Ter, 26/08/2025 - 12:11
A edição 1501 marca um novo começo para este semanário. Abraço uma nova etapa como diretora de informação do Jornal Nordeste, que me abriu portas há já mais de sete anos.
Quando aqui cheguei, cheia de sonhos e com vontade de aprender, nunca me passou pela ideia um dia ver este espaço preenchido com as minhas palavras. Muito menos depois de nomes como Teófilo Vaz ou Cátia Barreira, a quem agradeço toda a confiança que, ao longo dos últimos quatro anos, depositou na sua equipa de jornalistas. O seu legado é inspiração para continuar a trilhar uma linha editorial comprometida com a verdade e proximidade.
Assumo este novo desafio com a consciência da responsabilidade que carrego e, claro, com as pernas a tremer. Ainda bem que assim é. Só me mostra que estou consciente do que tenho nas mãos. Apesar de tudo, o entusiasmo de toda a equipa é grande. Acreditamos no papel que a imprensa regional tem e vamos manter-nos próximos das pessoas. Queremos continuar com esta missão tão nobre que é dar voz ao distrito, acompanhar de perto os desafios, ambições e anseios, mas também as conquistas.
O meu, o nosso, compromisso é simples e inegociável: informar com rigor, clareza e independência. Queremos continuar a ser o espaço onde a comunidade se encontra, se revê e se reconhece. Contamos com os nossos leitores, como sempre, porque este jornal é feito por nós e por todos os que estão desse lado.
Não sei se sou merecedora deste espaço, que já foi do brilhante professor Teófilo, que eu tanto admirava e do qual tantas vezes me lembro. Posso não ser, mas tentarei, todos os dias, honrar a confiança de quem acreditou que deveria ocupá-lo, deixando de lado a ousadia de tentar escrever algo tão irrepressível como o “prof” escrevia. Nem nos melhores sonhos, por muito que quisesse, chegaria sequer lá perto. Aliás, que falta me fazia hoje ter aqui o diretor de informação que conheci quando cheguei ao Jornal Nordeste. Parece que já o estou a ouvir dizer as palavras que agora tanto me calhava bem escutar: “calma miúda”.
Palavras sempre seguras e certas as do professor Teófilo, como são as de quem não tem absolutamente nada a provar. Uns foram, outros ficaram. A vida é assim mesmo. O Jornal Nordeste continua de pedra e cal. Queremos que se mantenha e caminhe firme, que abrace novas ideias, que saiba, sempre, escutar as pessoas.
E nesta edição, neste virar de página, atentos, como sempre, à realidade que nos preocupa, damos destaque ao flagelo que, inevitavelmente, todos os verões tira o sono aos nossos bombeiros. Norte e Centro de Portugal têm sido, nos últimos dias, fustigados pelas chamas. Perde-se área agrícola e florestal, perdem-se habitações, mas, mais alarmante que tudo, perdem-se vidas, como aconteceu nestes últimos dias a de duas pessoas, nos concelhos da Covilhã e da Guarda.
Um pouco por todo o lado, onde nestes dias arde sem tréguas, a aflição das populações revela a falta de meios, sobretudo humanos. O Interior, onde a desertificação é gritante, sente essa falta há muitos anos. São necessários mais homens e mulheres no combate aos incêndios. Arranjá-los é tarefa complicada. Não há gente. E a que há… bem, é preciso ter-se muito amor ao bem comum para saber que, a qualquer momento, se dá a vida por outro.
Duarte Rocha vive na Madeira há duas décadas, mas todos os anos, por esta altura, regressa a Vinhais e passa parte das férias a prestar apoio aos bombeiros. Faziam falta mais Duartes.
Carina Alves, Diretora de Informação