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Futuros médicos da Universidade do Porto passam semana no concelho de Vinhais para estarem mais próximos dos idosos

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Ter, 14/09/2021 - 17:13


Rastreios, com medição da tensão e da glicémia, formações de primeiros socorros, actividades de envelhecimento activo e até esclarecimento de dúvidas fizeram os estudantes de Medicina da Universidade do Porto deslocarem-se a Vinhais

“Medicina vai a Vinhais” percorreu todas as aldeias do concelho entre 5 a 11 de Setembro. Com o objectivo de chegarem às localidades mais desertificadas e envelhecidas do Interior, estes alunos voluntariaram-se para ajudar quem mais precisa. Na passada sexta-feira, foi a vez de Vila Boa de Ousilhão acolher os futuros doutores. Os mais velhos não quiseram faltaram e o ponto de encontro foi a Junta de Freguesia. Enquanto os estudantes explicavam como agir em situações de choque anafilático, de reanimação ou até mesmo de desmaio, os idosos iam interagindo e contando experiências suas. “Claro que acho importante esta iniciativa”, afirmou de imediato Antónia Carvalho, de 70 anos, acrescentando que “nas aldeias não sabemos tudo”. Maria Albertina, também de 70 anos, contou ter aprendido algumas coisas, durante a manhã. “Aprendi a fazer a respiração, aprendi muitas coisas. Já sabia algumas coisas, por exemplo dos diabetes. Mas gostei muito. É muito importante porque há muita gente como eu que só fizeram a quarta classe, muitos nem foram à escola, e é bom que nos falem disto”, disse. Para além dos ensinamentos, os idosos puderam ainda saber qual a quantidade de açúcar no sangue e qual o nível da tensão. No caso de Maria Albertina, os resultados já não foram uma novidade. “No rastreio disseram que eu tinha a tensão alta, que não devo comer sal e que os diabetes também estão um bocadinho altos”, disse, prometendo que vai seguir os conselhos de pôr menos sal na comida, mas também de comer poucos figos por causa dos diabetes. Bernardete Pires nem tinha conhecimento da iniciativa, mas quando percebeu que algumas pessoas da aldeia se dirigiam para a Junta de Freguesia, também não quis faltar. “Quero aprender algumas coisas, nunca é de mais o saber”, frisou. Houve também quem já soubesse alguns dos ensinamentos transmitidos pelos estudantes. Foi o caso de Adília Alves que disse já ter estado em mais formações de suporte básico de vida, mas admitiu eu há sempre coisas para aprender. “Recordei como se faz o suporte básico de vida, é muito importante saber. Fui ouvir os conselhos e gostei também de saber sobre a injecção para o choque anafiláctico. Foi bom aprender e relembrar estas coisas”. Esta é já a décima edição do “Medicina Vai a…”, organizada pela Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Segundo Ana Carolina Noronha, aluna do quarto ano de Medicina e uma das responsáveis pela organização da iniciativa, o público-alvo são os idosos “até porque estamos a falar de uma região onde a população está muito envelhecida”. “O nosso objectivo é tentar chegar a localidades mais no Norte do país, até porque são áreas que estão mais desertificadas e mais longe dos cuidados de saúde e uma vez que somos uma facultade de medicina do Norte do país, achamos que seria por bem chegar a estas regiões, este caso de Trás- -os-Montes. Fizemos vários contactos, Vinhais felizmente mostrou interesse em colaborar connosco”, explicou. A futura médica acrescentou ainda que houve bastante adesão da população e que algumas pessoas aproveitaram até para colocar algumas perguntas. “Questões relacionadas principalmente com a parte dos rastreios, uma pessoa que tenha o valor do açúcar no sangue um bocadinho a aumentar, fica com aquela dúvida ‘e agora o que é que eu devo fazer?’. Ao longo das formações também surgem outras dúvidas, inclusive partilham histórias pessoas, situações de emergências médicas que surgiram com a pessoa e a forma como lidou, o que aprendeu com a formação e o que fará de diferente da próxima vez”. Também a autarca de Vila Boa de Ousilhão reconheceu a importância da vinda dos jovens estudantes para os habitantes da aldeia. “É uma mais- -valia as pessoas estarem informadas, ficam sempre a saber o que fazer numa situação de emergência. Muitas vezes acontecem situações em que ficam atrapalhadas com a própria situação e não sabem como fazer ou a quem recorrer. São importantes estas formações do suporte básico de vida, os cuidados a ter até com a própria saúde, é muito importante”, destacou Sónia Afonso. Para além dos idosos, os estudantes procuraram ainda estabelecer contacto com as crianças para a desmistificar o “medo da bata branca” e, por isso, também fizeram uma visita ao infantário de Vinhais.

Jornalista: 
Ângela Pais