo Bragança é o clube da minha terra e do meu coração. Sempre que posso nas minhas folgas venho ver os jogos. Infelizmente, o clube atravessa uma fase em que não há estabilidade desportiva mas sinto que as pessoas que estão na sua liderança são as pessoas certas para dar estabilidade ao GDB. Estarei aqui para ajudar no que for necessário.

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