Ter, 03/02/2026 - 12:34
Na ULS do Nordeste, a falta de médicos e a falta de avaliação dos que “resistem" está a fragilizar vários serviços hospitalares. A presidente do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) e vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos, Joana Bordalo e Sá, denuncia a dependência crescente de prestadores de serviço e acusa a ausência de avaliações e de progressão na carreira. “Os médicos têm de ser avaliados. Eles têm direito a progredir do ponto de vista vertical e do ponto de vista horizontal. Isto é, os médicos têm de progredir ao longo dos escalões dentro de uma categoria e têm de abrir vagas, por exemplo, para assistente graduado sénior, para as pessoas poderem candidatar a essas vagas e serem avaliados. Porque isto é que faz com que depois também as pessoas se desmotivem e haja áreas mais carentes. Eu diria que os médicos não são avaliados e estão todos como assistentes na primeira ou segunda posição de assistente, ou estão na primeira ou segunda posição de graduado, ou estão na primeira ou segunda posição de sénior”.
Segundo a delegada sindical dos médicos da ULS do Nordeste, Elisabete Pinelo faltam “dezenas” de médicos, sendo ginecologia obstetrícia a especialização com maior carência. “Há muitos colegas que estão em prestação de serviços nos próprios serviços e estes estão em falta. Digamos que temos dezenas de médicos. Ortopedia e genecologia obstetrícia são áreas com maior carência”.
Outro dos problemas identificados pelo Sindicato dos Médicos do Norte, é o número, cada vez menor, de vagas para os médicos internos. Que não só criam desigualdades territoriais, mas também não ajudam à fixação dos profissionais no interior. “É muito importante que também abram vagas para formar médicos. E o que está a acontecer é que há, ao longo dos anos, uma redução até para esse primeiro ano de formação, que são os internos de formação geral. Se não motivam e se não abrem as vagas necessárias desde o início, é muito mais difícil depois, no futuro, fixar vagas. E nós entendemos que há muito mais vagas, por exemplo, para o litoral do que para o interior. E esta desigualdade não deve ser assim, porque essas vagas são o primeiro passo para conseguirmos atrair mais médicos aqui para o interior e para o ULS do Nordeste”.
O Sindicato dos Médicos do Norte alerta ainda para a falta de investimento em recursos humanos na ULS do Nordeste, pela “administração Montenegro”. Ainda assim, sublinha que esta unidade de saúde continua a funcionar graças ao esforço dos profissionais. Segundo Joana Bordalo e Sá “apesar desta tempestade de desinvestimento que há no interior” os médicos, “vestem mesmo a camisola” e conseguem “assegurar os vários serviços da melhor forma e na ULS do Nordeste, só não está pior porque os médicos vestem a camisola e tentam fazer o melhor que conseguem com tão pouco”, rematou.
O sindicato garante que vai exigir a realização das avaliações e o cumprimento da progressão na carreira, defendendo que só com médicos do quadro e condições dignas será possível fixar profissionais no interior do país.



