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Uma protecção mas também um acessório estético

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Ter, 19/05/2020 - 17:34


Ana Guedes é costureira e aproveitou o seu talento para confeccionar máscaras para todos os gostos

Era muito pequena quando teve o primeiro contacto com as linhas e as agulhas. A sua mãe era costureira e, por isso, viveu de perto com a arte de fazer roupa. Durante alguns anos não teve qualquer interesse pela profissão, até porque, muitas vezes, foi obrigada a deixar de brincar com os amigos para ajudar a mãe, o que lhe causou algum “ódio” pelo ofício. Anos mais tarde, Ana Guedes decidiu ir para Viseu e tirar o seu curso de costura. Trabalhou em várias empresas, mas foi em Bragança que instalou o seu atelier. “Gosto de pôr as mulheres bonitas, gosto que saiam daqui satisfeitas. Adoro tecidos. Quando vejo um tecido já imagino o que fica bem ali”, disse, explicando que tem grande interesse por “coisas complicadas e difíceis”.

Ficar parada não faz parte da sua personalidade, nem mesmo em tempos de pandemia. Teve o seu negócio fechado devido à Covid-19, mas nem por isso cruzou os braços. O município de Bragança solicitou a ajuda de voluntários para a confecção de máscaras reutilizáveis e Ana não quis deixar passar a oportunidade de fazer o que gosta e ajudar os outros. Chegou a fazer cerca de 200 máscaras por dia. “Eu nunca fiquei em casa, vim todos os dias trabalhar, tanto da primeira vez que pediram ajuda como na segunda e fiquei aqui a trabalhar à porta fechada”, referiu.

Agora, de volta à normalidade, continuou a fazer máscaras. Disse não ter sido difícil adaptar-se às novas regras de higienização, porque alguns cuidados já os tinha e, por isso, pôs mãos à obra. Considera que as máscaras agora serão mais do que um objecto para nos proteger do vírus, são também um acessório. “Se eu faço uma saia bonita e um vestido, porque não fazer uma máscara igual? Temos que andar de máscara então que seja uma que gostemos”.

Lisas, só com uma cor, estampadas com flores ou bonecos, com aplicativos brilhantes ou até mesmo de renda, há máscaras para todos os gostos no atelier. “É uma questão de gosto, de juntar cores e tecidos e criar um bocadinho. No fundo torna-se engraçado”. As de renda, que Ana confecciona máscaras para todos os gostos são das mais peculiares, foram também das mais vendidas. Ana contou que as máscaras brancas ou cirúrgicas dão a ideia de que as pessoas estão doentes. Assim, com um tecido mais arrojado, ou não, é possível combinar a máscara com a roupa que se usa e ter algum estilo. “Uma pessoa pensa que se sente um bocadinho mais livre de toda esta pandemia. Dá um ar à pessoa um bocadinho diferente”, salientou.

Até agora o feedback tem sido positivo. Através do boca a boca vai dando a conhecer o seu trabalho e também é uma forma de ganhar algum dinheiro nesta fase em que o negócio está mais em baixo, visto que as suas clientes ainda têm receio de ir ao atelier e mandar confeccionar roupa. Passa grande parte do dia ali e, por vezes, até alguma parte da noite, porque diz que é lá que se sente tranquila. Adianta algum trabalho que deixou para trás por ter fechado a loja, mas há sempre tempo para fazer as máscaras. “Tiro um bocadinho de tempo para fazer umas máscaras extra por dia. Cada máscara pode levar entre vinte minutos a meia hora”.

Jornalista: 
Ângela Pais