As expectativas para produção de castanha não são as melhores. A principal causa está na falta de água que se faz sentir, fazendo com que haja uma diminuição deste produto. Esta é a opinião de Paulo Hermenegildo, presidente da Confraria Ibérica da Castanha, em declarações numa visita de 35 alunos de Salamanca à aldeia de Parâmio, em Bragança e aos soutos centenários que ali se encontram, que teve lugar no sábado passado.
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A quantidade da castanha não será muita, mas a que houver será de boa qualidade, isto por causa do diâmetro que os ouriços já apresentam, apesar da apanha do fruto seco estar atrasada em duas semanas.
“A apanha da castanha este ano está algo atrasada e o tempo não tem ajudado, apesar de eu dizer que ainda é muito cedo para ser fazer uma estimativa. Não se auguram boas expectativas porque o ano tem sindo muito atípico com muitas amplitudes térmicas e pouca água ou por vezes nenhuma. E isso vai fazer com toda a certeza fazer com que haja uma diminuição da qualidade, como da quantidade. Além de estar atrasada, a falta de água poderá significar uma diminuição de produção”, referiu Paulo Hermenegildo.
Também o presidente da junta de freguesia do Parâmio, Nuno Diz, salientou ser importante chover para o aumento de produção do fruto seco. “Para este ano, talvez a quantidade não seja muita, mas se chover seja razoavelmente boa. Do que se tem visto nos ouriços que se têm aberto, a castanha tem um calibre bom mas estamos a precisar de uma chuva, como todos ansiamos”, explicou o presidente da junta de freguesia de Parâmio, que acompanhou a visita dos alunos espanhóis. Na sexta-feira e no sábado, 35 estudantes de licenciatura e pós-graduações em sociologia, geografia e engenharia agrícola da Universidade de Salamanca visitaram alguns pontos do Parque Natural do Douro Internacional e do Parque Natural do Montesinho.
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Um dos professores que acompanhou a visita foi Luís Mínguez. “Esta visita faz parte de aulas práticas uma vez que é difícil transmitir determinados conhecimentos nas aulas e por isso procuramos territórios mais próximos, como é o caso de Trás-os-Montes. Estamos a estudar várias disciplinas. A principal é o ordenamento, gestão e planificação do território. Os alunos que aqui trazemos estudam áreas diversas como as paisagens agrárias, as actividades turísticas e outros estudam as populações locais, e este é um exemplo. O objectivo é perceber como se sentem as populações e como vêm os instrumentos de gestão, como a declaração de Parque Natural. Pala além disso, visitamos o douro e analisamos as diferenças entre as duas áreas naturais”, disse Luís Mínguez.
Um dos alunos presentes foi Pascal Ross, alemão, que está no programa Eramus. “É verdade que há aqui pouca gente e a que existe é mais envelhecida e é muito diferente da realidade de onde em venho da Alemanha. Um dos comentários que ouvi, do meu professor é que existe a aplicação de fundos estruturais da Comunidade Europeia, mas chegando aqui não vemos essa aplicação reflectida no território”, comentou o aluno.
Para além de alunos espanhóis, eram de várias nacionalidades os estudantes que estiveram de visita à região, nomeadamente alemães, italianos, franceses, finlandeses e um japonês. A visita terminou na aldeia de Rio de Onor, uma das 7 Aldeias Maravilha de Portugal.
“Estes alunos vêm conhecer a região e promovê-la além das fronteiras. Pode ser que um dia voltem”, concluiu Nuno Diz.
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