Workshop de pão propôs práticas inovadoras

Centro de Investigação de Montanha deu a conhecer investigações na área da inovação que podem ser aplicadas na produção de pão.

19 fev. 2020, 17:58

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Aliar a inovação à tradição foi o objectivo de um workshop de pão, que aconteceu neste fim-de-semana, em Bragança. O Centro de Investigação de Montanha, do Instituto Politécnico de Bragança, tem vindo a desenvolver investigações no âmbito da inovação e, com a ajuda da Associação Nordeste Global, quis dar a conhecer o trabalho do centro e mostrar às pessoas e empresas que já é possível fazer pão transmontano com inovação, nomeadamente com a utilização de outros produtos da região e conservantes naturais.

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Úrsula Gonzales, investigadora do CIMO, considera que o pão transmontano é de “boa qualidade”, com a crosta “dura” e “crocante”, o que o torna apelativo, no entanto deve ser consumido em poucos dias, porque tem pouca durabilidade. “O que mais se desperdiça no mundo é o pão e nós estamos focados em aumentar a durabilidade do pão em mais dois ou três dias”, disse.

A investigadora explicou ainda que o workshop serviu para “mudar mentalidades”. “As pessoas consideram que um pão que dura pouco é são enquanto o pão de forma, disseram-me que podiam ficar doentes com ele. Isso não é bem assim”.

Mas se, por um lado, alguns consideraram que a inovação deve ser aplicada no pão transmontano, como foi o caso de Letícia Bortolussi, estudante do IPB, outros, como Elisa Figueiredo, não têm a mesma opinião.

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“Eu faço pão e vim ver se fazem igual a mim ou fazem diferente, para tirar ideias”, começou por dizer Elisa Figueira, que já coze pão há 11 anos. No entanto, considerou que as ideias apresentadas não se aplicam ao pão que produz. “O meu pão é só água, sal, farinha e o fermento sou eu que faço, só junto um pouco de fermento industrial. Eu acho que o que estão a ensinar é mais para a indústria”, frisou.

Por outro lado, Letícia Bostolussi acredita que devem ser aplicados produtos inovadores no pão, como os conservantes naturais.

A área da panificação deve ser melhorada, segundo Vasco Lopes, presidente da Associação Nordeste Global. Por isso, considerou importante a realização do workshop, visto que os “factores distintivos da inovação podem permitir diferenciação” e, consequentemente, ser “uma mais-valia para o produto”.

Isabel Ferreira, secretária de Estado da Valorização do Interior, em tempos coordenadora do CIMO, marcou presença na sessão de encerramento e realçou que a iniciativa foi um “excelente exemplo de como se pode juntar a tradição à inovação” e contribuir, dessa forma, para a “valorização do interior”. “Arte e tradição com espaço para a inovação” foi o slogan do workshop, composto por uma sessão teórica e uma sessão prática.

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