Castrelos: uma terra de milagres

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Ter, 25/09/2007 - 10:31


Pintada a tons de verde e terra, Castrelos parece pertencer à paisagem que se estende por montes e vales, tal é a paz e calma que transmite a quem passa. Contar a história da aldeia exige que se fale nos milagres de São Bernardino, que recebe as centenas de pessoas que chegam de todo o lado para verem os seus males curados.

“A quem tinha um encosto punha-se o Santinho na cabeça ou no peito e a pessoa caía no chão, ficando com a garganta muito inchada”, relatou Joana Maria, uma habitante de Castrelos, que já assistiu a vários episódios semelhantes.
O poder milagroso de São Bernardino é tão conhecido que a capela da aldeia recebe devotos de todo o País e, mesmo, do estrangeiro. “Algumas pessoas têm males e se tiverem fé são curadas, por isso não temos medo destas coisas, porque é o nosso Santinho”, salientou a crente.
Já Henrique Pires, outro habitante local, relata que “veio uma rapariga magrinha com um espírito e éramos quatro homens a tentar segurá-la e não conseguíamos”.
Apesar da devoção a São Bernardino, o padroeiro de Castrelos é S. João Baptista, em honra de quem se celebra uma festa a 24 de Junho. A aldeia homenageia, ainda, São Francisco de Assis, em Agosto, e Nossa Senhora de Fátima, no segundo domingo de Outubro.

Castrelos existia nos tempos dos Godos e, provavelmente, no dos Romanos

Alguns autores referem que Castrelos é uma povoação muito antiga que já existia no tempo dos Godos e, presumivelmente, no dos Romanos. D. Afonso IV ter-lhe-á dado foral em 1325, sendo que, entre 1884 e 1887, São João Baptista de Castrelos esteve anexada à freguesia de Carrazedo.
Segundo o Abade de Baçal, foi descoberta, em 1591, uma lápide durante as obras para a construção de uma capela. “Junto encontrou-se uma pia de pedra cheia de moedas de ouro com o nome do imperador Antonino”, escreveu o investigador.
Já Silvino Alves, habitante de Castrelos, conta que havia um povoado chamado São João, que acolhia um tempo antigo, de onde se diz que foram levados os altares que ornamentam, actualmente, a igreja matriz da aldeia. Outras histórias falam de uma sepultura de um príncipe romano que teria sido enterrado com uma espada de ouro. “Um rapaz que andava a lavrar encontrou uma pedra grande que era um túmulo e que ainda tinha restos de ossos”, relatou Silvino Alves.
Além do património religioso, como as igrejas de Castrelos e da sua anexa, Conlelas, das capelas de São Bernardino e São Francisco de Assis, a freguesia orgulha-se, também, de possuir a Fraga do Corvo, Cabeço de São João de Castrelos, povoado fortificado, Necrópole, moinhos de água e uma ponte.
A aldeia é, igualmente, rica ao nível do subsolo, onde se regista uma mina de crómio localizada no Cabeço de Mideiros.