PUB.

Mais 5 concelhos do distrito entram para a lista vermelha

PUB.

Ter, 17/11/2020 - 10:50


Os municípios de Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro, Mirandela e Torre de Moncorvo fazem, desde ontem, parte da lista de concelhos com risco elevado de contágio de Covid-19.

Juntam- -se aos municípios de Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Mogadouro e Vila Flor integram a lista há mais de 15 dias. Assim, praticamente o distrito de Bragança está a vermelho, à excepção de Vimioso e Vinhais, que, à proporção, ainda não têm mais de 240 infectados por cada 100 mil habitantes. O presidente da câmara municipal de Carrazeda considera que as medidas restritivas deviam ser aplicadas a todos os concelhos do país. “As pessoas hoje viajam e interagem todos os dias entre os diversos concelhos e as medidas restritivas devem ser direccionadas a todos os territórios”, disse João Gonçalves. O autarca salientou ainda que 14 casos em 15 dias foi o número limite para o concelho entrar na lista vermelha e, por isso, a situação sanitária não é de “uma gravidade extrema”. Porém, João Gonçalves admitiu que estas medidas eram necessárias para conter o contágio. Já a presidente da câmara de Mirandela disse que já perspectivava que o município viesse a fazer parte desta lista. “No quadro da prevenção vamos reforçar a testagem no sentido de, em conjunto com a saúde pública, anteciparmos cenários e com isso evitar surpresas”, referiu Júlia Rodrigues, acrescentando que está a ser feita uma “desinfecção preventiva” nos lares e locais de risco. Ainda assim, a autarca salientou as novas medidas vão ter consequências para a economia do município. “Os impactos económicos são substanciais para o negócio local e para o ânimo e moral de todos. O Município já tinha anunciado a continuidade do projecto cartão comércio e de todas as medidas para mitigar impacto na vida de todos. Vamos continuar a perspectivar soluções e implementá-las”. Nos 191 concelhos assinalados, está proibida a circulação na via pública entre as 23h e as 5h, em dias de semana, e a partir das 13h ao fim-de-semana. Ao sábado e domingo, os estabelecimentos comerciais e até hipermercados devem fechar depois da uma da tarde. Há excepções para farmácias, consultórios, bombas de gasolina e retalho de bens alimentares com menos de 200 m² e com porta directa para a rua. Os brigantinos disseram concordar com as novas medidas mas, por outro lado, reconheceram os prejuízos que estas restrições podem trazer o sector da restauração e para os comerciantes. Natália Constâncio disse concordar com as medidas e realçou ainda que se o comércio tradicional não pode estar aberto, os hipermercados também não. Também a enfermeira Deolinda Branco é da mesma opinião. “Concordo plenamente com as medidas. Era uma medida que já devia ter sido tomada”, disse, salientando que, ainda assim, está “solidária” com o protesto do sector da restauração. António Gonçalves entende que o Governo, em conjunto com as autarquias, devia tentar “minimizar os prejuízos” da restauração, um dos sectores mais prejudicados com as novas medidas. “Há várias maneiras, através do IVA e do pagamento especial por conta. Eu entendo perfeitamente o poder, que não é fácil de decidir, mas também não é fácil ser dono de uma média e pequena empresa onde ganham o pão para ter uma qualidade de vida razoável”, referiu. Irene Barreira também não deixou de manifestar o seu descontentamento pelo recolher obrigatório tão cedo ao fim-de-semana. “Acho que é muito cedo para os restaurantes, devia ser pelo menos até as 15h, porque estão a perder um bocadinho”, afirmou. Por outro lado, a brigantina considera que esta medida não vai diminuir o contágio, uma vez que “na segunda- -feira as pessoas voltam a juntar-se”. Já Marlene Ramos considerou que as pessoas vão continuar a encontrar-se e a fazer ajuntamentos, mas a partir de agora não é na rua, mas em casa. “Concordo com as medidas, mas ao mesmo tempo não faz sentido, porque as pessoas saem a outras horas e podem juntar-se em casas dos outros”. Por outro lado, Maria Conceição Queijo entende que estas restrições vão contribuir para a diminuição dos casos Covid-19.

Professores infectados

Também já há professores infectados em várias escolas do distrito. Alguns deslocam-se de outros concelhos ou até de fora do distrito para as escolas onde leccionam e, por vezes, partilham carro com outros docentes, para diminuir os custos das viagens. Esta situação está a preocupar os directores dos agrupamentos de escolas, porque entendem que a partilha da mesma viatura pode aumentar possíveis contágios de Covid-19. “Muitos professores que se deslocam diariamente para o agrupamento muitos deles partilham boleias”, disse o director do agrupamento de Alfândega da Fé, onde já houve uma professora infectada, que reside noutro concelho e que se deslocava para a escola com a irmã, que também trabalha no agrupamento e que, contrariamente ao que era de esperar, não ficou contagiada. “Isto revela que todos os cuidados estão a ser muito acautelados mesmo nas situações da deslocação”, referiu José Monteiro, admitindo que, apesar de tudo, há sempre o receio de contágio. O director disse ainda que os professores também têm demonstrado medo de ficarem infectados, uma vez que muitos deles, devido à idade e a algumas doença, fazem parte do grupo de risco. Por isso, alguns deixaram de partilhar o carro e de usar os transportes públicos. “Tenho ouvido situações de pessoas que se deslocavam em transportes públicos e, neste momento, não o fazem. Mesmo que fique mais dispendioso, preferem usar as viaturas próprias e fazê-lo individualmente”, referiu. Em Miranda do Douro há três professores infectados, que residem fora do concelho e faziam a viagem em conjunto para o agrupamento de escolas. A informação foi confirmada pelo director, que admitiu que é um risco acrescido partilhar o mesmo carro, mas entende os motivos que levam os professores a fazê-lo. “Nós temos professores que se deslocam vários quilómetros e têm por hábito partilhar a viatura e sabemos que nos tempos que correm é um risco acrescido, mas eu acredito que as pessoas têm os devidos cuidados. Mas seria diferente se cada um viajasse no seu automóvel”, disse António Santos, reconhecendo que “economicamente seria muito complicado para alguns professores”. O director do agrupamento de escolas de Macedo de Cavaleiros, Paulo Dias, também revelou que no agrupamento há um professor infectado com Covid-19, que reside noutro concelho.

Detido por violar confinamento

Um homem, de 61 anos, foi detido, na quarta-feira, por violar o confinamento obrigatório, no concelho de Torre de Moncorvo. O homem continuava a trabalhar e a contactar com diversas pessoas. Após uma denúncia, o suspeito foi abordado na via pública, admitindo estar a violar o confinamento obrigatório. O homem foi detido e acompanhado ao domicílio. A violação do confinamento obrigatório é crime de desobediência. Foi constituído arguido e os factos remetidos ao Tribunal Judicial de Torre de Moncorvo.

Autarca falece de Covid-19

O presidente da União de Freguesias de Lagoaça e Fornos faleceu vítima de Covid-19, neste fim-de-semana. A informação foi avançada, no domingo, na página oficial do Facebook da União de Freguesias. Afonso Lopes tinha 71 anos e cumpria o primeiro mandato como independente nas listas do PS. Segundo a Lusa, estava internado, há alguns dias, numa unidade hospitalar de Lisboa. O município de Freixo de Espada à Cinta também lamentou a morte do autarca e decretou dois dias de luto.

Jornalista: 
Ângela Pais