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Mil Diabos andaram à solta em Vinhais e deram cumprimento a tradição secular

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Ter, 24/02/2026 - 15:41


Ano após ano, os mil diabos invadem as ruas de Vinhais para celebrar e dar por cumprida uma tradição secular mística que inclui, literalmente, espantar os males, assim como a despedida dos dias de inverno e dar as boas vindas à primavera
Os tão característicos diabos andaram à solta, sábado, por vinhais. Após a missa de imposição das cinzas, pelo menos mil diabos caçam as raparigas da vila, arrastando-as até ao purgatório num carro de bois.
A tradição é antiga, mas hoje o ritual é sobretudo simbólico. Já não há chicotadas reais e tudo decorre num ambiente de brincadeira. Os mais novos participam com entusiasmo e fazem questão de integrar o cortejo, mesmo sem conhecerem bem a origem do costume.
É o caso de Mariana que se disfarçou de anjo pelo segundo ano. Nunca foi outro personagem e garante que gosta de desemprenhar este papel e da tradição. “Eu gosto muito, eu só vim ano passado, porque tinha medo mas adorei.” A parte teatral é para ela o “mais interessante”. 
Rodrigo Silva faz parte das encenações que acompanham os mil diabos há três anos. Já foi Frade, diabo e anjo, sendo este último o seu papel de eleição. 
No caso de Carmen, de sete anos, é a primeira vez que participa no desfile. Também vestida de anjo, no seu caso contou que foi a Madrinha que lhe falou da tradição. “A minha madrinha contou-me a lenda e eu gostei muito, então pedi aos meus pais para entrar na escola de teatro.” 
Do lado dos diabos, a vontade maior é encenar e rirem-se dos anjos enquanto assombram as pessoas, contou um dos diabretes. 
As encenações que acompanham o cortejo estão a cargo da Filandorra – Teatro do Nordeste, contando também com o grupo de teatro da Escola Municipal, com 30 alunos de várias idades. O diretor artístico da companhia, David Carvalho diz sentir-se lisonjeado por o município confiar na Filandorra para animar esta celebração. “Isto é uma festa final, digamos assim, das festas de inverno. E este trabalho aqui dá-nos muito contentamento. Primeiro a confiança que a Câmara manifestou ao longo dos anos e sobretudo a escola municipal que eu dirijo artisticamente e ver que efetivamente que este é um projeto para lavar e durar, como se diz em linguagem popular.”
Jornalista: 
Cindy Tomé