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Emigrantes preocupados com o regresso a Bragança

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Ter, 28/07/2020 - 10:04


Casal de emigrantes em França vai fazer teste antes vir como medida preventiva. Um outro emigrante, também em França, antecipou as férias para Julho devido à pandemia

A pandemia não está a impedir o regresso dos emigrantes, nesta altura do ano, ao país que os viu nascer. As saudades falaram mais alto e mesmo com algum receio e preocupações, a família parece estar em primeiro lugar. Carlos Sá é camionista em Paris e vem com a esposa e filhos já no próximo fim-de-semana, 1 de Agosto. Faz questão de fazer o teste antes de vir, porque o receio de infectar a família, em Portugal, é uma preocupação. “Temos algum receio. Mudámos os hábitos, porque, normalmente, quando vamos de férias ficamos sempre em casa de familiares e este ano resolvemos ficar numa casa à parte para evitar estar mais em contacto com eles”, disse, contando que, devido à pandemia, adiaram o baptizado de um filho, que já estava organizado. A vinda em Abril, que também estava prevista pelo casal, foi igualmente adiada. A esposa de Carlos Sá é profissional de saúde , na linha da frente no combate ao novo coronavírus. Enfermeira, em Paris, admitiu ter sido “muito complicado” e com grande desgaste psicológico trabalhar nestas condições. “O mais complicado era entrar em casa, saber que temos os nossos filhos e a nossa família e podermos trazer o vírus para casa sem darmos conta”, contou Ana Gonçalves. Disse ter tido sempre noção do que se estava a passar e, por isso, também considera que o mais correcto é fazer o teste à Covid-19 antes de vir de férias. “Tomámos a decisão de ir de férias há pouco tempo, quando vimos que as coisas se acalmaram por aqui, porque até agora a nossa decisão era não ir de férias”, referiu. A vinda será feita de carro, também como medida preventiva. Como Ana Gonçalves, também Carlos Madureira é enfermeiro em Paris. Mas contrariamente já veio passar férias e regressou a França há uma semana. Veio de avião e teve que preencher um inquérito, pois caso alguém estivesse infectado nesse voo, seria mais fácil estabelecer contacto com os restantes passageiros. Esteve em casa dos avós, mas fez o teste ao novo coronavírus antes de vir. “Já não estava com a minha família há sete meses, da parte deles não senti receio nenhum e da minha parte também não, porque as saudades eram demasiadas”, contou, explicando que, inicialmente, teve alguns cuidados. Já quanto aos amigos, o medo da pandemia não permitiu que matasse as saudades. “Senti bastante receio, ainda por cima falando das experiências que eu tinha vivido e contando um pouco da minha vida, as pessoas davam um passo atrás com um pouco de receio. Não consegui ver certos amigos, também porque eles tinham receio de poder contagiar os familiares, mas é compreensível”, relatou. Habitualmente vem passar férias, a Bragança, em Agosto, mas este ano, devido à pandemia, pensou que o melhor seria antecipá-las.

Menos emigrantes de férias por medo de perderem o emprego

Apesar de as fronteiras terrestres e áreas estarem abertas e não haver entraves à entrada e saída de Portugal, os emigrantes “estão a vir em menor número”, segundo informou a secretária de Estado das Comunidades Portuguesas. Afirmando que só se mantêm os impedimentos no Reino Unido, Berta Nunes explicou ainda que já se esperava que a situação fosse esta. “Tenho dito que podem vir de todos os países onde temos grandes comunidades, com excepção do Reino Unido. Podem vir sem qualquer problema, sem ser obrigatório trazer teste ou quarentena, nem à vinda nem à ida”, explicou a governante. Entretanto, no Reino Unido, foi lançada uma petição - “Permita que os emigrantes visitem as suas famílias” - no âmbito da situação ali determinada, em que se decidiu manter Portugal de fora dos corredores aéreos, o que obriga os portugueses que venham de férias a fazer quarentena quando regressarem. Berta Nunes afirmou que nada é definitivo, para já, pois Portugal pode ainda sair desta “lista vermelha”, nas reavaliações que vão sendo feitas. Segundo confirmou a secretária de Estado, há vários portugueses, em diversos pontos do mundo, que estão com receio de visitar o país de origem porque têm medo de perder o emprego. “A pressão que está a existir e o que nos foi reportado é que se for preciso fazer quarentena os patrões não pagam”, disse a governante, fazendo saber que essas dúvidas têm chegado de quem escolheu a Suíça e Alemanha para trabalhar. Ainda assim frisou que “não há qualquer problema” pois a obrigatoriedade de quarentena, após as férias, só está imposta no Reino Unido. Além das diversas dúvidas quem têm vindo a surgir, Berta Nunes também esclareceu que há várias pessoas que não virão de férias porque os seus rendimentos “caíram”. Afirmando que “Portugal é um país seguro”, a governante disse que há alguns casos “bem delimitados e controlados” e que “o número tem vindo a reduzir”, mas que, além do medo, “alguns emigrantes não vêm porque perderam rendimentos” e “têm receio de vir a ter dificuldades económicas”. Por esta altura diversas aldeias na região mais que duplicam em termos de população, mas a governante assume que “se as medidas forem cumpridas não há nada a temer”. Berta Nunes recomendou que se devem manter as distâncias de segurança, mesmo em relação aos familiares, mas “pode conviver-se”.

Jornalista: 
Ângela Pais/Carina Alves