Segundo um estudo do ISCTE, divulgado pelo Jornal público, um estudante universitário gasta, em média, cerca de 900 euros por mês. Foram inquiridos mais de dez mil estudantes. No Interior do país, mais concretamente na região, onde existe um instituto politécnico, os valores não são tão altos, até porque de acordo com vários estudos, Bragança é das capitais de distrito onde as rendas são mais baixas. Ainda assim, é nas rendas que os estudantes gastam mais dinheiro.
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Inês Ferreira é uma das alunas que frequenta o Instituto Politécnico de Bragança. É de Marco de Canaveses, por isso, alugar um quarto era obrigatório. Frequenta o segundo ano de licenciatura e quis mudar de casa, porque pretendia ficar mais perto da escola e também porque queria encontrar um apartamento com melhores condições, mas isso soube-lhe a um aumento da renda. Se no primeiro ano viveu num quarto a pagar 150 euros por mês, agora vai passar a pagar 180. “Os preços estão a aumentar muito. O ano passado via quartos no máximo até 180 ou 200 euros, este ano já há imensos senhorios a pedir acima de 250. Nos grupos de Facebook conseguimos encontrar quartos a 300 euros sem despesas”, contou, admitindo que para si seria impensável pagar uma renda tão cara, tendo em conta que é “um bocadinho puxado para os pais manterem um aluno no ensino superior”. A jovem gasta, por mês, em média, cerca de 500 euros em despesas. “O gasto mais alto, sem dúvida, é a renda e os transportes. As rendas em Bragança neste momento estão a aumentar um bocadinho. Com as despesas, alimentação, transportes acho que um estudante consegue gastar, em média, pelo menos 500 euros”, disse. Estar longe de casa traz outra despesa, a dos transportes, que também estão “cada vez mais caros”. “Pelo menos 100 euros devo gastar todos os meses, a ir todos os fins- -de-semana a casa. Só num fim-de-semana a despesa fica no mínimo em 20 euros”, adiantou. Tendo em conta os gastos, este ano pretende reduzir o número de vezes que vai visitar a família. “Estou a ponderar ficar alguns fins-de- -semana para poupar algum dinheiro”, acrescentou. A luz também representa um gasto significativo, devido às baixas temperaturas no Inverno que obrigam ao uso de aquecimento. “Em Bragança quando chega o Inverno normalmente a conta da luz e do gás aumenta em relação aos outros meses do ano e um estudante se quiser estar bem em Bragança tem de ter aquecimento em casa”, referiu. Apesar de os gastos serem mais baixos do que nos grandes centros, Inês Ferreira considera que é “difícil” manter um estudante na universidade, porque muitas famílias recebem o salário mínimo e “tirar 500 euros de um ordenado mínimo é complicado”. Vale-lhe ter bolsa da DGES e de transporte, o que é uma “ajuda considerável”. Ana Silva é outra estudante do IPB. Frequentou um Curso Técnico Superior Profissional (CTeSP) durante dois anos no IPB e agora segue para a licenciatura. Apesar de gastar menos que Inês Ferreira por mês, considera que os gastos são “bastantes”. Pagava 150 euros por um quarto partilhado, um valor que entende ser “alto”, porque vivia com mais oito pessoas e a casa “não tinha muitas condições”. Por isso, neste novo ano lectivo vai viver noutra casa. O valor da renda é o mesmo, mas as condições são outras, além de estar mais próxima do politécnico. “Vou ter uma empregada doméstica de 15 em 15 dias e internet, que está incluído. Só vou pagar luz e água, mas como tenho os painéis solares, a luz é muito mais barata e tenho muito melhores condições, vou ter ar condicionado, máquina de lavar/secar”, contou. Por mês diz gastar cerca de 350 euros, mas deixou de ir a casa várias vezes para poupar algum dinheiro. “Ia só uma vez por mês ou duas para poupar dinheiro, então gastava por volta de 60 euros. Pensava no dinheiro que poderia poupar no final do ano para ter dinheiro para emergências ou comprar coisas para mim, mas obviamente que nem isso chegava”, contou. Quanto à alimentação, a despesa nos supermercados da cidade ronda os “50 euros”, mas sempre que vai a casa vem abastecida de comida. “O que me salva é a minha mãe. Ir a casa e trazer comida”, frisou. A jovem já teve também a irmã a estudar em Bragança e embora tenha sido há pouco tempo, reconhece que o custo de vida está mais alto. “Em 2020 ela conseguia arranjar uma casa muito mais barata, a 100 euros, com boas condições. Mesmo no supermercado dá para notar esse aumento”, apontou.
Rendas representam maior gasto
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As rendas têm vindo a aumentar nos últimos anos. A pouca oferta pode ditar esta subida de preços, mas também a falta de controlo no aluguer das casas, segundo a imobiliária Último Pilar. Segundo a agente Eugénia Batista, o problema está nas pessoas “que arrendam quartos e não passam recibos, não fazem contratos, que pedem o que querem aos miúdos”. E com as poucas casas disponíveis, os estudantes “sujeitam- -se” ao que há. “A maior parte das pessoas chegam aqui em Setembro, não há quartos e sujeitam-se a preços altíssimos, a viverem em condições que não são boas e nem têm um contrato e um recibo”, disse, salientando que é preciso “combater estes quartos, garagens e anexos arrendados ilegalmente”. A imobiliária Último Pilar deixou de alugar quartos, individualmente, aos estudantes, e aluga o apartamento completo. Por quarto, o preço rondará entre os “200 e 220” euros. Há mesmo quem chegue a pedir “250 euros”, um valor que Eugénia Batista considera um “bocadinho alto”. “Quando as famílias vêm arrendar os quartos, nota-se que têm alguma dificuldade, porque já são preços muito elevados”, rematou. Na Imobiliária Mudda, o preço do quarto pode ir dos 150 aos 250 euros, dependendo da zona da cidade e da tipologia do quarto. É possível encontrar quartos a 150 ou 170 euros, mas são em apartamento com “muitos anos”, com condições “mais fracas” e “fraco isolamento”. Ainda assim, o agente imobiliário Paulo Cordeiro disse que “não houve um aumento significativo” no preço das rendas, mas sim um “aumento de qualidade de oferta”. “Existem alguns clientes investidores que oferecem quartos com melhor qualidade e com preço superior. Antigamente não se arrendavam a estudantes apartamentos novos e agora já acontece, um investidor comprar um apartamento novo para rentabilizar com estudantes e depois cobra um valor mais elevado”, explicou. Se as famílias tiverem condições para pagar um quarto superior aos filhos, “de certeza que avançam”, mas também existem famílias “com maiores carências que não podem ir para quartos tão elevados e que ficam por quartos mais baratos”, de acordo com o responsável. Porém, Paulo Cordeiro admite que tudo se arrenda, devido à “escassez” de imóveis. O agente imobiliário considera que os preços praticados na cidade nada têm a ver com grandes centros urbanos e que isso pode pesar na escolha dos estudantes relativamente à instituição de ensino superior. “Eu acho que algumas das escolhas de ensino dos filhos e famílias também tem a ver com o custo de vida. É natural que haja famílias que escolhem Bragança pela qualidade do ensino, que já é reconhecida a nível nacional, mas também pelo custo de vida mais baixo, face a maior parte das localidades”, realçou.
IPB ajuda estudantes nas despesas
Dos cerca de 10 mil alunos do Instituto Politécnico de Bragança, no ano lectivo de 2023/2024, 2 845 têm bolsa da DGES- Direcção-Geral do Ensino Superior. Um número que tem “aumentado”, uma vez que o limiar de elegibilidade em termos de rendimento per capita também tem aumentado. Além deste apoio do Governo, o IPB ajuda também os estudantes, em troca de serviços. Segundo Elisabete Madeira, administrativa do Serviço de Acção Social do Politécnico de Bragança, explicou que a instituição tem “bolsas de colaboração” para ajudar os estudantes que solicitem apoio. Os alunos abrangidos serão os alunos internacionais, uma vez que não têm acesso à bolsa da DGES, ou alunos que tenham perdido a bolsa do Governo por não terem feito as cadeiras suficientes para manterem o apoio financeiro. Assim, o IPB disponibiliza as “bolsas de colaboração” que consiste em “proporcionar aos estudantes experiências em contexto de trabalho”, como por exemplo nas cantinas, nos campos desportivos, nas bibliotecas e nos laboratórios. Em troca, o pagamento pode ser feito através de senhas na cantina, através de um pagamento de quatro euros à hora, que depois servirá para pagamento de rendas ou despesas, e através pagamento de propinas. As horas de trabalho são sempre atribuídas consoante os tempos livres do estudante. Elisabete Madeira adiantou que o número de pedidos de ajuda aumentou significativamente durante a pandemia, devido ao encerramento de empresas, deixando algumas famílias com dificuldades económicas. No entanto, “recentemente tem havido menos pedidos de ajuda”. “Continua a haver estudantes que manifestam dificuldades em se sustentarem, mas em muito menor quantidade do que foi naqueles anos da pandemia”, vincou. O Serviço de Acção Social do Politécnico de Bragança funciona com uma rede de parceiros para ajudar os estudantes, como a Câmara Municipal, a Cruz Vermelha Portuguesa, a Cáritas Diocesana Bragança-Miranda e a Santa Casa da Misericórdia.
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