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Abril abriu

Se o leitor procura entender as motivações geradoras do derrube do regime ditatorial de Salazar/Caetano tem à sua disposição centenas de obras, acrescidas dos relatos falados suave ou vibrantemente por actores principais felizmente ainda vivos, dotados de boa memória e acrisolada paixão (quantas vezes a raiar o maniqueísmo) na descrição dos acontecimentos vividos entre Abril de 1974, a Novembro de 1975.

Se o leitor gosta de ouvir relatos acerca do quotidiano pós 25 de Abril até às primeiras eleições legislativas nos principais palcos do PREC – Lisboa, Santarém, Tancos – sem sair da cidade bragançana convide de modo convincente o Director do Nordeste a imitar os aedos da Antiguidade e contar o ouvido a algumas personagens de primeiro plano no palco de representação bélica em tão agitada época. O Dr. Teófilo Vaz pode não se lembrar (?) de um para-quedista de Vinhais, de outro de Bragança, mas lembra-se a voz tonitruante do sempre «capitão» Salgueiro Maia a rememorar episódios dramáticos, risíveis, ternos, bruscos, de coragem, de medo, de lhaneza e de mesquinhez, desenrolados no  teatro militar e nos palcos civis cujos actores, figurantes, figurões e figurinhas usavam farda e vestiam roupas de várias tonalidades carregando nas cores ideológicas defendidas por cada qual.

O Dr. Teófilo Vaz sabe quanto eu o real valor das «verdades absolutas» cujo realce teórico poemos sopesar lendo as considerações do ilustre cortesão de Isabel I, de Inglaterra, na altura de aguardar na Torre de Londres o ficar desprovido da cabeça e entendeu descrever o modo como presenciou uma execução similar à dele. Significa isto o quê?

Significa personagem saliente participante no desencadear do desmoronamento do anterior regime enaltecer o seu ângulo de visão daí resultando, não raro, controvérsias às vezes díspares relativamente à importância de cada um no desenrolar das horas cruciais do histórico dia. Tive a sorte de ouvir várias vezes Salgueiro Maia explicar as palavras trocadas com Marcelo Caetano ni Quartel do Carmo, no momento da rendição, já li e suportei outras narrações bem diferentes. E, no entanto, Salgueiro Maia, no momento ficou sozinho ante o anterior símbolo do poder caduco.

Há semanas em amena troca de opiniões disse e mantenho – o 25 de Abril não passou por Bragança – sentiu de forma duradoura os seus efeitos bons e maus, dignos e indignos, nobres e cobardes, porém dada a ausência de valor estratégico o descascar não a cebola sim a sequência das operações ocorreu em Lisboa, como tudo de relevo estratégico ocorre, em Lisboa, quando os velhos carros de combate da Escola Prática de Cavalaria de Santarém obrigaram a cavalaria de Ferrand de Almeida retroceder.

Ora, no intento de contrariarmos a evocação da efeméride Abrilista não se traduzir num longo e aborrecido bocejo importaria conceber cerimónias ou encontros onde a causa e as consequências do 25 de Abril fossem comentadas, discutidas, reavivadas porque goste-se ou não aquele dia do mês de Abril de 1974 é marco determinante na nossa história. Abriu as portas de modo a liberdade entrou possibilitando a expressão falada, gritada, escrita do nosso pensamento, apesar dos dislates e excessos temos de estar agradecidos aos «capitães».

Se leitor considera exagerada a minha opinião faça o favor de olhar à sua volta, desde há quarenta e três anos podemos falar sem receio de as nossas palavras serem aprisionadas nos relatórios da bufaria e da PIDE, pode parecer vantagem modesta, pode sugerir ínfima parcela do viver de cada qual, porém todos quantos gostam de ser donos e defensores das suas ideias sabem quão fundamental é a condição de Homens libertos das grilhetas do acto de pensar. Mesmo quando pensamos e proferimos disparates.

Os leitores insistam, insistam, teimem porque o podem fazer, levem Teófilo Vaz a dizer quanto os seus olhos viram e os seus ouvidos ouviram, de substancial, de recôndito acerca dos detalhes da Revolução de Abril. Podemos interrogarmo-nos sobre se não existem na cidade e no Nordeste outros detentores de memórias e narrativas cujo elemento primacial é o 25 de Abril, claro que sim, conheço alguns, só que no caso em apreço o testemunho vem de um civil, rapaz novo na altura, paciente e silencioso espectador, qualidades determinantes para absorver o sumo dos emotivos depoimentos. Não concordam?

Vendavais - A coragem de querer

Para querer é necessário ter coragem, muito embora muitos pensem que não. Claro que depende sempre do que se quer, mas a coragem de o afirmar estará sempre subjacente a essa vontade, mesmo que indelével na sua assunção.
Um dia o homem ao sentir-se livre em plena Natureza e desconhecendo que o mundo girava e tinha coordenadas para que cada um se situasse orientado na imensidão desconhecida do espaço universal, quis afirmar essa mesma liberdade através de diferentes modos que, sendo díspares, também eram contrários ao mesmo sentido da liberdade universal. Gerou-se a confusão. Confusão entre os homens, entenda-se.
Saltando século e séculos de aprendizagem, o homem confundiu sucessivamente como aplicar a sua primeira dádiva, que não conquista. Tentou roubar cada um para si, a liberdade que lhe fora dada ao nascer e no início dos séculos, quando ainda quase não falava e não sabia para onde ir. Perdido, orientou-se e acabou por se perder quando já conhecia os caminhos que queria seguir. Não teve coragem para corrigir o engano. Sucederam-se os enganos e faltou a coragem de querer emendar-se. Frequentemente a coragem esteve arredia na remissão dos pecados praticados.
Na universalidade dos países que compõem este mundo que continua a girar como no início, os homens continuam a querer reaver a tal liberdade que não souberam ou não tiveram a coragem de guardar e dividir por todos. Um bem precioso e duradouro, inesgotável, mas muito mal utilizado. Penso que todos o querem, mas não têm coragem de o afirmar. Não é suficiente dizer que se quer, é necessário ter coragem para o querer.
Assistimos com o passar dos tempos a exemplos onde os homens se libertaram da liberdade. Paradoxo absoluto. Em seu lugar, substituindo a liberdade, colocaram ídolos de pés de barro, que aos poucos se têm desfeito porque não têm sustentabilidade, preciosidade e a durabilidade que a liberdade exige. A esses faltou a coragem para querer a liberdade em vez dos ídolos obsoletos e irracionais cujos objetivos se esfarelam na falta de exequibilidade dos projetos em que assentam. Infelizmente hoje ainda continuamos a ver quem não tenha a coragem para querer mudar. Penso que querem mudar, mas não têm coragem para querer mudar.
O mesmo aconteceu em Portugal há muitos anos atrás. Trocou-se uma ténue liberdade, por um projeto cuja exequibilidade viria a falhar porque os homens não queriam continuar sem a dádiva inicial. Durante trinta e seis anos Portugal viveu um tempo de obscurantismo e manteve a liberdade na gaveta de onde sairia em Abril de 74, uma vez mais por vontade dos homens.
Quem governava só não teve coragem para admitir o engano por falta de coragem e porque esse engano lhe dava o poder de continuar a não ter coragem para lutar pela liberdade. Queria certamente, mas não teve a coragem de afirmar que queria efetivamente mudar. Fechado numa gaiola, tentou exercer a influência que o poder lhe permitia e viver na liberdade reduzida que a gaiola facilitava. Era necessário muito mais. Felizmente outros houve que tiveram a coragem de querer a liberdade e de derrubar a gaiola onde a liberdade era somente para alguns. Mas todos queriam esse tremendo bem que lhes permitiria descobrir os caminhos para onde ir e orientar-se neste mundo que continua a girar como no início dos séculos. Aconteceu em Portugal.
Hoje, anos depois, a liberdade continua por aí, mas muitas vezes associa-se na viagem a companhias menos aconselháveis e baralham os caminhos para onde deveriam seguir. É que a liberdade também dá ao homem a facilidade de se enganar muitas vezes. Novamente a coragem para querer desfazer o engano deve ter prioridade.
Pois é. Se a liberdade tem estas duas facetas, cabe ao homem saber o que quer e ter coragem para querer mudar e ir em busca da liberdade pura, a tal dádiva que não foi conquistada pelos homens no início dos séculos, mas que foi subestimada pelos que vieram a seguir. É preciso continuar a ter coragem de querer.

As vacinas salvam vidas!

As vacinas, um dos maiores avanços da medicina moderna, mudaram por completo o panorama das doenças infeciosas nos países desenvolvidos e permitiram salvar mais vidas e prevenir mais casos de doença do que qualquer tratamento médico.
Trata-se de produtos imunobiológicos constituídos por microrganismos, partes destes ou produtos derivados, que depois de inoculados no indivíduo saudável produzem uma resposta similar à da infeção natural, induzindo imunidade sem risco para o vacinado.

Mirandela vence dérbi transmontano e ganha novo fôlego

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Ter, 25/04/2017 - 23:21


A formação treinada por Ricardo Chaves conseguiu, no domingo, um importante triunfo para garantir a manutenção.
O Mirandela venceu o Pedras Salgadas por 3-2 no dérbi transmontano da jornada 11 da fase de manutenção, série B.