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Médicos ortopedistas de Bragança em campanha no Algarve - Eles trabalham no tempo que deveriam desfrutar de férias e da sua família

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O  título deste artigo corresponde ao Jornal Nordeste, de 19 de Julho. Surpreendeu a algumas pessoas e parece ser que indignou a outras.
São muitos os doentes do nordeste transmontano que consideram que a medicina que se faz na ULSNE é pior que a que das capitais mais importantes como Porto, Coimbra, Lisboa, ... A prática demonstra o contrário.
Muita gente, muitos médicos a «tempo parcial» não são indicadores de eficácia e bom fazer. E, nesta ocasião em que o Sr. Ministro da Saúde visitou Macedo de Cavaleiros, ao verificar a boa organização do Serviço de Ortopedia, quer pelo bem-fazer, quer pela eficácia, solicitou ajuda para tentar resolver uma «emergência nacional» no Algarve e disse que ficaria em favor se tal se concretizasse...
A mobilidade médica está prevista por despacho ministerial desde o Governo de Passos Coelho. O atual Ministro da Saúde apenas se limitou a pô-lo em prática, clarificando que se aplica apenas nos meses de junho a setembro do corrente ano. Essa opção está aberta a todos os médicos dos Hospitais Públicos Portugueses. Ser generoso e solidário, ou não, depende de cada um! No caso do Serviço de Ortopedia da ULSNE a proposta de mobilidade foi apresentada e discutida com o Presidente do Conselho de Administração, o Diretor do Serviço e todos os médicos ortopedistas, de modo a causar o menor desarranjo possível na programação anual das atividades previstas, ficando assegurado o normal funcionamento do serviço e sem penalização do mesmo.
O Algarve para todos nos é familiar como região onde os ricos vão navegar e apanhar sol, mas também há pessoas que vivem ali todo o ano e outras não tão ricas que fazem férias na zona, pelo que durante o período de verão a sua população vê-se muito aumentada. Como não são apenas os ricos os que se põem enfermos e há que atender a todo o mundo, os doentes da zona têm que ser desviados para hospitais privados ou longínquos como os de Lisboa, com o inerente gasto para o Estado, isto é, para todos os que pagamos impostos. Este ano há previsão de um aumento do 25% do número de turistas, o que corresponde a cerca de 2,5 milhões de pessoas, que deixarão importantes divisas no nosso país. Houve «críticas políticas» a esta medida argumentando que ficava desatendido o serviço em Bragança por ir cobrir zonas com melhores condições. E quando os médicos vão de férias ou assistem a congressos, por que ninguém se queixa do desatendi mento no hospital? Pois porque os profissionais da medicina são responsáveis e não deixam o serviço sem resposta. Neste momento também não acontece.
Afirmou-se que não é justo que uma «zona desfavorecida» desde Lisboa tenha que ceder médicos a outra melhor situada. Estes críticos apenas se deram conta deste problema agora? Quanto farisaísmo! Se o Serviço de Ortopedia de Bragança está em condições de colaborar e fica perfeitamente atendido não se pode ajudar? É proibido ser solidário? Injustamente criticam-se os médicos que «fazem a campanha» porque consideram que se vão é porque lhes pagam bem. Que opinem assim deputados, que passam a vida na Assembleia da República cobrando ordenados elevados e ajudas de custo por fazer um trabalho nem sempre quantificado, é incrível. Um deputado quando sai do seu labor nem sempre se preocupa com as necessidades dos seus eleitores, enquanto o médico deixa ficar o doente no hospital, mas os problemas e a responsabilidade vão com ele para casa e o telemóvel não se desliga. Se é tão interessante desde o ponto de vista económico por que é que apenas 6 médicos da ULSNE se disponibilizaram para fazer este serviço, saindo da sua zona de conforto, e alguns renunciando à sua clínica privada? Além disto, estes médicos «em campanha» fazem o trabalho no tempo que deveriam desfrutar da sua família e das férias. Acham que há dinheiro que possa pagar isso? Vocações como as de médico ou de professor não se pagam com uns tostões! O pagamento a estes profissionais é feito no cumprimento rigoroso, e transparente, de acordo com as mesmas normas e implicações legais (% impostos) a que estão sujeitos na ULSNE e só olhos malévolos daqueles que vem nos outros o que eles próprios tem de pior poderão pensar que são movidos por «contratos fabulosos» para este trabalho.

F. Xavier Martins
Médico ortopedista