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O dia do acerto de contas em Caravela

Ter, 28/01/2020 - 10:15


Olá, como estão os leitores da Página do Tio João?

Segundo nos disse o tio Rebelo, de Real Covo (Valpaços), é costume os anos bissextos, como este, “prometerem muito e não darem nada”, acrescentando que “fruta, ‘cruzes’ e erva muita”.

É altura de se estrumarem as terras, das podas e das limpas. A nível meteorológico, todos estamos à espera da neve, porque a geada, o vento e o nevoeiro já atacaram, mas as previsões são para que a chuva continue a marcar a sua presença.

Deixar de fumar

Quais são os benefícios de parar de fumar?

Parar de fumar tem benefícios imediatos, a médio e a longo prazo, não só para a pessoa, como para quem convive com ela, como por exemplo:

- Redução do risco de cancro do pulmão e de muitos outros tipos de cancro

- redução do risco de doença cardíaca, acidente vascular cerebral e de doença vascular periférica

Efeitos colaterais

O último mês foi pródigo em factos sensíveis para a opinião pública. Todos eles saltaram para a primeira página dos jornais, sendo que mais uma vez ficou provada a capacidade de Brecht em compreender a psicologia dos homens e, sobretudo, a necessidade de existir um efeito de alienação ou distanciamento en-

tre quem observa e o observado.

Muito se falou do caso Giovanni; teve ecos na imprensa internacional e aclaradas as pontas soltas, restam apenas as ideias feitas e os estereótipos que, fixados em texto, irão perdurar indiferentes aos afectos da família ou de quem com ele privou. De tal modo assim é que, passado um mês, uma interveniente no programa Prós e Contras e à falta de melhor argumento trouxe o assunto à colação rotulando-o de “crime racista”, quando, entidades responsáveis, de diversos quadrantes, já descartaram esta tese reiteradas vezes. Depois da espuma dos dias acalmar e como o mundo parece ser binário, a atenção focou-se nos alegados homicidas que, em consequência das redes sociais, imediatamente foram expostos e a sua genealogia escrutinada até onde o senso comum entendeu ir. Dissecadas as páginas do facebook e afins concluiu-se que, afinal, os alegados criminosos não são monstros vindos de outro planeta, nem bárbaros que invadiram a cidade pela calada da noite, mas são jovens de famílias com quem se cruza e socializa frequentemente.

Perante isto, e porque a consciência coletiva assim o exige, não havendo já a necessidade de encontrar os responsáveis, procuraram-se as causas. Porque jovens, alguns deles ainda há pouco nos bancos da escola, foi sobre esta que recaíram, em primeiro lugar, as responsabilidades. Também aqui o dedo acusador cristaliza as frases feitas, questionando o papel da escola de hoje em dia e os milhões que se gastam para formar quem por ela passa e comete tais atrocidades. É um facto que à escola se lhe retirou a missão de formar cidadãos socialmente comprometidos. As panaceias aplicadas desde os anos 80 sob a designação de projetos, conteúdos transversais e afins mais não são do que isso mesmo; não só porque a ideia de escola enquanto transmissora de saberes caiu por terra, como os próprios alunos e as suas famílias vêm nesta quase e exclusivamente uma mera entidade certificadora de saberes académicos. Também não se pode exigir que a sociedade reconheça legitimidade aos agentes educativos quando os sucessivos governos os vão achicanando na praça pública, chegando-se a proferir: “Perdi os professores mas ganhei os pais e a população.” Aos que acusam a escola, permita-se, pois contestar que se até com a escola se cometem estes atos, como seria se não fosse ela…

Outros responsabilizam as forças de segurança já que, sendo um grupo conhecido na noite, nada se fez até que se atingiu um ponto de não retorno. Não se contesta que para os agentes da província seja preferível colocar radares ou chatear quem estaciona na via pública à espera que um sénior entre depois de ter ido cortar o cabelo. Contudo, são sobejamente conhecidos os casos em que a polícia atua e, por força de uma lei que mais parece proteger prevaricadores, os criminosos são ilibados e os que zelam pela ordem condenados.

Os mais interventivos não poupam a autarquia, o instituto politécnico e a própria igreja – sendo a ordem dos factores arbitrária. A falta de uma política de integração da comunidade estrangeira, a ausência de um centro local de acolhimento ao Imigrante (CLAI) ou a pouca atenção dada ao novo tecido social da cidade são razões apontadas e que colhem se devidamente exploradas. Lamenta-se, no entanto, que se assaquem responsabilidades institucionais e não haja quem assuma que falhou individualmente sobretudo e porque, se um histórico de atos de violência acompanhava estes jovens, duvido muito que alguém se tenha deles acercado e chamado à razão.

Em termos institucionais nem tudo terá sido feito, mas hoje é notícia que o caso Giovanni levou a polícia, em conjunto com outras forças locais, a estudar a noite de Bragança na medida em que o caso revelou um universo desconhecido das autoridades porque as pessoas não formalizam denúncias, segundo declarações do comandante da PSP ao JN. Estão bem as forças vivas do concelho ao reconhecer que é necessário fazer mais e melhor. Não é caso para dizer que casa roubada, trancas à porta, mas haja capacidade de convocar novos atores, porque o que se fez durante anos em termos de intervenção na realidade sociológica de Bragança mais não foi do que mera operação de cosmética.

Vendavais - Do centro à direita ou vice-versa

Dizia-me um amigo que a política em Portugal nada mais é do que uma feira de vaidades. Dei-lhe razão. O que temos verificado nos últimos anos dá-nos uma certeza: parece que ninguém quer resolver os problemas do país, mas sim os seus. E como se resolvem? Indo para o governo, ocupando cargos importantes que lhes permitem dominar interesses e comandar vontades e passear-se pelo país vendendo imagens de um Portugal sereno, confiante e em crescimento.

A verdade é que os partidos políticos estão a perder votos e qualidades. Os partidos que foram o alicerce de um Portugal democrático estão a perder a base que os sustentava pela simples razão de que os portugueses deixaram de confiar em tudo o que lhes dizem. Os governantes estão desacreditados. Tanto prometem e tão pouco cumprem que não há meio termo possível.

Nos últimos anos, verificámos que os sucessivos governos perderam um pouco o Norte, desvirtuando o rumo que durante anos não se cansaram de afirmar. Pagaram por isso. Nas eleições a que temos sido chamados a votar, verificámos isso mesmo. Até os que pareciam ser os que mais prendiam os eleitores, como o Partido Comunista, têm vindo a ver o seu eleitorado desviar-se desse tal rumo certo e perder-se nas vielas estreitas de outros povoados. O mesmo aconteceu com o Partido Socialista que teve de se aliar a partidos completamente fora do seu âmbito, para poder governar, formando a tão conhecida geringonça. Interessava estar no poder a todo o custo, para poder controlar, dominar e comandar vontades. O PS saiu do centro para a esquerda radical e não se afligiu com isso, pois continuava a gerir os seus interesses e dos seus pares. O PC e o BE desviaram-se para a direita e sentaram-se temporariamente no centro, sempre com a mão na cadeira do poder, não fosse ela cair.

Pior esteve o PSD que não conseguiu entrar no jogo das cadeiras e não teve a força suficiente para exigir fosse o que fosse à geringonça governativa. Eram demasiados partidos para um país tão pequeno! Rui Rio ganhou e vai liderar, mas não se sabe bem o quê. O CDS que esteve ligado ao governo anterior, viu-se afastado do poder e perdeu o espaço que lhe pertencia, perdendo nas últimas eleições 13 deputados, ficando reduzido a 5 lugares no Parlamento. Quem ganhou estes lugares? Os radicais de direita. Claro. Parece impossível. Então criticava-se o facto de um partido ser muito à direita e agora acredita-se em novos partidos que são radicais de direita? Afinal o que quer este país? Ninguém se entende.

Este fim-de-semana o CDS esteve em reflexão para escolher o seu novo Presidente. Foram cinco os candidatos para um só lugar. O curioso e triste ao mesmo tempo, é que eram tantos os candidatos como os deputados do Parlamento. Não sei se o Partido está dividido se são os interesses pessoais de cada um que impedem a união em momento tão difícil para um Partido que ajudou a fundar a democracia em Portugal. Gastam-se energias, atacam-se os pares que ontem eram os amigos chegados, em vez de se unirem para ganhar um país que está à espera de soluções. Todos não são demais. Se o CDS quer continuar a ser a referência do Centro Direita, terá de se afirmar com esse objetivo programático e não se desviar muito, pois tem de ir buscar novamente os votos que foram para a direita radical que agora ocupa alguns lugares no Parlamento. Mas Francisco Rodrigues dos Santos, agora Presidente, parece-me um pouco radical. Portugal não é um país de direita radical. Nunca foi, mesmo nos tempos da outra senhora. Sabemos bem o que queremos e só a falsidade de alguns permitem que outros busquem novas paragens. O novo Presidente agora eleito, saberá com toda a certeza, que não pode trilhar o mesmo caminho que outros percorreram, mas há valores que não se podem vender por mais que se pague por eles. Valores que se não podem perder. É preciso respeitar a diferença de opiniões e ter uma cultura democrática. Os históricos do Partido serão sempre uma base de apoio, seja quem for o Presidente. Os novos de hoje serão os históricos de amanhã. As lideranças carismáticas precisam de ser mudadas, respeitadas mas não esquecidas.

No fundo, o que é preciso não esquecer é que o CDS é um partido do Centro Democrático. Não é nem da esquerda, nem da direita radical. Situemo-nos.