Plano de insolvência da Sousacamp vai a votos no dia 19 de fevereiro

Vai ser conhecido a 19 de Fevereiro, no Tribunal de Vila Flor, o resultado da votação do plano de insolvência do grupo Sousacamp, a maior produtora de cogumelos do país, com sede em Benlhevai, Vila Flor.

05 fev. 2020, 10:54

Este artigo tem mais de um ano

O Tribunal de Vila Flor acolheu, na semana passada, a sessão na qual deveria ter ocorrido a análise e votação da proposta para viabilizar o grupo, adquirido em dezembro pela gestora de capital de risco CoRe Equity.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

No entanto, no final da reunião, José Eduardo Andrade, do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Industrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal, explicou que o administrador da insolvência se “apresentou logo desde o início a pedir o adiamento da votação”. Segundo disse, “invocou que ainda haveria umas arestas a limar à proposta”. O administrador “nunca explicou que arestas eram essas” e tampouco se falou da situação dos trabalhadores que poderão ser dispensados. O despedimento era, de resto, o assunto que mais interessava ao sindicato e à meia centena de trabalhadores da fábrica de Paredes que se deslocaram a Vila Flor, para protestar à porta do tribunal contra o que dizem ser um processo injusto.

O plano de insolvência prevê a saída de 90 trabalhadores da empresa de Paredes do grupo Sousacamp. Entre elas, Leonor Martins, que trabalha lá há 12 anos. “Querem propor-nos um mútuo acordo, mas nós não queremos”, sublinhou, para além de também não concordarem com as condições oferecidas para que possam usufruir do subsídio de desemprego. “Se nos querem despedir têm de fazê-lo de forma justa”, sentenciou.

José Eduardo Andrade acrescentou que também ficou descontente com a pressão que está a ser feita sobre os empregados. “Pelos vistos a senhora juíza estava farta de ouvir as trabalhadoras e deixou entender que tinham de ter em conta a situação da empresa, porque se não for aprovada uma proposta de recuperação a empresa vai ser vendida e elas vão todas para o olho da rua”. “Isto não é digno de um tribunal de direito”, frisou.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Segundo disse, sindicato e trabalhadores “são a favor de uma proposta de recuperação”, mas entende que “deve passar pela manutenção da totalidade dos postos de trabalho”. José Eduardo Andrade assegurou que “o que abala a saúde financeira da empresa não são os 90 trabalhadores, mas sim as decisões erradas do capital”.

O emagrecimento previsto para a fábrica de Paredes resulta de uma reorganização industrial, que passa por suspender a produção naquela unidade e concentrá-la nas de Benlhevai e de Vila Real.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR