Associações de agricultores e autarcas querem que agricultura continue a ser gerida a partir de Mirandela

Paulo Ramalho, vereador do município da Maia, foi nomeado pelo ministro da Agricultura para gerir a antiga Direção regional de Agricultura e Pescas do Norte, sediada em Mirandela, e que passou a designar-se Unidade Orgânica Regional, desde que foi integrada na Comissão de Coordenação e Desenvolvimen

21 jan. 2025, 10:51

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No entanto, ainda não se sabe se vai fazer a gestão da agricultura a partir de Mirandela ou a partir do Porto. As associações de agricultores e também autarcas admitem que preferiam que o cargo fosse assumido por uma pessoa da região, contudo, aguardam com “expectativa” o trabalho que vai desenvolver, fazendo algumas críticas.

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O presidente da AFUVOPA (Associação de Fruticultores, Olivicultores e Viticultores do Planalto de Ansiães), Luís Vila Real admite que gostaria que tivesse sido escolhido “uma pessoa mais ligada ao Interior”, porque “tinha um conhecimento mais direto da realidade e das especificidades da agricultura do Interior”, apontando as “enormes” dificuldades que o setor tem vindo atravessar, devido ao aumento “exponencial” dos custos de produção e às dificuldades de comercialização que “condicionam” o rendimento do agricultor. Ainda assim, a AFUVOPA aguarda com “expectativa” as funções que vão ser desempenhadas e acham que é “positivo” haver uma tutela do Ministério da Agricultura na região Norte. “Se foi designado para esse cargo tem de estar à altura das funções que lhe compete. Vamos ver qual vai ser o desempenhado, qual vai ser a defesa das especificidades da agricultura do Norte. Há muito a fazer”, vincou. Também a APPITAD (Associação dos Produtores em Proteção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro) defende que Paulo Ramalho deve estar perto dos agricultores e das suas organizações. “É importante que o vice-presidente esteja junto dos agricultores que estão espalhados por toda a região e esperamos que Mirandela seja o sítio onde o vice-presidente esteja muito mais vezes, porque era onde estava a DRAP Norte”, salientou o presidente da associação. Francisco Pavão admite que preferia que o cargo fosse assumido por um transmontano, no entanto, vinca que o vice-presidente ser residente da Maia “não vai impedir” que o trabalho seja feito, acreditando que será dada uma nova dinâmica ao setor da agricultura. “Conseguimos que o vice-presidente da Agricultura tivesse diretamente o ministro e, portanto, estamos esperançados que haja uma dinâmica maior e, sobretudo, que haja uma grande proximidade com o movimento agrícola da região”, frisou. Contactámos também a CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal) que preferiu não comentar a nomeação, dizendo apenas que está com “expectativa” em relação às funções que Paulo Ramalho vai desempenhar, acrescentando que o assunto será abordado nos próximos Conselhos Regionais. Também a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes está “expectante”, salientando que a solução nunca passará por sedear “tudo em torno do Litoral, nomeadamente no Porto”. Por isso, tendo com conta as conversações que têm vindo a ser feitas com a CCDR (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional), o presidente da CIM, Pedro Lima, acredita que a gestão da agricultura continuará a ser feita a partir de Mirandela, onde estava a DRAP Norte, agora designada Entidade Orgânica. “Eu acredito que os acordos são para respeitar e Mirandela deverá manter a coordenação da agricultura, como tem vindo a manter ao longo de tantos anos”, frisou. Ainda assim, o autarca não poupou as críticas ao poder central, por estar a “abandonar o território”, que “já não tem quase uma presença do Estado” e, por isso, seria “muito significativo” perder também a gestão da agricultura a partir de Trás-os-Montes. Quem também foi muito crítica em relação ao processo foi a presidente do município Mirandela. Júlia Rodrigues apontou o dedo ao atual Governo, porque não conseguiu reverter a integração da DRAP Norte na CCDR-N. Esta integração foi feita pelo Governo socialista, da mesma cor do partido de Júlia Rodrigues, que iria dar total responsabilidade à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional para comandar a agricultura na região. No entanto, o atual Governo social-democrata reverteu esta situação e decidiu que o Ministério da Agricultura iria nomear um vice-presidente, mantendo assim os agricultores próximos da tutela. Ainda assim, Júlia Rodrigues diz que Luís Montenegro e o Governo “defraudaram de certa forma as expectativas de todos os mirandelenses e transmontanos, porque a coesão faz-se também por princípios e simbolismos que neste momento não foram tidos em conta e isso foi, infelizmente, uma derrota grande para este Governo”. Paulo Ramalho foi nomeado vice-presidente da CCDR para a coordenação da tutela da Agricultura no passado dia 9 de janeiro. Além de vereador no município da Maia, foi também deputado do PSD na Assembleia da República, onde chegou a assumir o cargo de coordenador da Comissão de Agricultura e Mar.

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