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Brigantino nomeado embaixador Spartan Race em Portugal

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Qua, 13/05/2020 - 22:09


Bruno Faria há cerca de um ano que entrou no universo das corridas de obstáculos e é um dos dez embaixadores Spartan Race em Portugal. A viver em Inglaterra, o brigantino, de 40 anos, prepara-se para participar no Campeonato do Mundo, na Grécia.

 

- Quando começou o teu gosto pelas corridas de obstáculos? 

O meu gosto pela actividade já tem alguns anos. Desde que emigrei para Londres que comecei a ver e seguir algumas páginas nas redes sociais. Até que, em Dezembro de 2018, decidi inscrever-me numa corrida Spartan que seria sete meses depois. Naquele momento da minha vida precisava realmente de algo bom e desafiante. Comecei a preparar-me fisicamente sem saber ao certo a exigência da prova.

 

- Há quanto tempo participas nestas provas? 

A primeira prova foi em julho de 2019. Foi a Spartan Sprint em Midlands, no centro de Inglaterra. Foram cerca de 6 kms e 20 obstáculos. A prova correu bem, no entanto a ansiedade pela estreia era muita. Era um desafio novo no desconhecido.

 

- Para quem não está familiarizado com esta modalidade do que se trata? 

Este tipo de provas tem uma enorme exigência física e mental. O espírito de camaradagem é fantástico. É uma mistura de corrida com obstáculos. Muita corrida por trilhos, carregar com pesos, baldes e sacos de areia, correntes de ferro, rastejar por baixo de arame farpado, seja relva ou lama, obstáculos de corpo suspenso como barras e argolas, trepar quatro metros em altura uma corda, subir paredes sendo que algumas delas têm mais de dois metros de altura. 

 

- Que tipo de preparação fazes para cada prova?

Neste momento e devido à situação da Covid-19 consigo treinar umas 12 horas semanais. Estou a fazer dois treinos diários. Um de corrida e outro de circuitos em casa seguindo o plano que me é enviado pelo meu treinador, Marco Pires, que está a acompanhar o meu percurso desde a primeira prova.  

 

- Estás a preparar-te para o mundial. Estamos a falar de provas com quantos participantes? Qual o grau de exigência? 

Sim, estou qualificado para o Campeonato do Mundo de 2020 a realizar em Novembro, na Grécia, mais precisamente em Sparta. Já me tinha qualificado em 2019, mas como a qualificação foi apenas conseguida três semanas antes da data de realização do mesmo, a logística era difícil e extremamente cara. Este ano já tenho tudo tratado a nível logístico. Normalmente, há provas Spartan todos os fins-de-semana espalhadas por todo mundo. Arrisco-me a dizer que serão cerca de 250 mil atletas nas provas Spartan a nível mundial. Ao nível da exigência temos quatro provas diferentes: SPRINT de 5kms + 20 obstáculos, STADION de 5kms + 20 Obstáculos dentro de um estádio, SUPER de 10kms (eram 13kms em 2019) + 25 obstáculos, Beast de 21kms + 30 obstáculos e a ULTRA de 50kms + 60 obstáculos. Em todas elas há três níveis de exigência individual: OPEN aberto a todos, AGE Group onde a competição é directa com adversários na mesma idade com partidas de 15 elementos e ELITE que é onde estão os melhores do mundo.  

 

- Das provas em que já participaste qual foi a mais difícil? 

Eu já participei na SPRINT em Midlands, SUPER em Paris, BEAST em Windsor e na STADION em Londres. A mais difícil de terminar foi a SUPER em Paris. Tinha feito o ZOELAE Trail em Agosto, em Bragança, e contrai uma lesão. Fiz a prova três semanas depois sem treinar. Foi muito difícil chegar ao fim. A que mais gostei foi a de BEAST de Windsor. Terrivelmente fantástica. A partir dos 15 kms já só queria ver a meta. Foram quase quatro horas de prova em lama.

 

- Quais a próximas provas em que vais participar e onde? 

Com as alterações ao calendário apenas tenho agendada para Setembro a SUPER em Paris, um fim de semana TRIFECTA (são as três provas SPRINT, SUPER e BEAST num só fim de semana - serão perto de 40kms em 2 dias) em Outubro, o Campeonato do Mundo, também ele TRIFECTA em Novembro e a Spartan STADION em Dezembro. Pode ser que ainda faça mais uma ou outra, mas vai depender das datas.

 

Bruno Faria é embaixador Spartan Race

 

- Foste nomeado embaixador do Spartan Race. Que significado tem para ti e qual o papel de um embaixador da modalidade? 

Sim. Fui nomeado embaixador da marca Spartan em Portugal. Neste momento somos 10, todos eles muito activos e mais antigos neste tipo de corridas. Alguns deles participam em Elite. Temos portugueses nos melhores do mundo nesta actividade. Costumo dizer em brincadeira que eu “sou o gordo do grupo” pois sou quase sempre o último a cumprir os desafios semanais. É realmente um orgulho e um privilégio pertencer a este grupo restrito de embaixadores da marca. Adoro as provas como adoro partilhar as minhas experiências com quem nunca as fez. O nosso objetivo é divulgar a marca e motivar as pessoas para a prática do desporto. Este tipo de prova é bastante desafiante. Quem já fez provas deste género, sejam elas Spartan, ou mesmo Wild Challenge, LynxRace, Flavius Challenge entre muitas outras a nível nacional, sabe bem o significado de passar a meta e começar a pensar imediatamente na prova seguinte. Era bom uma prova em Bragança, pois penso que é o único distrito a nível nacional em que não há provas deste género.

 

- A pandemia da Covid-19 também interferiu ou vai interferir no calendário de provas? 

Sim, interferiu imenso. A comunidade Spartan está numa ansiedade enorme e na expectativa se o Campeonato do Mundo se vai realizar ou não. Pessoalmente já tive duas provas adiadas. Bastantes provas adiadas a nível mundial. Está bastante complicado. No entanto, a Spartan inovou com corridas virtuais em casa. Passou a substituir a corrida e os obstáculos por exercícios e mantém a comunidade Spartan activa e focada.

 

- Vives em Inglaterra actualmente, é um país com muitos adeptos das corridas de obstáculos? 

Sim. Aqui há imensas provas de obstáculos e muita gente a participar. 

 

- Quais os teus objectivos na modalidade? 

O principal era a qualificação para o Campeonato do Mundo. Agora tenho em mente a participação numa ULTRA que são os 50 kms e 60 obstáculos e quem sabe um dia entrar na Elite.

- Esta não a tua única ligação ao desporto, já foste jogador de futebol, treinador e dirigente, sentes saudades da modalidade? 

Sim, o futebol acompanhou-me durante muitos anos. Tive muitas alegrias, muitas tristezas. Posso dizer que senti saudades. Adorei treinar os escalões mais jovens. A inocência dos miúdos, a sua pureza no futebol.  Como jogador ficam as recordações e os grandes amigos que o futebol nos dá. Ainda treinei dois anos em Inglaterra mas a paixão foi desaparecendo. Culturas muito diferentes. Muito amadorismo. No aspecto da formação Portugal está muito à frente.

 

- Tens acompanhado o panorama do futebol no distrito de Bragança? Como é que olhas para a actualidade futebolística do distrito? 

Confesso que me desliguei um pouco. É o que vou vendo nas redes sociais. Mas, no geral, penso que houve alguma evolução. Campeonatos competitivos e bastante formação. No entanto, há algo que me deixa muito triste que é a situação do Grupo Desportivo de Bragança. Sendo o clube que me formou enquanto jogador e onde adquiri muitos valores, ainda não consegui perceber o que aconteceu. Espero que o clube volte a entrar no seu rumo.