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Henrique o homem golo do Vimioso e do campeonato distrital

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Ter, 17/01/2017 - 16:23


São já dez os golos apontados por Henrique da Divisão de Honra da A.F.Bragança decorridas outras tantas jornadas, o que significa uma média de um golo por jogo. Os últimos dois foram marcados, no passado domingo, no encontro com o Santa Comba da Vilariça.

Líder dos leões recebido em Bragança por cerca de duas centenas de sportinguistas

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Ter, 17/01/2017 - 16:20


Foi a primeira vez que um presidente do Sporting CP marcou presença na cidade de Bragança.
Bruno de Carvalho jantou, na sexta-feira, com cerca de 200 adeptos e sócios num evento promovido pelo Núcleo Sportinguista brigantino.

José Pereira desafia técnicos de futebol a formar um núcleo de treinadores.

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Ter, 17/01/2017 - 16:16


Criar um elo de ligação entre os treinadores e a Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF) de forma a organizar mais acções de formação no futuro será uma das vantagens com a formação de um núcleo de treinadores de Bragança.

A família pelo mundo...

Ter, 17/01/2017 - 10:17


Olá familiazinha! Já estamos chegados à segunda quinzena do ano, ainda com cheiro a novo. Estamos em maré de constipações e gripes e, como diz o povo, o remédio é “abafa-te, avinha-te e abifa-te!
É também a época dos ‘santos do fumeiro’ porque, no passado dia 15 de Janeiro, foi o dia de ‘Santo Amaro Buteleiro’. Neste dia é usual em algumas localidades saborear-se o butelo. Antes das grandes feiras do fumeiro que aí vêm, já é possível comprá-lo nas festas de Santo Amaro (15 de Janeiro), Santo Antão (17 de Janeiro), São Sebastião (20 de Janeiro) e São Vicente (22 de Janeiro), fumeiro este que foi oferecido pelos devotos e que vai a arrematação a quem oferecer mais.

 

Nós trasmontanos, sefarditas e marranos - Diogo Gonçalves, o belfo (1562– ?)

Corria o ano de 1578. na época das colheitas. Em Vale Prados, então termo de Bragança, Isabel Cardoso, viúva de João Gonçalves, acompanhada pelo filho Diogo Gonçalves e pelo sobrinho Gonçalo Fernandes procediam à cobrança das rendas devidas à Sé de Miranda do Douro, que traziam arrematadas. E estando os três na mesma casa, como judeus que eram na intimidade, fizeram as suas orações e cerimónias judaicas.
Passados quase 12 anos, em Novembro de 1589, quando a cidade de Bragança era tomada por uma vaga de prisões, Gonçalo Fernandes, receoso que o prendessem também, apresentou-se perante o vigário geral a confessar seus pecados. E um dos “pecados” que confessou foi exatamente o que ficou descrito.(1)
A essa altura a tia Isabel era já falecida e o primo Diogo, então com 28 anos, “estava recebido” para casar com Catarina da Paz, vivendo com ela em casa de seus cunhados, na rua Direita, de Bragança.
E bastou esta simples e única denúncia para os inquisidores de Coimbra decretarem a prisão de Diogo Gonçalves, o belfo, de alcunha, que ali foi entregue pelo solicitador Onofre Figueiredo, em 19 de fevereiro de 1591.
No decurso do processo, enquanto esteve preso, choveram denúncias contra ele. Tal como ele denunciou quantidade de correligionários. Era esse o ambiente criado: todos “davam em todos”. A tal ponto que os “marranos” brigantinos conseguiram entupir e paralisar o tribunal da inquisição de Coimbra e fazer com que nas suas cadeias metessem alguns dos cristãos-velhos que na cidade mais festejavam e folgavam com as prisões dos “judeus”. O assunto foi estudado pela Dr.ª Elvira Mea e ficou conhecido como o caso dos falsários de Bragança.(2)
Acompanhemos agora a prisão de Diogo que foi metido na cadeia da cidade, enquanto se procedia ao sequestro dos seus bens e organizava a “leva” para Coimbra. No mesmo espaço, com ele, foram metidos outros 9 companheiros, um dos quais se chamava Luís de Carrião que acrescentou mais uma denúncia contando aos inquisidores:
— Estando todos juntos na cadeia, apartados da outra gente e vendo-se em tão grande aperto como o em que estavam, todos e cada uma das ditas pessoas juntamente com ele chamavam pelo Deus dos Céus que lhes valesse e os tirasse de tamanho aperto, assim como tirara os filhos de Israel da fúria e aperto do Faraó.(3)
Manuel Rodrigues “caminheiro” foi ali falar com um dos prisioneiros (Jerónimo Mendes) e combinaram que ele “caminheiro” fosse na frente, a Coimbra e falasse com os penitenciados no último auto da fé(4) que andavam na cidade cumprindo suas penitências, para saber quem haviam denunciado e viesse depois ter com eles ao caminho para lhe dar a resposta a fim de prepararem defesa. Pagou-lhe e… a verdade é que não mais viu a resposta nem o dinheiro nem o “caminheiro”. 
Outro dos prisioneiros era Rodrigo Lopes, porventura o homem mais endinheirado de Bragança,(5) sogro do fidalgo Pedro de Figueiredo, que em sua casa morava. E constituindo um escândalo a sua prisão, muita gente se movimentou para o ajudar e livrar. E um deles foi Miguel de Sousa, um homem da nobreza de Bragança, cavaleiro da ordem de Santiago que foi entregar-lhe um papel às escondidas, quando a comitiva se encontrava no lugar de Santo Amaro, termo de Foz Côa. Este e outros episódios levariam à prisão e morte de Miguel de Sousa.
Obviamente que tudo isto eram culpas que implicavam o nosso biografado, mesmo não sendo o autor, na medida em que tinha obrigação de as denunciar e colaborar com o santo ofício. No entanto havia outros factos bem mais comprometedores.
Voltemos a Bragança, à rua Direita, a casa de Estêvão Cardoso e Justa Fernandes, avós maternos de Diogo Gonçalves. Esta era a casa em que muitos dos marranos de Bragança costumavam reunir-se em sinagoga “por ela, Justa Fernandes, ser entendida nas coisas da lei de Moisés e a ensinava a todos”.
E quem chamava os outros para as “sinagogas” naquela casa era precisamente Diogo Gonçalves. E esta, de ser o “chamador” era uma acusação extremamente grave. Mas vejamos o testemunho de António Rodrigues, o bonilha, explicando como celebravam então o dia sagrado do Kipur:
— Disse que em casa de Justa Fernandes se declarou também com Estêvão Cardoso, seu marido, e com Isabel Cardosa e João Gonçalves, seus filhos, e com Diogo Gonçalves, filho de Isabel Cardosa, e com Pero Fernandes, o papudo, e com Mécia Fernandes sua mulher, e com Gaspar de Burgos e sua mãe Filipa Fernandes, e com Isabel de Burgos mulher de Francisco de Castro o machim, filha da dita Filipa Fernandes, e com Ana Fernandes, irmã de Isabel de Burgos, mulher de João Afonso, e com Gabriel de Burgos, cristão-novo, sapateiro, irmão dos sobreditos e com Francisca de Leão, cristã-nova viúva, sobrinha de Estêvão Cardoso, mulher que foi de Pero Lopes, sapateiro, e com Filipa Fernandes, filha de Pero Fernandes, papudo e mulher de Manuel Fernandes, cristão-novo, sapateiro; e todos juntos ora uns ora outros, em casa de Justa Fernandes, em setembro; e o dito Diogo Gonçalves era o que chamava cada uma das ditas pessoas, por mandado de Isabel Cardosa sua mãe; e ali estavam 3 dias contínuos pelo mês de setembro, não comendo em um deles senão à noite que cada um ia cear a sua casa, declarando-se todos por judeus. E António Cardoso, cristão-novo, curtidor, filho da dita Justa Fernandes e Luís Cardoso, filho de António Cardoso, que foram presos; e Diogo Gonçalves não foi sempre o chamador, só de 10 anos a esta parte, por ser moço…
Descrições semelhantes foram feitas por outros participantes das “sinagogas” em casa de Justa Fernandes, mesmo depois da morte do marido e da filha Isabel, mãe do nosso biografado, que então assumiria as funções de “chefe da família”. Em uma dessas descrições, feita por Álvaro Vaz, padrasto de Diogo, se diz que a casa estava separada da de António Rodrigues, seu parente e vizinho, “somente por um tabuado pelo meio do aposento” e aquele era o anfitrião dos “ajuntamentos” depois que faleceu Justa Fernandes, por 1589.
Particular amigo, companheiro e cúmplice de Diogo Gonçalves era um Dinis Fragoso, rendeiro, nascido em Lisboa, criado em Torre de Moncorvo e casado em Bragança onde era morador. E em certa altura, os dois decidiram ir à feira de Santiago de Compostela, em companhia de 4 outros mercadores de suas relações. E foi decidido que eles dois seguissem na frente, encarregados de preparar o jantar, o que fizeram na aldeia de Vilarandelo onde compraram um pão e um quarto de “crestão”. E antes de assarem o cabrito tiraram-lhe a “lândoa”,(6) cumprindo a lei judaica. E quando os outros chegaram e se sentaram a comer, todos reconheceram e concordaram, que o mesmo é dizer que todos mostraram que conheciam a lei judaica e a seguiam, na medida do possível. Continuaram a viagem e, no regresso, todos combinaram reunir-se, como ele explicou Diogo aos inquisidores:
— (…) Tornaram a caminhar e se descobriram por judeus e se concertaram todos que, tanto que chegassem a Bragança logo na sexta-feira seguinte jejuassem um jejum judaico por guarda da dita lei e fosse que era em casa do dito Dinis Fragoso que tinha um forno e com efeito chegaram à quinta-feira à noite a Bragança e logo naquela sexta-feira à boca da noite foi a casa de Dinis Fragoso que tinha feito uma ceia de garbanços, peixe e outras coisas que não eram de carne e todos cearam.
Muitas notas de interesse para o estudo da vida quotidiana da comunidade hebreia de Bragança nos fornece o processo de Diogo Gonçalves cuja profissão era a de sapateiro mas também saía a comprar sumagre para a preparação das solas, atividade certamente aprendida com o pai que era curtidor.
Resta dizer que a estadia de Diogo Gonçalves nas masmorras de Coimbra se prolongou por mais de 2 anos, saindo condenado no auto da fé de 26.6.1593 onde foram relaxados 9 correligionários seus de Bragança: Diogo Fernandes; João Vilhalpando; João de Carrião; Manuel Rodrigues; Ana Pereira; Francisca de Leão; Isabel Rodrigues; Isabel da Mesquita e Henrique Afonso que se matou no cárcere.

NOTAS E BIBLIOGRAFIA:
1 - ANTT, inq. Coimbra, pº 9697, de Gonçalo Fernandes.
2 - MEA, Elvira Cunha de Azevedo – A Inquisição de Coimbra no Século XVI, a Instituição, os Homens e a Sociedade, Fundação Engº António de Almeida, Porto, 1997, pp. 474-480.
3 - ANTT, inq. Coimbra, pº 475, de Diogo Gonçalves.
4 - O citado auto de fé realizou-se em 26 de Novembro de 1589 e nele foram relaxados 5 cristãos-novos de Bragança: Pedro Cardoso; Filipa Rodrigues; António Cardoso; Luís Cardoso e Afonso Rodrigues.
5 - Para avaliar da importância deste homem bastará dizer que a Rua Direita de Bragança era também chamada de Rua Larga e de Rua de Rodrigo Lopes.
6 - Os judeus não comem o nervo ciático que está na articulação da coxa, em memória da luta de Jacob durante a noite na qual foi ferido na coxa – Genesis, 32:33.

Por  António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães

Porquê Trump? Porque não Donald?

Mal se começou a adivinhar a vitória de Trump nas eleições Americanas logo se perfilaram jornalistas e politólogos explicando aquilo que, sendo óbvio para eles, para todos foi uma surpresa. E tão surpreendente foi que Hillary Clinton ganhando no voto popular, perde a eleição. Bem se pode queixar da Geografia eleitoral, da regra do pleno eleitoral por Estado pois, dos quase 3 milhões de votos que teve a mais que o rival, bastavam-lhe só mais 100 mil na Flórida para ganhar a eleição. Em contrapartida não pode queixar-se da Comunicação Social que, de forma pouco ética direi mesmo desavergonhada, a promoveu e a passeou ao colo enquanto diabolizava o adversário. E até o Presidente Obama lhe manifestou apoio público numa atitude sem precedentes e quebrando aquilo que é a regra de ouro de um Presidente: não se deixar transformar em Presidente de facção. Mas porque é que os políticos e a imprensa em geral vêem em Trump o princípio do fim da civilização Ocidental? Só lhes falta dizer que pertence ao “eixo do mal”. O anúncio de cenários dantescos caso se verificasse a sua eleição levaram o Primeiro Ministro Húngaro, xenófobo, racista e populista como ele, a comentar três dias depois do acto eleitoral ironizando: “três dias depois do apocalipse, eis-nos aqui vivos e inteiros”. E socorrendo-se de Louis Armstrong acrescentou: “what a wonderful world”. O mal anunciado é tanto que dá para parodiar. Trump é aquilo que ali está: um labrego, um boçal, um “pato bravo cheio de dinheiro, um populista, um “nonsense” e, cereja em cima do bolo, pensa-se o macho alfa das américas conforme gravação reveladora. Mas não é por isso que o rejeitam. É antes uma guerra corporativa. Os políticos têm espírito de casta e não aceitam bem que um arrivista, um “penetra” queira entrar num mundo para o qual, dizem, não tem pedigree. A regra na América é que os candidatos sejam oriundos ou do Congresso ou do Senado ou sejam Governadores de Estado ou militares de altíssima patente. Além disso há famílias que têm lugar cativo nesse fórum como os Kennedy, os Bush ou os Clinton. Trump não é nem tem nada disso. Mas então os americanos que gostam tanto de apresentar o seu País como o País das oportunidades, onde qualquer um pode ascender ao topo da pirâmide social e que tinham aqui um belíssimo exemplo demonstrativo dessa realidade, que fizeram? As elites diabolizaram-no mas o povo quis ver a sua Cinderela.
Mas será assim tão mau quanto o pintam? A gestão interna irá ser muito conservadora pois ele coloca-se politicamente muito à direita. É a favor da pena de morte, é contra o aborto, é contra o Estado Providência, é a favor da liberdade de uso e porte de arma de fogo, é contra a imigração, etc. Mas isso é com os americanos e só me interessa na justa medida em que sou solidário com o povo americano. A política externa, sim, interessa-me pois todos os Países e Portugal em particular sofrem os efeitos diretos e colaterais dessa política. E aí numa análise às políticas externas de outros presidentes americanos depois da 2ª grande guerra, desde que a América “botou vulto no Mundo”, ele tem de ser muito mau só para empatar. Portanto não é coisa a que não estejamos já habituados. Senão vejamos: Truman pegou nas rédeas do poder mesmo em cima do fim da 2ª grande Guerra mas ainda teve tempo de nos brindar com duas flores: uma foi a “pulverização” de Dresden num acto gratuito de exibição de poderio militar. Dresden já não era alvo militar e as tropas Nazis estavam à beira da rendição; outra foi o lançamento de duas bombas nucleares em alvos perfeitamente civis, Hiroxima e Nagasaki, e já depois dos alemães se terem rendido (teve sorte pois nunca há criminosos de guerra entre os vencedores). Depois veio a paz mas não demorou nada a arranjar a Guerra da Coreia. A seguir vem Eisenhower que tinha sido Comandante Supremo das Forças Aliadas na Europa e portanto co-responsável pelo varrimento de Dresden da superfície da Terra e que apesar de já serem conhecidos os horrores provocados pela bomba nuclear não teve qualquer constrangimento ao ameaçar a China com a sua utilização para reverter a seu favor a Guerra da Coreia. O católico Kennedy pôs o Mundo à beira de um ataque de nervos com a invasão, falhada, da Baía dos Porcos e a Crise dos misseis em Cuba. No pouco tempo que lá esteve ainda conseguiu arranjar um caldo de cultura para a guerra do Vietnam que o seu sucessor veio a declarar. Bom, não querendo ser exaustivo não posso deixar de lembrar a invasão americana de Granada, um pequeno País Caribenho com 100 mil habitantes, pelo facto de ter um governo marxista. “Não no meu quintal!,” sentenciou Ronald Reagan. A invasão foi condenada pelas Nações Unidas e até, pasme-se, Margaret Thatcher alinhou no coro das condenações. Por último queria recordar talvez o caso mais emblemático da arrogância e prepotência políticas com que os USA encaram as relações com outros Estados. Refiro-me à segunda invasão do Iraque feita à revelia da ONU e para a qual foi usada uma argumentação justificativa que não passava de uma mentira grosseira prontamente desmascarada na altura. O desenvolvimento da guerra veio confirmar o gigantesco embuste em que fomos envolvidos. Essa questão teve há poucas semanas novos desenvolvimentos quando Trump dirigindo-se a Jed Bush, candidato Republicano nas primárias e irmão de George Bush, lhe disse ser o irmão o culpado de tudo quanto estava a acontecer no Médio Oriente por causa da destruição do Iraque sem justificação. Só gostava de saber se, depois de tanta morte, tanta destruição, de tanto drama, sobretudo o dos refugiados, os protagonistas deste evento, que na gíria político-militar se chama de inventona, estão confortáveis consigo mesmo.
(Tenho para mim que as razões que levaram à guerra são outras. As razões que a América aduzia, armas de destruição maciça, arma nuclear etc, eram falsas e eles sabiam, portanto não eram essas. Por outro lado a Comunidade Internacional acusava os Estados Unidos de terem como verdadeiras razões para a guerra o controle de grandes reservas de petróleo e a reconstrução do Iraque a expensas do próprio Iraque. Mas eu acho que a guerra se tornou inevitável quando Saddam Hussein anunciou só aceitar o Euro como moeda de pagamento do petróleo. Podia ser o fim do Dollar como moeda única de pagamento universal com todas as implicações que isso teria.
“A verdade em política tem que ser escoltada por várias mentiras” Churchill dixit )
Voltando ao tema. Perante este quadro poderá Trump fazer pior? Pode, mas é difícil. Trump não terá cultura ideológica, não terá até cultura mas será certamente um homem inteligente. E sem espartilhos ideológicos nem enfeudamentos a nenhum Clã irá governar como quem faz um negócio. De forma pragmática, com a sensibilidade e a intuição de negociante que são aqueles que sempre sabem de que lado do pão é que está a manteiga. Atente-se a esta aproximação à Rússia com a qual não sentirá qualquer afinidade. Trump tem medo da China e tem ainda mais medo que a Rússia e a China formem um bloco. A única forma de equilibrar é fazer ele próprio uma aliança com a Rússia. Isto é pragmatismo. E é este pragmatismo que poucos políticos são capazes de exibir. Veja-se este exemplo pela negativa: quando da dissolução do Bloco Soviético a Comunidade Europeia fez uma política de assédio a todos os países que o constituíam e com bons resultados. Todos eles pertencem hoje à Comunidade Europeia. Todos excepto um. E até mesmo quando a Rússia cambaleava ao ritmo de Ieltsin e cedia a toda e qualquer exigência do Mundo Ocidental nem assim foi convidada a entrar para conjunto Europeu. Antes pelo contrário. A Europa refém dos seus tabus e complexos preferiu manter bem vivo o seu ódio de estimação. Apesar da alteração das circunstâncias a Europa preferiu continuar a ver os Russos como…Russos. Fez-nos falta na altura um Willy Brandt com a sua Ostpolitik (política para o Leste) essa visão descomplexada das relações entre Países, essa busca de sinergias num conjunto onde pode haver cumplicidades mesmo sem haver afinidades. Também era bom poder contar com a contribuição de um Charles de Gaulle com a sua visão estratégica e a sua independência. Charles de Gaulle vetou duas vezes a entrada do Reino Unido na Comunidade Europeia (tinha-nos poupado à vergonha do abandono), retirou a França do Comando Militar da NATO por uma questão de independência e foi a Moscovo enunciar uma verdade geográfica que queria ver replicada na política. “A Europa é do Atlântico aos Urais.”
Estes Homens morreram há muiiiiiito tempo.

Por Manuel Vaz Pires