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Estação do AVE de Sanabria aproximma Bragança do centro da Europa

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Ter, 27/07/2021 - 15:04


Bragança tornou-se a cidade portuguesa mais próxima da Alta Velocidade Espanhola depois de ter sido oficialmente inaugurada a estação do AVE de Sanabria, no passado dia 22

A capital de distrito passa agora a estar a menos de três horas de distância de Madrid. A viagem por comboio rápido entre Madrid e a estação da Sanabria demora 1h50, quando a ligação ferroviária regular entre a Puebla e capital do país vizinho varia entre 4 e 5 horas. “Supõe uma melhoria dos tempos muito significativa e conta com quatro ligações à Galiza e a Madrid por dia”, destacou a ministra espanhola dos Transportes e Mobilidade, Raquel Sánchez, que presidiu à cerimónia de abertura da Estação de Sanabria. No entanto, os 50 quilómetros de Bragança até Otero de Sanabria, onde pára o AVE, demoram cerca de uma hora a ser percorridos. O alcaide de Puebla de Sanabria, José Fernandez Blanco, insistiu que a melhoria da ligação rodoviária até Bragança é fundamental. “O importante é que sejamos capazes, entre todos, de conseguir isso”, afirmou. “Estivemos sempre muito sós, tanto o autarca de Bragança como o de Sanabria, fomos os únicos que acreditámos sempre que é muito necessário estarmos mais perto por estrada. Ainda estamos muito longe, não pode ser. Não podemos demorar 1h50 até Madrid e uma hora de Puebla a Bragança”, sublinhou. O autarca destacou, ainda assim que este foi um dia “importantíssimo para toda a comarca e para o Nordeste Transmontano”, porque “abre uma janela de oportunidades, põe-nos perto de Madrid”. O presidente da autarquia de Bragança, Hernâni Dias, presente na cerimónia de abertura da estação, destacou o impacto da concretização desta reivindicação antiga, também do território português ao aproximar o concelho do resto da Europa, “o que permite pensar no desenvolvimento económico, o tecido empresarial está, a partir de agora, mais próximo dos grandes centros de consumo a nível europeu e no desenvolvimento turístico, a região estará mais apta de poder aproveitar esta oportunidade aberta com esta ligação”. Mas o autarca reforçou também que tem de ser resolvido o bloqueio rodoviário. “Espero sinceramente que esta ligação, que falta de Bragança a Sanabria, seja uma realidade a curto prazo, de forma a que eliminemos este grande estrangulamento ao desenvolvimento do território”, frisou. O presidente da Câmara Municipal de Bragança espera ainda que não seja construída “uma estradinha”, porque isso “não resolve o problema a ninguém”. A construção desta estrada apresenta vantagens também para os espanhóis, ao permitir que haja “complementaridade com o aeródromo de Bragança”. Segundo Hernâni Dias, alguns espanhóis já apanham o avião em Bragança para se deslocarem para Lisboa ou para o Sul do país. Do lado português já foi anunciada a intenção de construir a ligação rodoviária transfronteiriça, que foi incluída no Plano de Recuperação e Resiliência, mas é necessário que o governo espanhol e a região de Castela e Leão concordem em dar prioridade à construção. O presidente da Junta de Castela e Leão, Alfonso Fernandez Mañueco, concorda que a abrangência da estação do AVE da Sanabria se estende a Bragança e acredita que será possível utilizar dinheiro dos fundos europeus para melhorar a ligação. “Esta estação tem como base fundamental a área de Bragança, são 130 mil habitantes. Para Castela e Leão e Espanha é muito importante manter uma relação fluída” com a região portuguesa, o que não acontece caso não sejam “melhoradas as ligações entre Puebla de Sanabria e Bragança”. Para discutir o projecto será realizada uma reunião com as autoridades portuguesas no próximo mês de Agosto. A ligação ferroviária por alta velocidade entre Zamora e Pedralba de la Pradería já estava a funcionar desde o ano passado, no entanto, os passageiros só podem sair ou apanhar o AVE na estação mais próxima de Bragança a partir de agora, pois faltavam autorizações ligadas às acessibilidades. A alta velocidade espanhola deve chegar a Ourense ainda este ano, completando o trajecto desta linha entre Madrid e Galiza.

Jornalista: 
Olga Telo Cordeiro