Dois casais de agricultores de Torre de Moncorvo apresentaram uma acção contra o Estado português no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
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Os queixosos reclamam mais de 1,5 milhões de euros de indemnização, por danos em terrenos agrícolas que deixaram de poder ser cultivados por estrarem constantemente alagados, facto que atribuem à Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Torre de Moncorvo.
Segundo o relato de Castanheira Barros, o advogado dos dois casais, as águas residuais provenientes da ETAR são lançadas num canal de paredes de xisto, que permite que as águas passem pelos orifícios e se alojem nos terrenos agrícolas dos dois casais de agricultores. “O encharcamento foi reconhecido pelo tribunal como sendo a causa dos danos nos terrenos, mas os tribunais nacionais não deram como provado que este provinha das águas residuais”, refere o advogado, que frisa, no entanto, que no local não há nenhum outro factor de alagamento constante que não esse.
Os problemas arrastam-se há cerca de 10 anos e o processo em tribunal decorre desde 2013, sendo que aí os réus eram a empresa Águas do Norte e a Agência Portuguesa do Ambiente.
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Esta acção contra o Estado, que foi instaurada no final da semana passada, tem como fundamento a violação de três direitos consagrados na Convenção Europeia dos Direitos do Homem: o direito à decisão da causa num prazo razoável, o direito a um tribunal imparcial e o direito a um recurso efectivo, como adiantou ao Jornal Nordeste o advogado dos agricultores. Castanheira Barros argumenta que o Tribunal Central Administrativo do Norte autolimitou a sua competência de modificar a matéria de facto, dada como provada em primeira instância. “Assim, este tribunal fez com que o recurso que nós interpusemos não fosse efectivo, dentro da interpretação que é dada ao artigo 13 da Convenção dos Direitos do Homem”, sustenta.
A alternativa foi recorrer ao tribunal europeu, já que o jurista, com 33 anos de profissão, entende que esta “foi a decisão mais injusta” que recebeu num caso, “pela negação da evidência, pela parcialidade com que foram tomadas as decisões na primeira e segunda instância, pelo desrespeito pelo trabalho aturado de ouvir os depoimentos prestados e de nada valeu porque não houve o mínimo respeito” e espera que se consiga fazer no Tribunal Europeu, a justiça que considera que foi negada nos tribunais nacionais e administrativos.
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