“Temos uma grande motivação e queremos aumentar o número de câmaras”

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Ter, 15/09/2020 - 18:34


Jorge Gomes constituiu no Congresso Distrital do fim de semana a comissão política da federação de Bragança do PS para mais dois anos, tendo a lista recebido 69% dos votos e a da adversária, Júlia Rodrigues, 31%. O objectivo do mandato é ganhar as autárquicas no distrito.

No início deste novo mandado como presidente a Federação do PS qual é a estratégia que apresenta?

A federação tem sempre dois ciclos que são, não queria chamar complicados, mas que causam alguma divisão e são extremamente exigentes: eleições legislativas e o processo autárquico. Aqui é da responsabilidade das concelhias a escolha dos candidatos, a federação tem de ratificar a escolha ou vetar, se entendesse que isso seria útil, coisa que nunca aconteceu e nem eu estou muito disponível para essas situações. Temos como objectivo vencer as eleições autárquicas. Partimos com uma vantagem no distrito, em12 municípios o PS tem sete e têm feito, na minha opinião, um trabalho excelente.

Parece-lhe possível aumentar o número de câmaras?

Essa é a grande motivação que temos. Temos, neste momento, seis presidentes de câmara que podem renovar a sua candidatura. É expectável que o façam e que ganhem. O PS tem muita confiança nesses autarcas. Na Câmara Municipal de Miranda do Douro o actual presidente não pode ser recandidato, porque atingiu o limite de mandatos, mas por sorte um camarada nosso Júlio Meirinhos decidiu avançar com uma pré-candidatura. A vinda de Júlio Meirinhos para o PS, ou melhor, novamente para a vida activa é um valor acrescentado para o nosso partido e uma garantia que a câmara de Miranda do Douro não vai entrar em sobressalto. Temos toda a confiança que vai ganhar as eleições, vai ter o apoio incondicional e total da distrital e o meu. Restam as cinco câmaras governadas por autarcas do PSD. No caso de Freixo de Espada à Cinta, temos vindo a trabalhar bastante em colaboração com o presidente da concelhia, Nuno Ferreira, que espero que seja o candidato. Não é só uma questão de vontade minha, mas um sentimento, das vezes que tenho ido a Freixo e de falar com pessoas, nota-se que há um desgaste muito grande da actual presidente de câmara e que o Nuno Ferreira tem boas condições para poder ganhar aquela câmara. Os freixenistas estão a perceber o que se passa, porque ele tem feito chegar a toda a população o que considera que é errado na gestão camarária e explica o que faria se fosse o presidente e tem feito denúncias públicas, algumas são coisas gritantes. Depois temos Torre de Moncorvo, que foi um concelho que toda a vida foi socialista, só neste mandato e no anterior foi do PSD. Tenho vindo a notar que o autarca tem vindo a descaracterizar um pouco Moncorvo e até a afastar Moncorvo da sua cultura e das tradições. Estamos a trabalhar na nossa candidatura. Vamos dar luta, se não conseguimos vencer. Em Carrazeda concorremos [há 4 anos] integradas num movimento, que foi criado espontaneamente. Neste momento estamos a pensar se não deveremos concorrer com a sigla própria do Partido Socialista. O PS tem uma dimensão e uma história que não tem de andar a fazer este tipo de coligações. Assumo que é difícil porque é um primeiro mandato e porque o movimento perdeu por muito pouco. E se o PS se retirar desse movimento nenhum de nós pode dizer que vai somar os votos dos outros. Podemos vir a ter menos votação, mas é nossa.

Resta Bragança, sempre uma escolha complicada…

Sim, é um concelho que tem as suas especificidades. Muita gente pensa que se tivermos uma pessoa muito urbana é fácil vencer, mas não é nada disso. A vida dos eleitores do concelho de Bragança já não se sabe bem se é na cidade ou na aldeia. Muitos fazem uma vida urbana mas voltam a casa na aldeia. A abordagem tem de ser feita de uma forma diferente. Temos de ter um candidato ou uma candidata forte, que venha contrariar um pouco o que esta câmara municipal tem vindo a fazer. Entendemos que não é a fazer uma pedreira, como está a ser feito na avenida Sá Carneiro, que se ganham eleições, Bragança precisa mais do que isso, precisa de desenvolver o sector económico, de captar empresas para arrastar postos de trabalho e criar desenvolvimento económico. Vimos há dias que Bragança perdeu 2300 habitantes em 8 anos, é preocupante, temos várias cidades neste país, como Vila Real e Viseu, que cresceram e se desenvolveram economicamente e nós não passámos da cidade que éramos. Bragança tem de dar o pulo, o que só vai acontecer quando tiver um presidente de câmara que tenha um pensamento um pouco diferente.

 

Já têm nomes?

Temos, mas a capital de distrito é uma coisa que nos foge há já muitos anos. Houve uma fase em que aparecíamos sempre com um candidato à última da hora. Aparecíamos com um candidato em Agosto para eleições de Outubro.

Jornalista: 
Olga Telo Cordeiro