EDP recusa indemnizar agricultor vítima de descarga eléctrica

Empresa diz que não há registo da queda do raio nem da ocorrência de avarias naquele dia.

04 set. 2019, 10:13

Este artigo tem mais de um ano

Há cerca de um ano, durante uma trovoada, um raio terá caído num poste da electricidade, em Vilarinho, no concelho de Bragança. Luís Manuel Fernandes, que tem uma exploração de vacas a escassos metros do poste, foi atingido pela descarga eléctrica. Os animais também não foram poupados e, segundo ele, o raio terá sido mal conduzido para o solo já que uns tubos de cobre que lá tinham sido colocados um mês antes, que estavam na direcção do poste e junto ao portão da exploração, estariam enterrados a pouca profundidade. A EDP recomendou-lhe que esperasse algum tempo e depois fosse dando conta das repercussões. “Quando aconteceu o problema mandaram-me ir ao hospital e reportar os factos à medida que os acontecimentos se fossem verificando, já que algumas das vacas atingidas estavam em período de gestação”, começou por assegurar. Luís Manuel Fernandes garante que já fez o que lhe foi recomendado mas até agora ainda ninguém se tinha prontificado a dar-lhe qualquer resposta. “Uma das vacas, em vez de parir, voltou a ficar em cio e a outra pariu um vitelo cego e desequilibrado que, passados dois meses, morreu”.

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Luís Manuel Fernandes, que acredita que o poste é uma verdadeira “ameaça”, em caso de trovoada, refere que nem têm nem ficaram com o conhecimento do “risco” que estão a correr. Assegura que ninguém explicou mais nada sobre o assunto, apesar de técnicos da EDP lá terem estado a verificar o posto. “Falámos com toda a gente e pôs-se o problema à junta de freguesia e à EDP. Disseram-nos que iam fazer alterações e que iam mudar o pára-raios dali, andaram a fazer medições e apenas disseram que estava tudo certo mas nunca mais fizeram nada. Eu tenho a certeza que o cobre, neste momento, não está a mais que 20 ou 30 centímetros abaixo do solo”, disse ainda.

Entretanto, após notícia do impasse na rádio Brigantia, Luís Manuel Fernandes, reportou-nos que ontem a sua mulher terá estado na EDP e finalmente obtiveram uma resposta. A entidade explicou-lhes que não tem comunicação de avarias, referentes ao dia em causa. “Não temos conhecimento de qualquer anomalia na nossa rede que tenha afectado o fornecimento de electricidade à sua instalação, nem comunicações de avaria de outros clientes dessa zona”, diz o documento da EDP entregue à mulher de Luís Manuel Fernandes. Contudo, segundo garantem, o piquete da EDP esteve na aldeia a repor a energia, na noite de 4 de Setembro, poucas horas após a trovoada. Luís Manuel Fernandes diz ainda que o assunto não ficará por aqui até porque há registos telefónicos feitos para a EDP, a reportar o assunto, e tem consigo os documentos referentes ao facto de ter estado no hospital por causa do sucedido.

Luís Manuel Fernandes lamenta também a despreocupação por parte da junta de freguesia de Espinhosela, que tem Vilarinho como anexa. “Toda a gente na freguesia sabia disto mas o único que nunca me perguntou nada foi o presidente da junta”, assegurou. Por sua vez, o presidente em causa, Octávio Reis, assegura que a junta, após a trovoada, fez o que devia e podia fazer e terá assim solicitado à EDP para verificar as condições do PT. Segundo ele, esta entidade esteve no terreno e verificou que tudo estaria em condições.

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Por parte da EDP, até ao fecho desta edição, este jornal ainda não obteve qualquer resposta.

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