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Inutilidades pandémicas da democracia portuguesa

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Ainda a procissão vai no adro, como sói dizer-se, pelo que ainda é cedo para se fazer o balanço dos estragos causados pela pandemia COVID-19.
 Mas já podemos adiantar que Portugal, neste combate, está a nível dos países da sua igualha e que os danos, felizmente, não alcançaram entre nós a dimensão trágica registada em nações de maior dimensão.
Mercê de factores diversos, designadamente da situação geográfica e da distribuição populacional, mas sobretudo do civismo dos portugueses, do empenho e qualidade dos profissionais de saúde e da boa resposta do Sistema Nacional de Saúde, pesem embora as medidas que foram sendo atamancadas e as patéticas hesitações e contradições dos governantes.
Uma coisa é certa: esta pandemia veio realçar, estrondosamente, as virulentas inutilidades do Regime político vigente.
A começar pela Constituição donde derivam, entre outras, inutilidades do Tribunal Constitucional e do Sistema de Justiça. Metida na gaveta em questões essenciais por aqueles que sempre a defenderam com unhas e dentes, até parece que foi feita a pensar nas festas do 1.º de Maio e do Avante.
Repetente é a inutilidade evidenciada pelo Presidente da Republica que se remeteu ao papel a que os brasileiros jocosamente chamam de “papagaio do pirata”, em lamentável promiscuidade institucional com o primeiro-ministro, sendo que a sua livre iniciativa mais saliente é a populista distribuição de sopa a sem abrigos, com as câmaras das televisões atrás, claro está.
Igualmente significativas são as inutilidades da monstruosa Assembleia da República que, agora fica provado, poderá cumprir cabalmente a sua missão com um terço dos deputados.
Notáveis, também, são as múltiplas inutilidades do Governo, escandalosamente sobredimensionado, com Ministérios e Secretarias de Estado a que se não reconhece outra utilidade que não seja empregar clientelas.
Lamentável ainda a inutilidade da Oposição que pôs de lado a sua missão fundamental e se tem limitado a acompanhar com música de entretém os abusos e negócios duvidosos do Governo.
Tudo isto se explica com as prioridades dos políticos mais marcantes que tratam, em primeiro lugar, de ganhar votos e de se manterem no poder, depois procuram assegurar um futuro regalado e só em último lugar se preocupam com as pessoas. 
Políticos a quem o Estado só interessa na medida em que dele se servem.
Contrariamente ao que acontece em muitos outros países democráticos em que povo e a democracia são respeitados, sem patriotismos abastardados, separação sinistra entre esquerda e direita, ou internacionalismos subservientes de interesse obscuros.
A ruindade da democracia portuguesa e a maldade da classe política, em que predomina a falta de carácter, alcançaram o auge com a vergonhosa “peixeirada” do Novo Banco em que se envolveram de forma indecorosa as mais altas figuras do Estado e a própria Oposição, com destaque para os partidos que aprovaram o Orçamento de Estado mas que agora assobiam para o lado.
Não admira que a vox populi (não necessariamente vox dei) reclame uma nova revolução, pensando, não duvido, nos valores democráticos que o 25 de Abril franqueou.
 Democracia, sempre!
P.S.: Agradeço as referências de Armando Fernandes, ilustre cronista deste Jornal, na sua crónica intitulada “25 de Abril”.
Este texto não se conforma com o novo Acordo Ortográfico.

Henrique Pedro