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S. Martinho recebe pauliteiras

Ter, 13/11/2007 - 10:56


Meia centena de Pauliteiras, dos 5 aos 50 anos, reuniram-se no 2º Encontro Nacional de Pauliteiras, que decorreu no passado sábado na localidade de São Martinho, concelho de Mogadouro. A iniciativa, integrada nas festividades tradicionais de São Martinho, cativou a atenção de muitas pessoas que se deslocaram à aldeia. O encontro veio provar, mais uma vez, que a tradicional “dança dos paus”, uma cultura secular das Terras de Miranda, não é exclusiva do sexo masculino.

Até ao momento o número de “dançadeiras” tem aumentado um pouco por todo o Planalto Mirandês, conhecendo já dois grupos de pauliteiras: um em Bemposta (Mogadouro) e outro em Miranda do Douro. Estes grupos garantem a continuidade desta dança no feminino.
Os grupos de pauliteiras têm sabido manter a tradição da danças dos paus, mas, ao mesmo tempo, têm introduzido algumas alterações, como é caso da elegância e leveza na forma de dançar, retirando aos tradicionais “lhaços” alguma carga guerreira que poderá estar na sua origem.

Pauliteiras introduzem inovações na tradicional dança protagonizada por homens

“Actualmente, as pauliteiras introduzem alguma encenação, como é caso da dança dos ofícios. Talvez queiram transmitir um ar mais descontraído à dança, já que os homens dançam com movimentos mais enérgicos e com batimentos de paus mais estridentes”, afirma António Rodrigues Mourinho, investigador da cultura mirandesa.
Além disso, há “lhaços” que são dançados sem pertencer à tradição das gentes da terra de Miranda e os actuais grupos de pauliteiras, através da técnica já adquirida, estão a inclui-los nos seus repertórios, como um claro sinal de invocação.
“Outra das alterações verificadas são as modificações efectuadas nos fatos das pauliteiras. Como, no passado, não havia grupos femininos, tiverem de se criar indumentárias adequadas para as mulheres”, acrescenta o investigador.
Para o próximo ano fica a promessa por parte da Junta de Freguesia de São Martinho do Peso de que o encontro de pauliteiras passará a ter um cariz ibérico, com a presença de grupos de pauliteiras oriundos da vizinha Espanha.