Restaurantes abriram na passagem de ano mas sem festejos devido às restrições

Ter, 05/01/2021 - 11:50


Nem as restrições impostas pelo Governo, para a noite da passagem de ano, fizeram os proprietários de alguns restaurantes, de Bragança, baixar os braços.

Às 22:30h os estabelecimentos já teriam que estar fechados, o que não permitiu que fossem feitos festejos. Esta era uma das alturas do ano que permitia que os restaurantes facturassem mais do que habitual, facto que a pandemia veio alterar. No restaurante Dona Florinda chegou a haver desmarcações mas, ainda assim, foi possível trabalhar para pagar as despesas. “Felizmente acabei por ter algumas mesas, não tantas quanto as que gostaria, mas deu para trabalhar, quase para as despesas, e termos uma porta aberta”, disse o proprietário. Jorge Morais afirmou que, com a impossibilidade de abrir ao fim-de-semana e de receber clientes, há muito dinheiro que não é facturado. O receio das pessoas também disse ser outro dos factores que não tem ajudado o sector. “O nosso fim-de-semana era muito forte, desde quinta-feira, sexta, sábado e domingo, quatro dias bastante bons. Os clientes costumavam entrar ao meio dia e meia, mas se temos que fechar à uma é impossível ter clientes, nem sequer abrimos. Não vale a pena fazer a mecânica toda da abertura para depois fecharmos à uma”, referiu. Apesar dos prejuízos e do “jogo de cintura de carteira”, ainda não fez despedimentos. “Nós conseguimos manter a equipa, com algum trabalho, tentar ter as contas equilibradas para que as pessoas trabalhem, as contas serem pagas, ir ao banco buscar algum dinheiro, manter uma conta em aberto para poder pagar aquilo que nos comprometemos pagar e conseguir ter as contas equilibradas”. A empresária Rosa Veiga também se recusa a baixar os braços, apesar de admitir que tem sido muito difícil gerir o negócio, principalmente com as restrições ao fim- -de-semana. “Vou continuar a abrir, apesar de estar consciente de que vêm só duas ou três pessoas para almoçar ou vêm buscar o almoço. Claro que dois meses é demasiado tempo, é cansativo, é saturante, é difícil de organizar com o pessoal. Às vezes não dá mesmo vontade de levantar cedo, abrir uma casa, de preparar as coisas estando consciente que à uma da tarde acabou tudo”, contou. Também no dia da passagem de ano, o restaurante Rosina, do qual é proprietária, esteve aberto. As mesas ocupadas eram poucas e os festejos reduzidos. O take-away permitiu ter alguns ganhos, mas Rosa Veiga disse ser impossível comparar a facturação de 2020 com a de 2019. “Se for a pensar que tínhamos a pista do gelo logo aqui atrás (do restaurante), a cidade de Bragança enchia-se de portugueses, espanhóis e emigrantes que vinham ver os familiares, portanto o mês de Dezembro chega a ser quase melhor que o mês de Agosto. Sentia-se a alegria do Natal e as pessoas com vontade de gastar e de se divertirem”, referiu, salientando que, este ano, a noite de passagem de ano acabou por ser “uma noite normal” de trabalho. A empresária considera que as pessoas deixaram de ir ao restaurante com receio de ficarem infectadas e, consequentemente, infectarem familiares mais idosos, mas também com receio de gastarem dinheiro. “Isto é tudo uma cadeia. Se nós não trabalharmos, acabam por não trabalhar também os fornecedores e os produtores, então acaba por tocar a economia em geral. As pessoas têm menos dinheiro, estão mais apreensivas e têm medo de gastar”. O restaurante Bela Época tem uma sala capaz de receber 100 pessoas. Este ano, este número ficou muito aquém. Tendo em conta a situação, Rui Veiga, proprietário do estabelecimento, disse também não querer praticar os preços habituais de uma noite de passagem de ano. “Não tive prejuízo, mas deixei de ganhar mais algum. É uma diferença grande levarmos 50 ou 60 euros por pessoa e, este ano, nem chegou a 20 euros por cabeça”, referiu. Proprietário também do restaurante Sandwich, em Bragança, falou que o take-away tem ajudado a ganhar algum dinheiro ao fim-de-semana. Já o Bela Época está fechado ao sábado e ao domingo. “Para mim é péssimo, porque ao fim-de-semana, no Bela Época é daquelas alturas que dá para ter mais alguma clientela. Tínhamos muitos espanhóis que agora não temos. Eram os dias em que se podia trabalhar bem”. Apesar de tudo, Rui Veiga salientou que sempre que possa, terá as portas abertas. “Em qualquer oportunidade que possa estar aberto, eu vou estar”.

Jornalista: 
Ângela Pais