Idosos, crianças e doentes crónicos requerem cuidados redobrados com temperaturas altas

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Ter, 29/08/2023 - 10:27


A médica de Saúde Pública da Unidade Local de Saúde do Nordeste, Cristiana Silva, explicou ao Jornal Nordestes os cuidados que devem ter as pessoas mais vulneráveis nos dias de maior calor. Alertou ainda para os sintomas de desidratação e para o Plano de Contingência que está em vigor entre Maio e Setembro. Segundo a revista científica Nature Medicine, no Verão de 2022, morreram, em Portugal, mais de 2200 pessoas devido à onda de calor

Que impacto pode ter as temperaturas altas nas pessoas mais vulneráveis?

Pessoas mais vulneráveis dentro da população temos várias, temos as crianças, os idosos, as grávidas, doentes crónicos, pessoas com mobilidade reduzida e também os trabalhadores de exterior, todos eles têm de ter cuidados redobrados nestas alturas, por causa das ondas de calor e da desidratação.

Que sintomas podem surgir com a desidratação?

As pessoas podem ter uma série de sintomas, visão turva, vómitos, diarreia, inclusivamente perda de consciência já num grau bastante avançado.

Que cuidados se devem ter?

Começamos por ingerir mais água, mesmo que não tenhamos sede convém ingerir água, evitar as bebidas alcoólicas e açucaradas, roupas mais leves, mais frescas, se possível escolher ambientes frescos, climatizados e arejados, em termos de alimentação o que devemos fazer é escolher comidas mais leves, menos condimentadas, menos pesadas, a exposição solar deve ser evitada entre as 11h e as 17h, caso não seja possível deve usar-se chapéu, protector solar e óculos. Devemos, nas habitações, evitar a entrada de calor, portanto, durante o dia fechar as janelas e depois arejar só durante a noite quando está mais fresco. Evitar exercício intensos durante esse período de maior calor.

O aumento do calor aumenta também o índice de mortalidade?

O chamado boletim Ícaro diz-nos qual o efeito do calor na mortalidade e que, por exemplo, na passada quinta-feira, 24 de Agosto, tínhamos um efeito significativo sobre a mortalidade de 61%. São previsões que nos dizem que com o calor é mais provável que aumente a mortalidade.

Esta semana há uma descida das temperaturas, o que significa que este índice diminui…

Sim, aos máximos e mínimos estarem mais reduzidos este índice automaticamente irá descer.

As crianças são também um grupo vulnerável. É também preciso ter um cuidado redobrado?

Sim, sobretudo insistir na toma de água. Tanto nas crianças como nos idosos, porque muitas vezes esquecem-se. Obviamente também usar protector e chapéu. Nesta altura, não é só o calor que é importante, é também importante termos atenção aos afogamentos, em relação às toxi-infecções alimentares, portanto o calor implica que tenhamos mais atenção à forma como acondicionamos os alimentos e também são muito propícios os vectores, mosquitos, carraças, que são possíveis transmissores de doenças. Não é só o calor que requer atenção, mas tudo o que está à volta desta época do ano.

A Saúde Pública elaborou um Plano de Contingência tendo em conta as altas temperaturas. Que plano é este?

O Plano de Contingência das temperaturas extremas, neste caso módulo Verão, que se faz anualmente, que está activo de Maio a Setembro, e tal como todos os planos de contingência o objectivo é ter respostas para actuar caso aconteça alguma coisa. Faz-se a avaliação de risco, que nos é enviado a nível nacional pelo departamento de Saúde Pública e nós depois enviamos para os profissionais de saúde, para depois poderem sensibilizar a população, e enviamos também para os nossos parceiros da comunidade, IPSS, creches, jardins-de-infância, ATL, piscinas, juntas de freguesia, entre outros. Nesse plano tem também as recomendações ou as medidas de prevenção face ao calor, mas também os afogamentos, as infecções toxi-alimentares, mas também em relação aos vectores e depois temos como as instituições, a prestação de serviços, devem estar para que caso aconteça alguma situação como podem resolver, nomeadamente as consultas, os internamentos, tanto a nível de recursos humanos, como de recursos materiais.

Há uma aproximação dos profissionais de saúde à população…

Exactamente. Devemos prevenir antes de as coisas acontecerem. Pretendemos sensibilizar, mas também enviamos o plano para que possa ser mais divulgado. Quem lida directamente com o utente tem acesso a estes alertas.

Nunca é de mais alertar a população para estes cuidados…

Acho que é importante relembrar que estamos num distrito que tem temperaturas muito altas no Verão e muito baixas no Inverno, portanto acho que se prevenirmos todos ganhamos.

Jornalista: 
Ângela Pais