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Hipoglicemia no diabético

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A diabetes mellitus é uma doença crónica cada vez mais frequente no mundo ocidental, atingindo ambos os sexos e todas as idades, embora a sua prevalência aumente muito com a idade.
A hipoglicemia é uma das mais frequentes complicações do tratamento da diabetes mellitus. A hipoglicemia, de acordo com o Grupo de Trabalho na Hipoglicemia da Sociedade Americana de Diabetes (American Diabetes Association), define-se como qualquer episódio em que se regista uma glicemia (quantidade de açúcar no sangue) anormalmente baixa, que expõe o doente a um risco potencial. Geralmente considera-se uma hipoglicemia quando o valor de glicemia é abaixo de 70mg/dl.
O cérebro é especialmente sensível aos valores baixos de açúcar, porque a glicose é a sua principal fonte de energia. De facto, o cérebro apenas utiliza glicose como fonte de energia. Se a concentração de glicose se situa em valores demasiado baixos, o funcionamento do cérebro pode ficar muito prejudicado.

Quais as principais causas da hipoglicemia?
A maior parte dos casos de hipoglicemia no diabético estão relacionados com erros na administração da medicação oral ou excesso de insulina.
Outras causas comuns de hipoglicemia são:
- Erros na alimentação (passar várias horas sem comer ou ingerir quantidades insuficientes de hidratos de carbono);
- Excesso de exercício físico sem suporte alimentar;
- Consumo de álcool em excesso e/ou fora das refeições.

Como se manifesta a hipoglicemia?
A sintomatologia da hipoglicemia não é específica e o desenvolvimento de cada uma delas não ocorre em valores definidos de glicemia, podendo variar de pessoa para pessoa, entre episódios no mesmo doente e por vezes pode ser assintomática (não ter sintomas).
A sintomatologia mais frequente é a sensação de fraqueza/fome, tonturas, dores de cabeça, palidez, suores, tremores, aumento dos batimentos cardíacos/palpitações, alterações visuais, sonolência/sensação de desmaio, transpiração acentuada, confusão mental, irritabilidade, agitação, dificuldade na concentração e desmaio/coma.

Como se diagnostica a hipoglicemia?
A hipoglicemia em regra está associada a sintomatologia típica, mas por vezes pode não ter sintomas e ser detetada apenas com a medição da glicemia.

Como se trata a hipoglicemia?
O tratamento da hipoglicemia baseia-se nos seguintes passos:
1º Passo: Ingerir de 10 a 15 gramas de açúcar (e não de outro alimento, pois o açúcar tem uma absorção extremamente rápida) misturado numa pequena quantidade de água de maneira a obter uma “papa”.
2º Passo: Repetir a pesquisa de glicemia 3 a 5 minutos após a ingestão de açúcar.
3º Passo: Se os valores ainda não estiverem dentro dos valores normais deve-se repetir o primeiro passo até estabilizar a glicemia.
4º Passo: Após a estabilização, dentro de 10 a 15 minutos deve-se fazer uma refeição rica em hidratos de carbono de absorção lenta, como pão, massas, bolachas de água e sal ou tostas.
No caso de uma hipoglicemia grave, com agitação, alteração do estado de consciência ou inconsciência, a ajuda tem de vir de terceiros e passa por deitar o paciente de lado, fazer e colocar no interior da bochecha uma papa de açúcar, se disponível administrar glucagon (hormona produzida pelo pâncreas) por via intramuscular ou subcutânea e contactar o INEM (112).

Como se previne a hipoglicemia?
A prevenção da hipoglicemia passa por um conjunto de medidas que abrangem o doente, os seus familiares e os profissionais de saúde. Estas medidas incluem a individualização do tratamento, a vigilância da glicemia ao longo do dia, a educação dos doentes e familiares no que se refere a causas e manifestação clínica da hipoglicemia, a alimentação e o exercício físico.

Nota: Os doentes com tendência para a hipoglicemia devem trazer uma identificação de alerta para informar os profissionais de saúde sobre o seu problema de saúde.

Dra. Mónica Bagueixa
Médica Especialista em Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde de Miranda do Douro da Unidade Local de Saúde do Nordeste