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Contos e Lendas das Terras de Vimioso - Património Imaterial da Aldeia de Pinelo

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Ter, 14/09/2021 - 09:27


Nesta obra apresenta-se o produto da recolha, sobre o património imaterial da aldeia de Pinelo, em três domínios em que oralidade adquire o papel predominante: os contos e lendas populares, as alcunhas e o dicionário regional. O campo de estudo está geograficamente circunscrito ao concelho de Vimioso, ao século XX como tempo histórico e à memória dos homens como fonte principal. A literatura oral fundamentava-se na tradição e renova-se com os dados da vida quotidiana, para deste modo alimentar o convívio da gente, em volta da lareira, na taberna e em outros locais públicos mais frequentados. Era também um refúgio tantas vezes procurado para aligeirar as agruras e dureza do trabalho agrícola, nas ceifas, vendimas, trilhas e mondas. Era nesses convívios, e trabalhos agrícolas, que se recorria aos contos, aos ditos e ditados novelescos, para entreter para instruir, corrigir, e para aproximar as gentes, através do riso ou da reflexão.
No tempo histórico destas citações populares é necessariamente um tempo longo e de difícil datação. Contudo, os contos e lendas recolhidos referem estruturas socias, económicas e culturais que eram características do século XX nas aldeias do Nordeste Transmontano. Ou seja, estas criações constituem também um elo importante para perpetuar a memória das comunidades rurais, mais uma peça do Puzzle para conseguir a história de gentes que ainda viviam no predomínio da oralidade. Neste facto reside a importância história que atribuímos a este trabalho, que continua a tradição positivista e romântica dos nossos grandes mestres da cultura popular.
 

Hoje resolvi apresentar-vos o livro, Contos e Lendas de Terras de Vimioso, Património Imaterial da Aldeia de Pinelo, de Francisco Vaz um filho da terra de Pinelo. É um livro que já li, e aconselho a todos. Além da bibliografia, um resumo desta obra e uma história, “A Licença para o Isqueiro”.
Francisco António Lourenço Vaz nasceu em Pinelo em 1955, é professor do Departamento de História da Universidade de Évora. É licenciado em História pela Universidade do Porto, Mestre em História Cultural e Política pela Universidade pela Universidade Nova de Lisboa, Doutor em História da Cultura Moderna e Contemporânea, pela Universidade de Évora. Entre as obras que publicou destacam-se:
Pinelo- Economia da Natureza e Cultura Popular (2002)
Instrução e Economia. Ideias Económicas no Discurso da Ilustração Portuguesa (2002)
O Saque de Évora Pelos Franceses em 1808. Textos Históricos (2008)
Os Livros e as Bibliotecas no Espólio de D. Frei Manuel do Cenáculo (2009)
D. Frei Manuel do Cenáculo – Ilustrações Pastorais, Projectos de Bibliotecas e Diário (2009)
A Grande Guerra em Moçambique – O Diário do Tenente Frederico Marinho Falcão (2018).
 

A licença para o isqueiro 
Esta história aconteceu a um homem de Pinelo, de alcunha “O Plucho”, que um dia foi até Espanha, que o mesmo é dizer à aldeia de Vilarinho. Apesar de não ser fumador, comprou um isqueiro e um maço de cigarros para depois distribuir pelos amigos. Foi no tempo do Salazar, aí por volta de 1960 e nessa altura era necessário tirar uma licença para usar isqueiro. Vinha o homem descansado e já depois de passar a raia na serra, ali próximo de Felgueiras e deu-lhe para experimentar o isqueiro. Puxou de um cigarro e acendeu o isqueiro. Ora como a zona era vigiada pelos guardas-fiscais da Quinta de Vale de Pena, não tardou nada que lhe saíssem dois guardas, perguntando-lhe pela licença do isqueiro. Como “o Plucho” não tinha licença levaram-no para a esquadra e aí foi multado em 300$00 escudos, que nessa época era uma fortuna. Ficou-lhe assim cara a novidade e a vontade de fumar.

Esta história foi contada por António Vaz, Pinelo
(Vimioso), em 05/08/2004