Escolas de condução desconfinam a ritmo lento

Ter, 27/04/2021 - 11:40


As escolas de condução puderam retomar a actividade há pouco mais de uma semana, na terceira fase de desconfinamento, mas a procura ainda é tímida, apesar de alguns dos alunos estarem já ansiosos por retomar as aulas práticas e teóricas, em especial os que já tinham exame marcado para a altura em que o país confinou.

Paulo Pinto, um dos proprietários da escola de condução Êxito em Bragança, conta que a principal dificuldade foi a perda de receitas. “Facturámos zero durante estes três meses, sem ajudas, pelo menos não nos enquadrámos em nenhuma das ajudas, a não ser o lay-off. Foi uma perda significativa”, conta, referindo que a empresa teve de continuar a suportar as despesas fixas. O empresário explica que como no caso desta escola de condução no último trimestre de 2020 houve um crescimento da procura, depois do primeiro confinamento, nesse período não teve uma quebra em relação a 2019, o que os exclui de diversos apoios nacionais e municipais. “O ano passado foi um ano mau, mas o último trimestre de 2020 foi melhor que o de 2019, tivemos prejuízo no resto do ano, mas por aí perdemos algumas ajudas, como o Apoiar, para pagar a renda ou do município”, referiu. Apesar de os sócios- -gerentes terem passado a ser apoiados, na empresa afirma que ficaram “bastante penalizados” e receberam cerca de metade do que quando estão a trabalhar. O acesso aos apoios implica “muitas burocracias e uma série de regras muito apertadas”, mas espera que as últimas medidas, para a retoma, já lhes sejam acessíveis. Tiago Pires, da Escola de Condução Eurovia, também em Bragança, conseguiu aceder aos apoios do estado central, no entanto, ainda estão à espera que algumas das verbas sejam transferidas. O instrutor queixa-se da dualidade de critérios, já que por vezes são “consideradas ensino, como agora” em que só reabriram quando os últimos alunos regressam às aulas presenciais e noutras ocasiões são considerados “estabelecimento de porta aberta ao público”. Tiago Pires diz que a primeira semana de reabertura foi a “meio-gás”, porque “os alunos regressaram à escola e foram marcando as aulas”. Muitos “já tinham a formação toda dada e estavam à espera do exame, já não tinham aulas ou estavam com uma ou duas aulas por dar e não queriam agendar as aulas antes de saber quando podiam ter os exames”. Para o instrutor esta situação tem-se revelado uma dificuldade. “Os alunos sentem- -se um pouco injustiçados, vêem-se passados três meses sem ter formação e muitos deles acabaram por regredir sem ter treino neste tempo. Nós também não podemos estar a dar formação de graça aos alunos, depois de três meses parados, com despesas e sem qualquer tipo de rendimentos”, sublinha, já que além das aulas paradas, os processos de renovação ou outros administrativos também não puderam ser mantidos. A escola de condução Êxito reabriu no passado dia 19, mas o recomeço também tem sido lento e gradual. “Os alunos vão aparecendo aos poucos, ainda não há aquela afluência, não temos o número de aulas que tínhamos quando fechámos. Ainda não há grandes inscrições”, refere Paulo Pinto. Segundo o sócio-gerente da empresa e instrutor, o encerramento das escolas de condução criou muitos constrangimentos aos alunos, particularmente aos que candidatos que tinham exame pedido outros que pretendiam pedir “a quem transtornou bastante a vida, porque tinham as coisas programadas e tendo em conta que a carta de condução é já uma necessidade e ficaram impedidos de fazer exame e de vir às aulas”, conta. Alguns dos candidatos terão agora de ter mais aulas. “Alguns tinham o exame pedido e a formação toda dada e três meses de paragem exige que tenham mais algumas aulas para relembrar”, sublinha. Os exames começaram a ser remarcados no final da semana passada para o mês de Maio. Cláudia Ferreira é aluna do Instituto Politécnico de Bragança e começou a tirar a carta em Janeiro de 2020. Um processo complicado, porque já esteve duas vezes em isolamento profilático. “Depois voltou o Estado de Emergência e só agora, estive quase um ano sem conduzir”, refere. Antes do confinamento estava finalmente com o exame prático marcado, mas foi cancelado. Agora tem de ter mais aulas até porque “algumas coisas uma pessoa esquece-se” e diz estar preparada. “Foi um bocadinho de tempo perdido, por assim dizer. Já podia ter tirado a carta há mais tempo, se não tivesse tanto tempo de espera. É o meu último ano aqui, por isso tem de ser agora”, conta a estudante que escolher tirar a carta em Bragança por ser mais conveniente. As licenças de aprendizagem foram prolongadas até ao final do ano.

Jornalista: 
Olga Telo Cordeiro