Empresas de produção de eventos e pirotécnica com quebras de facturação de 70%

Ter, 05/01/2021 - 11:52


Há empresas que estão sem trabalhar desde Março, quando a pandemia chegou ao nosso país

A Agência 3, uma empresa de produção de eventos, em Bragança, é um desses casos. O proprietário, Nélson Lopes, disse terem sido cancelados cerca de 100 eventos que tinha programado. Devido a isso, está sem vencimento desde Março. “Principalmente, na nossa região, grande parte dos eventos são realizados entre Junho e Setembro. Cerca de 70 a 80% é no mês de Agosto. Mesmo no Inverno, na nossa região, também há festas e este ano não se fez mesmo nada”, referiu. Nestas condições, Nélson Lopes admitiu que não é “nada fácil” manter o negócio, visto que as despesas, nomeadamente os impostos, seguros e renda, se mantêm, mas os apoios são reduzidos. “Tivemos um apoio da câmara municipal, que foi cerca de mil e poucos euros. Candidatámo-nos ao Apoiar. pt e estamos à espera de uma resposta. Esses pequenos apoios são sempre bons, mas é uma gota no oceano, não dá para cobrir os prejuízos”, salientou. O empresário disse sentir uma grande falta de apoio do Governo e contou conhecer casos de empresas que estão na mesma situação e com colaboradores a passarem muitas dificuldades económicas. Se em 2019 conseguiu facturar mais de 200 mil euros, em 2020 referiu não ter ganho nada. Teme que se as coisas continuarem assim terá que fechar portas. “Espero bem que a partir de meados deste ano possamos fazer qualquer coisa, para não desanimar e para não termos que mudar de vida”, referiu, acrescentando que, neste momento, está a viver com algumas economias. E se os eventos foram cancelados, também o fogo-de-artifício, que era uma das principais atracções, ficou por vender. José Brás é revendedor pirotécnico e contou que, este ano, não facturou dezenas de milhares de euros. “No fim do ano houve uma diferença muito grande, relativamente aos outros anos. O negócio a nível de pirotecnia não tem nada a ver, houve uma quebra de 70%. No Verão, já não falo de 500 ou 1000 euros a menos, foi 20 ou 30 mil euros ajustado para festas e não houve nada”, referiu. Tendo em conta que a passagem de ano também não se pôde realizar nos restaurantes, foram até os particulares que compraram mais fogo-de-artifício. Porém, José Brás apontou que a quantidade e o custo não são comparáveis. “O particular se gastar 50 ou 60 euros já depende da pessoa. De resto é baterias de 20, 25 ou 30 euros, enquanto o ano passado houve restaurantes que compraram aos 300 a 400 euros ou até mais”. Apesar do cenário, o empresário acredita que a partir de Maio ou Junho as coisas irão melhorar.

Jornalista: 
Ângela Pais