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Pandemia afecta sector da caça e cancela montarias ao javali

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Ter, 13/10/2020 - 12:38


A pandemia veio mudar as rotinas das pessoas, as práticas e até convívio social que caracteriza determinadas actividades.

A caça também está a ser moldada de acordo com a nova realidade. É o caso das montarias ao javali, em Trás- -os-Montes. São chamadas “festas de inverno”. Dezenas de caçadores reúnem- -se e começam o dia com o famoso “mata-bicho”, que é como quem diz um pequeno-almoço reforçado, para conseguirem estar horas no mato. O amor à caça é uma das atracções desta actividade, mas o convívio também. Este ano, a confraternização não poderá ter lugar. “No nosso entender a realização da montaria está irremediavelmente comprometida, porque a montaria é um acto de caça colectivo que envolve tradicionalmente, na nossa região, um ambiente festivo. Com a proibição dos ajuntamentos superior a 10 pessoas, isto inviabiliza a prática da montaria”, afirmou o presidente do Clube de Monteiros do Norte. Neste sentido, Nélson Cadavez aponta outras consequências que podem advir do cancelamento destas iniciativas. “É necessário caçar javalis, porque senão, para além da crise pandémica vamos ter uma crise dos prejuízos provocados pelos javalis na agricultura, na produção da castanha, da amêndoa, a uva”, disse, mencionando ainda que o aumento de javalis vai pôr em causa o “equilíbrio dos ecossistemas”, “agravar riscos sanitários para a fauna selvagem” e ainda a “sinistralidade na estrada”. Assim, entende que a solução pode passar pela permissão de caça, fora do horário que a lei permite e em grupos mais pequenos. “A pandemia não vem retirar a totalidade da essência, mas é uma obstrução à parte, tão ou mais importante, do acto venatório, que é a parte social da caça”, afirmou Jacinto Amaro. O presidente da Fencaça disse já ter enviado um documento, à Direcção Geral de Saúde, sobre as preocupações dos caçadores relativamente aos aglomeradores de pessoas no acto de convívio. Alguns caçadores estão até a “deixar de ir à caça”, visto que grande parte deles tem idade avançada e por isso fazem parte dos grupos de risco para a Covid-19. “Amigos meus não vieram nestas primeiras jornadas exactamente para se resguardarem, porque alguns já têm 80 anos ou têm problemas de saúde”, contou Jacinto Amaro. Também a Federação das Associações de Caçadores da 1ª Região Cinegética já reuniu com o secretário de Estado das Florestas para perceber como se iriam realizar algumas iniciativas. No que toca à caça de animais menores, os caçadores, na maioria das vezes, fazem-no de forma isolada. “A caça é uma actividade no campo, ao ar livre, no exercício da caça não haverá problemas, mas sim nos convívios. Mas na caça menor são convívios com poucas pessoas”, afirmou João Alves. Para além das preocupações relacionadas com a pandemia, o presidente da federação destacou outros problemas que estão afectar a actividade, nomeadamente as burocracias. “Os caçadores estão preocupados com as taxas elevadas, que são cobradas aos caçadores e com o facto de o uso e porte de arma ter passado para a PSP, que também veio complicar”, explicou João Alves, salientando que, por estes motivos, muitas pessoas estão abandonar a actividade. Por outro lado, os caçadores mais novos estão adaptar-se melhor às burocracias actuais. “Dá ideia que algumas forças ocultas querem que caça acaba e nós temos lutado contra isso, porque a caça é saudável”, concluiu.

Jornalista: 
Ângela Pais