Nun deixes que l llume se apague - Em Miranda do Douro a fogueira do Galo é cada vez mais forte

A tradição da Fogueira do Galo de Miranda do Douro continua a ser o que sempre foi. Talvez mesmo, mais intensa e vivida do que nunca.

28 dez. 2016, 17:07

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São os jovens os grandes protagonistas deste ritual do solstício hiemal. Solteiros, como convém a uma festa que se supõe filiada nas antigas Juvenalia romanas, as festas dos jovens celebradas a 24 de dezembro.

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Pois é neste dia que os rapazes dão por terminados os preparativos da fogueira e concretizam o ritual.

Dirigem-se ao monte, em Palancar, localidade situada a uma légua de distância, para o carregamento de quatro carros de bois com a lenha que já haviam cortado nos dias anteriores. O dia é de trabalho, festa e convívio. A meio da tarde, os carros, movidos pelos próprios rapazes, iniciam a caminhada em direção à cidade. Ramos e troncos de carrasco, resultantes da limpeza das árvores, conferem aos carros as características formas das carradas de lenha de outrora. O esforço despendido é acompanhado por cânticos natalícios, que eles entoam em uníssono, em honra da Virgem e do Menino.

Ao fim da tarde, os carros fazem a sua entrada triunfal na cidade. Todo o povo e muitos visitantes recebem-nos, apinhados ao longo das ruas, até ao largo da Sé; é a apoteose dos heróis da grande fogueira – o ritual mais emblemático do Natal de Miranda do Douro.

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Os rapazes são liderados por uma comissão formada por mais de uma dúzia de mordomos. Estes são escolhidos pelos que, neste dia, cessam funções e anunciados solenemente pelo pároco e empossados durante a missa do Galo. Compete-lhes organizar toda a festa, em todos os seus detalhes e diligências. Para a recolha de fundos, realizam o peditório pelas ruas da cidade, no fim de semana anterior, solenizado pelo grupo dos gaiteiros.

No largo da Sé, constroem a enorme, gigantesca, pirâmide com toda a lenha que para ali acarretaram. Já bem entrada a noite, ateia-se o fogo que, lentamente, vai tomando as proporções da maior fogueira de Natal do País. Muito provavelmente. À hora do início da missa do Galo, uma hora antes da meia-noite de Natal, a fogueira está no seu máximo esplendor de luz e calor.

À saída, todo o povo se reúne ao redor dessa solsticial fogueira, em amena convivência, prolongada pela noite adentro; três dias passaram sobre o solstício de dezembro que marca o início do inverno; três dias, após os quais os jovens celebram a sua antiga festa desde a Antiguidade romana e pagã – as Juvenalia; três dias após os quais os jovens cristãos desta céltica e zoela região continuam a celebrar o solstício, agora em honra do novo Sol – o Deus Menino.

A fogueira do Galo (da madrugada, a hora a que o galo canta), ateada no início da noite de 24 de dezembro, permanecerá viva e luminosa pela madrugada do dia de Natal e pelos dias seguintes até ao raiar do Novo Ano.

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