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Pioneiros e Freixo nas meias-finais do play-off do distrital de futsal

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Ter, 21/03/2017 - 12:37


Os Pioneiros de Bragança garantiram, no sábado, a passagem às meias-finais do play-off do Campeonato Distrital de Futsal, após a vitória por 6-8 na segunda jornada da pré-eliminatória. Recordamos que os brigantinos tinham vencido o primeiro encontro, realizado em Bragança, por 5-4.

Turé resolve

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Ter, 21/03/2017 - 12:33


O Bragança reencontrou o caminho das vitórias em casa. Os comandados de Zé Gomes venceram por um escasso 1-0 num jogo de desperdícios. As oportunidades de golo foram várias. Lio, Lemos, Danilo, Turé e até os homens mais recuados como Serginho tentaram quebrar o enguiço. 

NÓS TRASMONTANOS, SEFARDITAS E MARRANOS - Lopo Dias, mercador e juiz ordinário (n. Vila Flor c. 1502)

Nasceu em Vila Flor por 1502. Os seus pais foram batizados em pé e “faleceram cristãos”. Ele foi batizado em criança, “como os filhos dos cristãos-velhos” e foi seu padrinho Diogo Lopes, castelhano. Fez-se mercador e “granjeava a sua vida a tratar em Castela”. Casou com uma filha de Violante Fernandes, esta também batizada em pé e “que se gabava e dizia abertamente que era judia” e rezava “as orações do Shemá Israel Baruch”. (1)

Era homem influente e respeitado em Vila Flor, só assim se explicando que fosse eleito por alguns anos para ocupar o cargo de juiz. A outra face do honroso cargo seria a criação de inimizades, da parte dos condenados pela justiça.

Um dos casos mais badalados foi a condenação de André Pires, cristão-velho, homem considerado da aldeia do Arco e que deveria recolher de cada casa da terra um alqueire de trigo, em pagamento da avença ao médico do partido. Como ele não cumpriu o dever, o juiz Lopo exigiu que pagasse ele a avença de todos os outros. E parece que para dar cumprimento à sentença do juiz, André teve mesmo que vender uma vaca.

Outro caso sério aconteceu no ano de 1555. Sendo ele juiz, levantou-se na vila um movimento popular contra o cura da igreja, padre Diogo Maçulo, escrevendo-se “capítulos” contra ele, que foram enviados ao arcebispo de Braga, dizendo que era “muito vicioso, tendo mancebas e dormindo com mulheres casadas, com que escandalizava muito o povo”. Neste processo teria também andado Lopo Dias e a verdade é que o cura foi acusado, preso e condenado.

A essa altura era já viúvo, pois sua mulher, Isabel Pires, faleceu por 1551, contando apenas uns 37 anos, deixando-lhe 2 filhas e 2 filhos, todos já crescidos e apenas um se mantinha solteiro. Para tratar dos assuntos da casa contratou então uma moça cristã-velha. E tudo parecia correr bem na vida de Lopo e do filho mas... André Pires, o lavrador do Arco e o padre Maçulo é que não esqueceriam as afrontas e um e outro juraram vingar-se.

E assim, no dia 11 de Outubro de 1556, André Pires apresentou-se em Torre de Moncorvo, perante o vigário-geral, o licenciado Aleixo Dias Falcão e contou uma história muito interessante. Disse que, no tempo das malhadas de 1555, um dia, ao anoitecer, foi a casa de Lopo Dias comprar vinho. E entrando na sala, não viu ninguém mas escutou vozes que vinham de outra dependência, parecendo-lhe que eram várias pessoas e respondiam umas às outras. De repente, na loja, um “mulato” ter-se-á soltado e meteu-se em barulho com um cavalo que também ali estava. E fazendo as bestas um tremendo barulho, saiu o dono da casa e os outros que com ele estavam na “câmara escusa” a apartá-los. Aproveitou ele a confusão para entrar na dependência suspeita e ficou de boca aberta com o que viu: uma espécie de altar, com almofadas, castiçais acesos e “uma figura do tamanho de uma raposa, a qual parecia ser de ouro e prata, porque em partes era branca e em partes dourada, a qual tinha pernas como de cabra e unha fendida como cabra e na cabeça um corno são e outro quebrado e a cabeça era também de feição de cabra...” Acrescentou que no local estava Diogo da Mesquita, o filho solteiro de Lopo Dias, que com ele vivia e que o recebeu com estas palavras: - “Não tereis vós tanto ouro nem tanta prata!” E ele terá retorquido: - “Pois esse é o Deus que vós adorais?!”

Isto seria música para o vigário-geral e comissário do santo ofício na região, que, na figura da raposa vislumbrou uma “Torá” e logo se meteu a organizar o competente processo, com o escrivão do eclesiástico Pero Botelho.

No processo assentou depois outra denúncia contra Lopo Dias, também de extrema gravidade. Foi feita pelo padre Maçulo que contou uma cena acontecida por 1550, na semana santa. Como sempre acontecia, para pregar os sermões da semana santa, foi contratado um pregador de fama, que veio de fora. E então o juiz Lopo Dias terá ido ter com o pregador a pedir-lhe que nos sermões não falasse da morte de Cristo nem dos judeus para evitar que os rústicos lavradores interpretassem mal as coisas e julgassem que foram os judeus que mataram Cristo.

Eram duas denúncias muito graves e o vigário-geral não teve dúvidas em prender Lopo Dias e o filho Diogo da Mesquita, que remeteu para a inquisição de Lisboa juntamente com o processo, (2) ali dando entrada no dia 10.4.1557. 

Foi muito vigorosa a defesa apresentada por Lopo Dias, com testemunhas de muito crédito, na lista entrando toda a gente cristã-velha, nobre e fidalga de Vila Flor e de outras terras em redor. E não se contentou em narrar os factos e mostrar as provas das inimizades e intuitos de vingança por parte do lavrador do Arco e do cura de Vila Flor. Antes apresentou queixa do próprio vigário-geral, (3) que era seu inimigo e distorceria os testemunhos nos autos do processo. Pedia, por isso para não ser ele nomeado para ouvir as testemunhas. Apontava antes o licenciado Diogo Borges, reitor da igreja de Bornes.

Aceitaram o pedido os inquisidores Diogo de Azambuja e Ambrósio Campelo, terminando a carta da maneira seguinte:

-E porquanto, ao passar desta carta, o réu Lopo Dias disse que Vossa mercê lhe era suspeito e também seu escrivão, por brevidade e escusar inconvenientes, mandamos que se louvassem em pessoa que fizesse a dita diligência. E o promotor e o réu se louvaram em o licenciado Diogo Borges, reitor da igreja de Bornes...

Logo que a notícia correu, André Pires apresentou-se em Bornes a repetir a denúncia. E em Bornes foram recolhidos os depoimentos de algumas testemunhas. Depois foi o comissário e o escrivão a Vila Flor, no cumprimento da diligência ordenada. E ali ficaram instalados em casa do conde Manuel de Sampaio, senhor da terra e homem da simpatia dos cristãos-novos, muito em particular do Dr. André Nunes, seu advogado morador em Torre de Moncorvo, genro e procurador de Lopo Dias, o qual entrava e saía de casa do Conde e encaminhava as testemunhas. (4)

Executada a diligências e enviados os autos, prosseguiu em Lisboa o processo. E em Lisboa se apresentou também o denunciante André Pires, narrando pessoalmente o acontecido anos atrás, com todos os pormenores, alguns bem pouco credíveis, como no processo ficou escrito o parecer do deputado do santo ofício frei Francisco do Porto:

- Tinha escrúpulo de algumas circunstâncias do caso por lhe parecer que era muito descuido do réu a Toura e adorarem tendo as portas abertas.

E também parece que há muito de humor e ironia em algumas perguntas dos inquisidores. Como esta, feita a Diogo da Mesquita:

- Em casa de seu pai andava alguma raposa ou coelho manco ou figura de algum animal?

Com semelhantes perguntas dá a impressão de que a principal testemunha de acusação estava completamente desacreditada. E o procurador do réu fez questão de sublinhar:

- André Pires, tanto que lá soube que a contradita era recebida ao réu (…) se veio a esta cidade a confirmar seu testemunho, dando informação ao dito promotor como que temendo-se que o acusassem em falsidade...

Tal não aconteceu, André Pires não foi acusado de inventar a denúncia e jurar falso. Mas “os inquisidores, ordinário e deputados da santa inquisição, vistos estes autos deste processo e a qualidade das culpas do réu Lopo Dias, de defeito da prova da justiça e como não é bastante para condenação (…) absolvem o réu (…) e mandam que seja solto e se vá em paz...”

Igual sentença foi dada no processo de seu filho Diogo da Mesquita. Quanto ao Dr. André Nunes, diremos que por mais 25 anos continuou exercendo a advocacia e seria porventura o mais famoso advogado da comarca. Acabou, no entanto, por ser também ele prisioneiro da inquisição, em 1583, juntamente com os familiares. A sua mulher, Leonor da Mesquita, filha de Lopo Dias é que não conheceu a estalagem do santo ofício porque faleceu em 1581 e foi enterrada, em Torre de Moncorvo. Mas como o marido e as filhas a denunciaram por judaizante, foi-lhe também instaurado um processo pela inquisição de Coimbra, o qual terminou com a seguinte sentença:

-(…) Em detestação de tão grave débito, seus ossos sejam desenterrados (...) e serão entregues à justiça secular e assim sua estátua, para se fazer cumprimento da justiça.(5)

A sentença foi cumprida no auto da fé celebrado em Coimbra em 9.11.1596. Imagine-se a impressão que o evento causaria entre o povo cristão que assistiu ao desenterrar das ossadas 15 anos depois da morte e à colocação da “estátua” em lugar bem visível no interior da igreja matriz da vila, tudo acompanhado, certamente com sermões inflamados de algum frade.

 

 

 

 

 

 

NOTAS

1-IANTT, inq. de Évora, pº 9678, de Violante Fernandes.

2-IDEM, inq. Lisboa, pº 2174, de Lopo Dias; pº 236, de Diogo da Mesquita.

3-Lopo Dias não foi o único prisioneiro de Vila Flor a apresentar contraditas e embargos contra o comissário Aleixo Dias Falcão.

4-O promotor queixar-se-ia destas “diligências do licenciado André Nunes, seu genro, que viu por ele jurar as testemunhas e as chamou e falou com elas antes de testemunharem” E pela facilidade do comissário juiz (o Reitor de Bornes) que tal lhe consentiu e o deixou espantar as testemunhas” contrárias ao réu.

ANTT, inq. Coimbra, pº 3710, de Leonor da Mesquita.

No declinar das ideologias

É aceite por muitos teóricos contemporâneos que a política é pendular, o que significa que as ideologias se sucedem em experiências de eterno retorno, como quem regressa a modelos já anteriormente ensaiados, mas que de novo possam responder aos ideais, ou aos interesses, depois da exaustão e do fracasso dos modelos vigentes.
Contudo, nos nossos dias assistimos ao declinar das ideologias em detrimentos dos clubismos, ou de interesses mais recônditos. Há muito tempo que não assisto, no nosso meio político, a uma ação esclarecedora que reflita, por exemplo, se o pensamento ideológico de Kant, ou de Hegel, entre outros, ainda pode ser uma mais-valia para a consistência do ideário político e dos modelos epistemológicos. Os nossos líderes políticos, então mais interessados em publicitar a vinda dos ministros, ou secretários de estado, para arregimentar multidões, do que no debate das ideias, ou estratégias.
Perante o fracasso de tantas ideologias, assistimos ao capitular da política com consistência, apoiada em ideias e em ideais. Até os velhos comunitarismos se diluem pela força duma cultura de massas que os aproveita, para artificialmente, atrair turistas que se deleitam com os relatos dos habitantes que agem pelo efeito de espelho, reproduzindo o que alguns estudiosos disseram quando teorizavam os comunitarismos. Perante este fracasso ideológico, cada vez mais a estrutura pendular nos leva a refletir na virtualidade dos comunitarismos, onde o individualismo é ultrapassado pela comunidade com os seus valores e sentimentos, onde o eu se dilui na grandiosidade do nós, sem contudo perdermos a liberdade individual. Nesta perspetiva, novamente ganharia sentido uma europa da cultura, dos homens que são capazes de dar consistência ao grande milagre do saber fazer, de dar forma e significado às coisas, em detrimento da europa das mercadorias e da desumanização.
Vivemos apressadamente, não temos tempo para ler, para debater, para a reflexão filosófica. Quase parece que as ideologias chegaram ao seu término. Morre a política, renasce o clubismo de interesses individuais, onde o homem social perde a sua essência e surge uma aberração que é o homem solitário, isolado, sem a dinâmica e os valores do grupo.
E assim, com alguma frequência, no espaço social onde vivemos, somos levados a fazer análises empíricas desta política em crise de ideologias, onde a democracia pode perigar, nesta ingenuidade romântica de apologia aos valores democráticos, faltando-lhe, contudo, a consistência das ideias. Se não vejamos, quanta gente que milita em determinada estrutura partidária será capaz de falar da ideologia que está inerente a esse mesmo partido, ou mais fácil ainda, das diferenças elementares existentes entre o seu partido e o partido do vizinho?
Esta reflexão leva-nos por caminhos ínvios onde muitas vezes a força do caciquismo, de interesses obscuros se sobrepõem à limpidez dos ideais democráticos e humanitários. Também se constata como determinado partido político vence as eleições, numa região, em virtude duma relação de forças intrínsecas à socialização das suas gentes e à conjugação de valores subjetivos, independentemente da defesa que esse partido faça dos interesses das populações. E aqui de novo renasce o clubismo em que um partido político ganha as eleições porque há uma aposta forte nesse partido, independentemente da sua ideologia, ou serviço que presta à comunidade, mas porque sempre foi o nosso partido e os nosso vizinhos, maldosamente, não se hão de rir da derrota das nossas opções partidárias, tal e qual como acontece no futebol.
Não queremos acreditar que chegou ao fim o templo emblemático das ideologias. O tempo do José Fontana, do Sá Carneiro, do Mário Soares, do Freitas do Amaral, ou do Álvaro Cunhal. A política terá que continuar pois a “polis” ainda serve de abrigo à humanidade. E para nosso consolo, resta-nos este fascínio pendular e a esperança que depois da crise, havemos de regressar, finalmente, ao convívio ameno do homem ético e solidário.

O destino de Portugal está traçado.

Nos últimos anos têm vindo a público, ininterruptamente, notícias surpreendentemente escandalosas, envolvendo políticos e partidos, bancos e banqueiros, administração pública e empresas públicas, o Regime e a governança da Nação.

 Regime que navega em águas turvas e País que bate no fundo e torna a bater, mas não há maneira de vir ao de cima.

Este estado de desgraça tornou-se mais visível desde que em Setembro de 2003, vai para 14 anos, portanto, o jornal de Negócios noticiou que as contas do BPN mereciam sérias reservas aos auditores.

Foi a partir daí que o caso BPN, como é conhecido, teve pleno envolvimento e desenvolvimento num emaranhado de indícios que apontam para crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influências, comprometendo directa ou indirectamente, a fina flor dos políticos na altura no poder.

A Justiça empanturrou por não ter estômago para digerir o monstro e os contribuintes foram chamados a desembolsar milhões, como é seu dever e má sina, por via da nacionalização de um banco falido. Nacionalização que tão bem quista é dos partidos à esquerda, especialistas em nacionalizar, melhor dizendo, amontoar lixo no Estado.

Talvez porque o BPN não teve o tratamento exemplar que merecia e antes foram criadas condições propícias para se reproduzir que nem cogumelos venenosos, estão agora os contribuintes a ser seraficamente preparados pelo Presidente da República e pelo Primeiro-ministro para mais uma vez contribuírem graciosamente, como é seu dever e má sina, para o um novo monstro devorador das poupanças do povo, a CGD. Surpreendentemente, ou não tanto, mais uma vez, a Justiça não será dada nem achada. Justiça que, pelos vistos, continua sem ter corda bastante para prender tantos e tão obesos malfeitores.

Isto mostra, para lá do mais, que a “geringonça” já deu o que tinha a dar. Deu uns cêntimos de aumento nos salários e pensões, baixou uns impostos e aumentou outros e oferece-nos agora a CGD de bandeja. Dar mais e melhor não pode porque se desconjunta.

O destino de Portugal parece estar assim traçado, portanto: dívida, estagnação, emigração, compadrio e corrupção. Aos portugueses apenas resta poesia, ainda que da melhor.

“NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,

define com perfil e ser

este fulgor baço da terra

que é Portugal a entristecer –

brilho sem luz e sem arder,

como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.

Ninguém conhece que alma tem,

nem o que é mal nem o que é bem.

(Que ânsia distante perto chora?)

Tudo é incerto e derradeiro.

Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!”

(Fernando Pessoa, Mensagem - Poemas esotéricos)

Vale sempre a pena lembrar, ler e reler Fernando Pessoa, porque “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

Embora o imortal poeta e todos quantos se atreverem a levantar a voz sejam acusados de populismo por aqueles que estão no poder ou lá por perto.

Esquecem-se esses, todavia, que só há uma forma de combater o populismo como convém, quando o populismo não for a mais genuína forma de expressão popular, note-se bem: reformar o que está mal e combater a corrupção com Justiça.

Este texto não se conforma com o novo Acordo Ortográfico.