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Perguntas que alguém saberá responder porque eu não tenho a mínima ideia (2)

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Foi-nos propagandeado que o aumento da dívida pública provocava o aumento dos juros. Em Portugal não foi assim. Aumentou a dívida e baixaram os juros. É esta a minha perplexidade pois isto não bate certo com a lógica, quando muito com a regra três de Vinicius de Morais “onde o menos vale mais”. Suponho que a explicação não passa necessariamente pela lógica dos números. Aqui entra a lógica da banca mundial, dos especuladores, das agências de rating etc, com o seu capital de influência sobre toda a teia financeira. As agências de rating é que decidem do crédito aos Países. Uma espécie de avalistas do Mundo. Aqueles que emitem as cartas de conforto aos Países para eles se poderem financiar nos mercados. Entidades cuja competência e idoneidade deviam estar acima de qualquer suspeita. Mas não estão. O banco Lehman Brothers, aquele que deu origem à crise, estourou nas mãos dos “Três Grandes” (Fitch, Standard & Poor’s, Moody’s) umas semanas depois destes terem emitido um relatório garantindo a robustez financeira do banco. No entanto continuaram a operar como se nada se tivesse passado, sem serem alvo nem de investigação nem de sansões nem tão pouco de uma simples admoestação. (“Quem julga os juízes”? Perguntava Kafka) Não contentes com a performance Lehman Brothers, que aliás não era caso único, e do alto da sua inimputabilidade até se deram ao luxo de considerar que Portugal, Grécia e Irlanda são, em matéria financeira, lixo. Esta tomada de posição foi entendida, por muitos analistas Europeus, intencional, na tentativa de provocar a Crise Europeia de Dívida Soberana que de facto conseguiram. E assim está o Mundo financeiro dependente dos humores de umas agências cujas prestações não têm, por vezes, nada de recomendável. Já agora um aparte mas que corrobora o que foi dito. Herr Schauble fez declarações, à uns tempos, dizendo que Portugal tinha ido muito bem com Passos Coelho mas que este Governo causava dúvidas e apreensões que tinham tido por consequência o aumento as taxas de juro. Não era verdade que as taxas tivessem subido, mas subiram logo após esta declaração. A deselegância com que tratou os seus pares e a tentativa de ingerência num País soberano mostram o Ministro das Finanças da Alemanha como um homem verdadeiramente boçal. Não obstante isso, é um facto que ele não deixa de ter o peso que a Alemanha lhe empresta. O Sr Ministro sabe disso e sabia que as suas declarações provocariam uma subida da taxa de juros, que nesta matéria não há ninguém distraído. Portugal perdeu mas alguém ganhou, o que me leva a ver neste incidente uma intenção verdadeiramente escandalosa. Tudo isto me leva a ter uma visão perversa, quase maquiavélica, destes procedimentos. E é assim: no mundo dos Países com problemas financeiros todos eles arranjam uma agência de rating, numa espécie de Tordesilhas financeiras, que lhe dá o aval sem o qual não podem ir aos mercados. Sem esse aval, os Países têm custos incomportáveis com os juros e as agências sabem isso muito bem. Sendo assim pergunta-se: as classificações que as agências de notação financeira atribuem à saúde financeira dos Países é idónea? É isenta? Tem custos? Por outras palavras: as classificações que a agência de rating DBRS tem dado a Portugal, e que valem muitos milhões de Euros, é de “graça”? Custa-me a crer.

Por Manuel Vaz Pires