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Continuamos atentos, veneradores e obrigados aos senhores da capital

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Seg, 20/07/2020 - 23:26


De vez em quando há notícia de eleições no seio dos partidos do arco governamental, uma referência que tem conhecido mutações na última meia dúzia de anos, mas que, no essencial, se mantém com as características que lhe conhecemos desde os idos de 76, esse ano do século passado em que a a árvore da democracia lançou raízes que lhe permitiram tomar corpo no horizonte histórico, apesar das pragas que não perdem oportunidades para ensaiar a sua liquidação.
As organizações partidárias aparentam ter em consideração as realidades regionais, a sua diversidade e as profundas injustiças de que são vítimas os cidadãos que decidiram resistir à tentação de deixar o território ao deus-dará, em nome de alegrias e confortos, bons para a contemplação do próprio umbigo, mas devastadores para o futuro. Por mais que aparentem, já não iludem.
O distrito de Bragança já chegara trôpego ao Abril da esperança e, desde então, nunca se viu rejuvenescer. Pelo contrário, continua a arrastar dolorosa decrepitude, que há-de apagar das memórias a dignidade e a coragem de quem olhava de frente para as dificuldade, as promessas vãs, as omissões e as traições dos que renegaram as origens.
Dir-se-á que chegámos tarde ao futuro. Pelos vistos assim foi. Acresce que não tem havido lideranças regionais capazes de promover a conjugação de esforços e a firmeza na reclamação de mudanças de rumo na política nacional. Quando houve tal possibilidade logo se instalaram divisionismos, insidiosamente alimentados pela intriga orquestrada à beira Tejo, distribuindo pratos de lentilhas de acordo com a miserável venalidade de alguns dos de cá, que nos envergonha a todos.
Os partidos deviam ser instrumentos fundamentais na identificação dos interesses destas terras e destas gentes, especialmente aqueles que têm beneficiado da confiança que resta. Por isso, não se esperaria que se reduzissem a simples agências, com representantes atentos, veneradores e obrigados da gestão política ao nível nacional.
Os cidadãos que se assumem militantes têm a obrigação de conhecer os condicionamentos e de contribuir para encontrar soluções, nomeadamente no âmbito da participação em congressos regionais e nacionais e no apoio a lideranças com coragem para enfrentar a desatenção, o comodismo e o desleixo de sucessivos governos, que resultou na condição terminal em que nos encontramos.
Houve recentemente eleições para a distrital do PSD e, no último fim de semana, foi a vez de o PS eleger o presidente da Federação Distrital.
No caso do PSD, Jorge Fidalgo liderou uma lista única, sinal de desmobilização mais do que de unidade, continuando uma gestão da conjuntura, sem propostas de ruptura com um percurso que se traduziu em graves prejuízos para o território quando aquele partido esteve à frente dos destinos do país.
Entretanto, no PS, o reeleito Jorge Gomes fez questão de referir que quer liderar “uma federação que apoia incondicionalmente” o Governo do seu camarada António Costa, o que pode levar-nos à conclusão de que, entre os socialistas, se considera que o distrito está à porta de dias radiosos de desenvolvimento económico e recuperação demográfica que, definitivamente, não é fácil descortinar para quem olha com olhos de ver.

Teófilo Vaz