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Pintura para alargar horizontes

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Ter, 04/02/2020 - 10:20


Olá gentinha boa e amiga!

Este ano o mês de Fevereiro é XL, porque o ano é bissexto e traz mais um dia. Como diz o povo “o primeiro de Fevereiro jejuarás, o segundo guardarás e o terceiro é dia de S. Brás. Semeia o cebolinho e tê-lo-ás”, ou “dia de S. Brás a cegonha verás, se não a vires o Inverno vem atrás”, mas também “Fevereiro enxuto rói mais pão do que quantos ratos há no mundo.”

Neste mês já se notam bem os dias a crescer pois “em Fevereiro entra o sol em qualquer ribeiro”, mas atenção porque “o Fevereiro engana as velhas ao soalheiro.”

Nos primeiros dias do mês, festejou-se a Sr.ª das Candeias (2 de Fevereiro), e houve festa em Nogueira (Bragança), em honra da Sr.ª da Cabeça.

A avó Laurinda ainda se recorda de há 70 anos se fazer, pelas ruas de Bragança, a procissão das candeias. No dia 3 festejou-se o S. Brás, advogado das doenças da garganta.

O mês entrou com uma temperatura mínima de 12 graus, muito alta para esta altura. A nível agrícola, a nossa gente anda em força nas podas e nas plantações de castanheiros e oliveiras.

Nestes últimos dias festejaram o seu aniversário o Manuel Rodrigues (78), de Parada (Bragança), o pai do nosso Zé do Pipo; Ana Corina (34), de Parada (Bragança), esposa do Carlos da Grua; Adelino Morais (67), de Espinhoso (Vinhais); João Marques (52), de Paradinha Nova (Bragança); Luís Pires (25), de Milhão (Bragança); os irmãos Luís (48) e Victor Silva (45), de Nunes (Vinhais), filhos do tio Chedre; António Maria e António João (79), ambos de Genísio (Miranda do Douro); Paula Cubo (48), de Caravela (Bragança); Tiago Fidalgo (34), de Paradinha de Outeiro; Ana Rita (30), de Rio Frio (Bragança); Guilherme Rodrigues (60), de Grijó de Parada (Bragança); Orlando Neto (74), de Nuzedo de Baixo (Vinhais); Sofia Morais (67), de Veigas de Quintanilha (Bragança) e Pedro Venâncio (69), de Vila Chã da Braciosa (Miranda do Douro).

Para todos muitas saúde e paz, pois já sabemos que o resto a gente faz.

Agora vamos conhecer melhor a nossa tia pintora, Isilda Martins, da Especiosa (Miranda do Douro).

 

Já há algum tempo que a tia Isilda dos Ramos Martins, da Especiosa (Miranda do Douro), se apresentou à nossa família, umas vezes ligando da Especiosa e outras de Madrid, onde passa algumas temporadas com os seus filhos e netos.

Nasceu a 30 de Março de 1950. Com 3 meses de vida foi com os seus pais para o Rio de Janeiro (Brasil), viver com os tios, onde frequentou um colégio até aos 8 anos. Regressou com os seus pais, em 1958, à sua terra natal, porque os seus avós já não tinham saúde para dar conta do recado de toda a faina agrícola com que lidavam na altura.

Em 1970, farta da vida na agricultura, resolveu ir para casa de uns tios, que moravam em Madrid. Ao fim de seis anos de namoro casou com um madrileno e teve três filhos. Tirou o curso de cozinheira e trabalhou na profissão durante 30 anos.

O despertar da tia Isilda para a pintura surgiu nos finais dos anos 80. Contou-nos que “uma vez fui ao Corte Inglês, em Madrid, onde estavam a oferecer folhas com desenhos tracejados para pintar. Quando cheguei a casa, resolvi pintar a folha que me tinham dado e no fim achei que não tinha ficado assim tão mal.” Desde então começou a comprar blocos de folhas, lápis de cor e borrachas. Uns tempos mais tarde, a tia Isilda resolveu ir a uma casa de pintura e adquirir telas e tintas de óleo, descobrindo assim que “a pintura estava escondida dentro de mim.” Contou-nos também que “basicamente pinto retratos e paisagens. Além de me relaxar, a pintura traz-me satisfação e elevação de espírito, bem como inspiração para ultrapassar os problemas, pois tive pouca sorte com o meu falecido marido, porque sempre me deu uma vida de maus tratos.”

A tia Isilda fez a sua primeira exposição/venda de quadros em 25 de Novembro de 2019, na Casa da Cultura Mirandesa, em Miranda do Douro, com mais de 50 obras expostas, tendo vendido 8 durante os dois meses que durou a exposição.

Além da pintura, também tem uma colecção de rendas e bordados em ponto-de-cruz, assim como alguns peluches em fio de lã, tudo feito por si, estando inscrita na Casa da Cultura Mirandesa para, futuramente, expor estes trabalhos. Actualmente passa a maior parte do tempo na sua aldeia, Especiosa, tratando das actividade agrícolas.

Parabéns à nossa tia Isilda que, sem formação académica em pintura, descobriu esta sua paixão, que tantas alegrias e realização pessoal lhe tem proporcionado.

Que continue sempre com o mesmo entusiasmo que a tem motivado até aqui.