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Preservação do mirandês está em momento crítico

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Ter, 22/06/2021 - 11:41


As III Jornadas da Lhéngua Mirandesa Amadeu Ferreira debateram o futuro da segunda língua oficial do país, sábado em Miranda do Douro

O investigador Xosé Henrique Costas considera que este é um momento crucial para a preservação da língua”. O catedrático da Universidade de Vigo afirma que “se se mantiver este ritmo de decrescimento, em 25 anos não haverá língua”, por isso entende que “estamos num momento crítico ou se salva agora o mirandês ou depois será muito difícil”. Xosé Henrique Costas apresentou um estudo sobre os usos, atitudes e conhecimento do mirandês por parte da população do concelho e uma das conclusões é que mais de metade da população inquirida fala bem mirandês, mas o que é comum à maioria dos que participaram é que querem que a língua seja salva. “60% da população ainda fala bem o mirandês, 25% não fala, mas gostaria de falar. Quanto mais novos são, com menos de 20, 25 anos, têm atitudes muito positivas”, sublinhou. O estudo revela que os inquiridos querem que haja no mirandês “uma oficialidade real, não como há agora que é apenas um reconhecimento”, pedem que o mirandês “esteja presente na escola e não como matéria extracurricular, mas regrada com os seus materiais”, que “esteja presente na câmara” e noutros locais para que não tenham de mudar de língua quando forem ao médico ou perante um juiz ou outro funcionário que diz não entender mirandês. “Mas sobretudo o que não querem é que a língua desapareça, têm toda a vontade”, a par isso acham necessário que haja “medidas políticas que lancem a mensagem de que o poder político e administrativo percebeu que o povo quer manter o seu património milenar” que diz ser “da humanidade” e não só dos mirandeses. Apesar de cerca de 68% dos alunos do agrupamento escolherem a disciplina de mirandês, o conhecimento não avança. “A escola por si só não pode salvar o mirandês, tem de ser ajudada com outras medidas, mas sem a escola não há salvação”, afirmou Costas. A assinatura da carta europeia das línguas minoritárias é um dos passos fundamentais, entende Alcides Meirinhos, da direcção da Associação da Língua e Cultura Mirandesa, que organizou as jornadas que este ano contaram com a participação de elementos de nove universidades nacionais e de outros países, que deram contributos para criar caminhos para que a língua não se perca. A associação lançou, também com esse propósito, um roteiro e uma das vertentes passa por fazer recolhas para que o mirandês seja estudado. “São caminhos para a língua, uma forma de a registar, preservar, manter e promover. É um programa com pés e cabeça, pensado por nove pessoas, não só pela associação, para ver qual a melhor maneira de manter a língua e de a falar. Há pessoas que ainda não se capacitaram que a língua vale dinheiro, é o maior factor diferenciador da Terra de Miranda”, sublinha Alcides Meirinhos. Para implementar o programa serão necessários 500 mil euros, que a associação espera conseguir através de parcerias. A assinatura da carta europeia das línguas minoritárias é um dos passos fundamentais, entende Alcides Meirinhos. O Roteiro para a Língua Mirandesa prevê documentar e estudar o mirandês, aumentar o número de falantes, bem como a visibilidade da língua, promover o emprego, criar um centro de interpretação da língua mirandesa, bem como um centro de documentação, com um arquivo de memória, uma biblioteca de mirandês e uma página virtual.

Jornalista: 
Olga Telo Cordeiro