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Vimioso dá goleada e Argozelo é cada vez mais líder

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Ter, 07/03/2017 - 16:30


A jogar em casa o Vimioso não deu margem de manobra ao FC Vinhais. A equipa de Duarte Fernandes venceu por 4-0 com golos de Ricardinho, Silva e Henrique, que bisou. O melhor marcador da distrital tem já 15 golos apontados decorridas 14 jornadas.

NÓS TRASMONTANOS, SEFARDITAS E MARRANOS - Filipa Nunes, estalajadeira em Vila Flor (n. c. 1509)

Filipa Nunes era casada com Álvaro Rodrigues e o casal viveu em Lamego, terra onde a família cresceu com o nascimento de 2 filhos e 3 filhas. Com a criação do tribunal da inquisição naquela cidade e a onda de prisões que se seguiu, a família abandonou a terra, à semelhança de muitas outras. (1) 
Não sabemos se a fuga foi antes ou depois de o filho e a filha mais velhos casarem em Vila Flor. Sabemos é que Filipa e Álvaro, abalaram para a Galiza (Pontevedra) levando os 3 filhos mais novos.
Também não temos a certeza sobre as razões da migração, se bem que pensemos ter sido o medo de serem presos pela inquisição. Álvaro Rodrigues, contudo, negava que essa fosse a razão da fuga, explicando que em Lamego “ veio a cair em muita pobreza tendo mulher e filhos e passava muito mal com pobreza, e por essa causa determinou ele réu ir viver à Galiza”. Há também quem diga que ele fugiu de Lamego por causa de roubar nos pesos da carne que vendia.
Estavam na Galiza explorando “uma casa de vender vinho”, quando souberam do perdão geral decretado pelo papa. E também por essa altura terão recebido a notícia de que o seu genro Manuel Martins fora assassinado. E com esta notícia foi o convite de Antónia Nunes, irmã de Filipa, residente em Santa Comba da Vilariça, casada com Francisco Fernandes, para regressarem, que ela os ajudaria em suas necessidades.
E terá sido assim que Filipa e Álvaro se tornaram estalajadeiros em Vila Flor, ao findar a década de 1540, gerindo a estalagem que fora do malogrado Manuel Martins. E como tinham vindo de Lamego, passaram a ser nomeados pela alcunha de Lamegões.
O braço tentacular da inquisição chegou também a Vila Flor, em Junho de 1556 com a visitação do vigário-geral da comarca de Moncorvo, o licenciado Aleixo Dias Falcão, a mando do arcebispo de Braga, Dom Frei Baltasar Limpo.
Proclamados os éditos da visitação, apresentou-se a depor o padre Amaro Gil. Começou por dizer que, constando-lhe que os Lamegões tinham vindo fugidos da inquisição de Lamego, ele testemunha andou sempre com o olho neles e que os via aos sábados vestidos com camisas lavadas e sem trabalhar, levantando-se mais tarde que nos outros dias. Acrescentou que na quaresma passada foi algumas vezes à estalagem e que por duas vezes os encontrou cozinhando carne. E disse mais que Ana Gonçalves, achara em uma sexta-feira no lume “uma espetada de carne a assar”. (2)
Obviamente que a moça foi chamada a testemunhar. E confirmou que “vira estar no fogo uma espetada de frissura a assar”.
E estes foram os crimes de judaísmo que levaram Filipa e Álvaro a ser presos pelo vigário Aleixo Falcão. O destino foi o tribunal da inquisição de Lisboa onde Filipa Nunes foi entregue em 10 de Abril de 1557. (3)
Álvaro Lamegão teve por companheiro de cela um cristão-velho, João Fernandes, preso por bigamia mas que se apresentava como “judeu” e se chamava António Nunes, desempenhando o papel de espia. E este foi contar aos inquisidores que o Lamegão dissera “que não havia de dizer nada ainda que lhe arrancassem a língua” e que também “disse que o bispo de Braga era homem mau porque quando era bispo do Porto queimou um cristão-novo que morrera mártir”. Para além disso, o mesmo espia escreveu 4 bilhetes a pedido de Álvaro e este os meteu no cesto da comida para serem entregues a seu cunhado Luís Cardoso, (4) que morava em Lisboa, o que certamente não terá acontecido, antes seriam apreendidos na cadeia. E estas foram culpas acrescentadas no processo.
Obviamente que, vendo-se assim encurralado, não foi preciso “arrancar-lhe a língua pelo toutiço” para entrar de confessar suas culpas. Foi, porém uma confissão muito diminuta e por isso o puseram a tormento. Então sim, confessou tudo e denunciou mulher e filhas, se bem que receando que a mulher estivesse morta.
Mas Filipa Nunes estava viva e mantinha-se negativa. Explicava que, sendo estalajadeira, não podia deixar de trabalhar ao sábado e que, se alguma vez, viram assar carne em dia proibido pela igreja, isso ficaria a dever-se a algum hóspede que a comprou fora da estalagem e ali a meteu no fogo a assar. (5) De contrário, dizia-se muito boa cristã e apresentava testemunhas de crédito, segundo pensava, gente da mais alta nobreza cristã-velha como era o caso de D. Catarina de Almendra que, por vezes, até lhe emprestava o manto para ir à igreja. E também um padre em quem depositaria plena confiança. E foi exatamente este padre, Amaro Gil, e outras testemunhas por ela apresentadas que acrescentaram razões para o promotor da justiça pedir a condenação, nos seguintes termos:
- Por as suas testemunhas a culparem de má e de ir mal à missa e conversar com cristãos-novos e se esconder quando se faziam prisões na terra por este santo ofício (…) E também muito faz o marido da ré por ser judeu e confitente neste santo ofício (…) e assim a mãe da ré e todas as suas irmãs que todas foram presas neste santo ofício todas foram achadas de judias e guardarem o sábado e a mãe tão fina que guardava no cárcere judaizando estando presa…
Contra todas as evidências, a Lamegoa mantinha-se firme, negando todas as acusações e não denunciando ninguém. Até que “por ela não querer confessar, mandaram vir perante si Álvaro Rodrigues seu marido para que lhe dissesse no rosto o que dela sabia. E ele lhe disse que desencarregasse a sua consciência e dissesse como guardara alguns sábados e como jejuara com ele 3 ou 4 jejuns dos judeus e que a ensinara uma Filipa Fernandes, cristã-nova, mulher de António Fernandes, alfaiate”.
Então sim, Filipa Nunes admitiu ter judaizado. Mas nada mais adiantou para além do que o marido pusera a descoberto. E tudo fez para encobrir as filhas. E só as denunciou depois de ter sido posta a tormento.
Conforme se disse foi larga a colheita da inquisição na família de Filipa Nunes, dispersa por muitas terras de Portugal e da diáspora. E sobre ela muito mais podíamos dizer, não fora o espaço limitado do jornal. Vamos tão só espreitar o processo de seu cunhado Francisco Fernandes, almocreve, casado com sua irmã Antónia Nunes, a Reverenda, (6) de alcunha, moradores em Santa Comba da Vilariça e dele retirar o excerto seguinte:
- Disse que haverá 6 anos veio ter a sua casa um Marcos Cardoso, cristão-novo, que havia muitos anos que era ido por esse mundo, sem saberem parte dele e primeiro esteve preso em Évora. (7) E vinha vestido de como romeiro, com vestido pardo e cordão e um bordão e perguntando-lhe ele confessante por sua vida e onde estivera tantos anos, o dito marcos Cardoso lhe disse que era judeu e que estivera na Turquia, em uma cidade que se chama Salónica, onde casara com uma judia; dizendo-lhe mais que s judeus viviam lá na sua lei e os cristãos na sua, cada um como queria. E que pagavam o tributo ao Turco. E porque os tributos da dita cidade eram grandes e ele não se atrever a pagá-los, se partira para outra cidade e ia por mar. E pelo caminho os cativaram os de Cavaleiros de Malta e os puseram a resgate a 100 cruzados cada um. E por ele não ter dinheiro, deixara a mulher e os filhos em reféns e vinha (…) a pedir para ajuntar dinheiro para os resgatar. E no tempo que estivera em sua casa, não comia coisa alguma que não fosse guisada pela sua mão e guardava os sábados e disse a ele confessante que os guardasse e tivesse crença na lei de Moisés e nela esperasse de se salvar e fizesse jejuns sem comer senão à noite, como faziam os judeus. E ele confessante, pelo que lhe disse o dito Marcos Cardoso, do dito tempo a esta parte se apartara da lei de Cristo (…) E que Marcos Cardoso é falecido e mandara repartir o dinheiro que tinha por suas irmãs. 

NOTAS E BIBLIOGRAFIA
1- TAVARES, Maria José Ferro – Los Judíos en Portugal, edición Maphre, pp. 212 e 213.
2-Ana Gonçalves, cristã-velha, moça solteira, era natural de Matosinhos e tinha um filho natural de Gaspar Martins, irmão de Manuel Martins.
3-ANTT, inq. Lisboa pº 1581, de Álvaro Rodrigues; pº 7219, de Filipa Nunes.
4-IDEM, pº 3245, de Luís Cardoso.
5-Pº 7219, tif 27: - A ré era estalajadeira em Vila Flor e tinha estalagem de contínuo em que se agasalhava toda a pessoa que por ali passava, assim portugueses como castelhanos e todas as outras nações (…) os quais castelhanos muitas vezes, aos sábados e outros muitos dias assavam espetadas de morcelas e de linguiças e de chouriças que traziam consigo e fressura que eles compravam fora da casa da ré…
6-ANTT, inq. Lisboa, pº 8013, de Francisco Fernandes; inq. Coimbra, pº 402, de Antónia Nunes, a Reverenda.
7-IDEM, inq. Évora, pº 9161, de Marcos Cardoso. TAVARES, maria José Ferro – Los Judíos en Portugal, edición Maphre, p. 340, fala sobre a correspondência que existia “entre los que partian y los que se quedaban como el hombre de Salonica judío natural de Vila Flor “correo” y portador delas notícias de los que abandonaban el reino e algunos de ellos “passados” por él”.
 

Revolução: precisa-se!

É suposto que a democracia representativa dê expressão a diferentes ideologias e oportunidade a distintas formas de organizar a sociedade e de conduzir a vida comum com elevação, saber e verdade. Nesta ordem de ideias a Assembleia da República deveria ser a casa da ética e das ideologias por excelência.
Lamentavelmente assim não é, muito embora os que lá tomam assento não possam queixar-se de que a Nação não lhes faculta os melhores meios e condições para o exercício do seu mister. Não se compreende, por isso, que a Assembleia da República se tenha convertido num antro de mentira e facciosismo, terreiro de disputas sectárias em que a ideologia, a verdade, a cultura e as boas maneiras são sistematicamente postas de lado. Assembleia em que todos proclamam superioridade moral e política embora estejam mais sujos do que pau de galinheiro.
É por isso que quando o BE ou o PCP se reclamam de esquerda aos portugueses dá vontade de rir. Bastou-lhes cheirarem o perfume do poder para meteram a ideologia no saco. Quando muito preservam um certo instinto sindicalista. O mesmo se dirá do PS cuja ideologia dá para todos os lados e dos partidos à direita que ninguém sabe que ideologia os ilumina. Talvez o brilho do vil metal.
Nada é de espantar, porém. A maioria dos políticos portugueses, sobretudo aqueles a quem o epíteto se aplica mais justamente porque tiveram, têm ou aspiram vir a ter a oportunidade de gozar as delícias do poder contornando o ónus de servir a causa pública com verdade, nunca se importaram verdadeiramente com que o povo os tome por mentirosos ou incompetentes. Entendem tal, até, como elogio, como expressão da sua superioridade, porque sabem servir-se a si próprios, e bem, enquanto aos honrados cidadãos não reconhecem categoria suficiente para se libertarem da vulgaridade.
É este o ambiente ético e emocional que presentemente condiciona o debate político quando em causa estão temas da maior importância para o futuro da Nação como é o caso da CGD, convertida que está no caixão do Regime por força da incompetência, desleixo ou desonestidade de quantos, directa ou indirectamente, a governaram.
Os momentosos escândalos políticos e financeiros sem fim, que deveriam envergonhar políticos e governantes, são bem a expressão da mentalidade amoral dominante, origem e causa, para lá do mais, da monstruosa dívida pública.
E se é grave que um qualquer ministro minta aos deputados mais grave ainda é que os deputados enganem os eleitores e os governos ludibriem os cidadãos.
Indignidade maior é, todavia, a persistente subordinação do poder político ao poder económico, a subserviência de governantes a banqueiros, a promiscuidade entre políticos e capitalistas bem patente nas crises da banca em geral e da CGD em particular.
Tudo isto só tem sido possível porque os machuchos políticos e argentários têm ousado adormecer a Justiça desrespeitando os portugueses a quem tratam como um povo manso e imbecil.
É por tudo isto que uma revolução se precisa. Pacífica e democrática, de preferência. Como novas ideologias e partidos novos porque os actuais estão esgotados.
Este texto não se conforma com o novo Acordo Ortográfico.

SE PENSARMOS … QUASE NOS TORNAMOS VEGETARIANOS

Neste período do ano, rodeados de “ Feiras de sabores” e de pratos bem recheados de carne, esta reflexão poderá até ser inoportuna ou ofensiva para muitos, ou talvez não! O que é certo, é que nos dias que correm por todo o lado circulam imagens insuportáveis de animais maltratados aquando do seu transporte para o destino previsto ou para os matadouros; e aqui assiste-se a práticas tão chocantes como por exemplo a matança de fêmeas prenhas cujo útero é aberto à facada e os fetos deitados fora no meio das vísceras. Exagerado? Não. Legal? Sim pelos vistos!
Acredito que há alguma hipocrisia neste espaço, quado nos são apresentados os animais que são abatidos e, de repente, toda a narrativa é acompanhada de imagens chocantes e nos dizem que é terrível. É efetivamente aterrador, não somente quando é filmado clandestinamente nos matadouros. Há um momento em que o animal tem de morrer claro, tendo sido eletrocutado antes. Mas se a corrente não passar, um homem com uma marra mata o animal pois o problema tem de ser resolvido. Diz-se que é uma monstruosidade o animal ser eletrocutado. O que será melhor? Quem não tem presente a matança do porco?! Bonito de se ver também!
Contudo todas estas imagens servem para nos fazer pensar e isso é o mais importante. Se pensarmos no que se passa no nosso prato, uma posta ou umas costeletazinhas de cordeiro bem suculentas, encontrámo-las excelentes, mas de repente, se pensarmos que fazem parte dum animal que foi morto, aquele cordeirinho, etc, etc, quase nos tornamos vegetarianos. Todos vivemos essas contradições seguramente. O consumo de carne, é melhor não pensar. Se comemos carne é porque não pensamos, se começarmos a pensar a montante do nosso prato, efectivamente encontramos que é inaceitável. Num matadouro stressam-se e matam-se animais.
Que é preciso reduzir o consumo da carne, não consumir nenhuma, talvez ou sem dúvida, não pensamos bem nessas coisas certamente. Trata-se dum facto de civilização, cada vez que penso na carne, penso seriamente que a verdade está do lado dos vegetarianos e de certa forma, mesmo do lado dos veganos. Simplesmente se dissermos que a verdade está do lado dos veganos, então não pode haver animais domesticados, nem gaiolas, nem jardins zoológicos, nem hipismo ou tourada, nem cães, nem peixes… Estou certo que os veganos nos seus excessos são pessoas que pelo menos nos convidam a pensar melhor ou a pensar na boa direcção.  
Por conseguinte, creio também que estas imagens que nos são apresentadas muitas vezes como sendo de militantes, não o são. Quando se fala tanto em “biológico” hoje, parece que somos enganados, não há morte biológica, conseguir-se-ia imaginar um matadouro biológico? Não passa também duma etiqueta politicamente correta pensar que o feijão-verde ou as laranjas que comemos são produtos biológicos, esquecemos que são transportados do Brasil por avião e que o traço carbónico dum produto biológico é muito pior para a ecologia do que um produto que teve alguns tratamentos e que foi produzido numa horta de Moredo ou do Vale da Vilariça.    
Podemos sempre dizer aos veganos que devem é preocupar-se com o sofrimento humano, mas qualquer que seja o militantismo também, não é por não se ocupar duma determinada causa que esta é mais importante do que outra. Por exemplo, os desempregados, sim, mas recebem subsídio, ou as misérias e guerras na Síria ou na Palestina, pois, mas são povos muito fundamentalistas. Não é uma boa forma de raciocinar pretendendo que há misérias que são preferíveis a outras.
Sem que haja respostas unívocas podemos, no entanto, colocar-nos algumas questões ou reflexões: muitas espécies animais foram reduzidas ao estatuto de produtos alimentícios, a um stock de consumíveis, sim. Muitos animais crescem e são transportados em condições abomináveis, claro que sim. Há uma diferença ontológica entre o homem e o animal, evidente. Efetivamente a natureza não é uma democracia, mas a questão pertinente poderia ser: os animais têm um sistema nervoso idêntico ao nosso e podem sofrer? A resposta é claramente afirmativa. Proclamar-se mestre e proprietário da natureza não implica nem sadismo, nem a redução dos seres vivos à condição de máquina de carne.

E FORAM FELIZES PARA SEMPRE (OU TALVEZ NÃO)

A felicidade absoluta não existe. Existem sim momentos de prazer que, muitas vezes, nos levam a desejar que se prolonguem indefinidamente. Contudo tal não é possível. A felicidade traduz-se na sensação de bem estar, percebida pelo cérebro, devido ao aumento de produção de serotonina. Esta condição biológica não é exequível. Porque, como disse no início, não é absoluta, pelo contrário é relativa. Traduz-se no aumento temporário de satisfação e, como tal, deverá regressar ao estado normal, mesmo que o estímulo inicial se mantenha. Ninguém consegue manter-se em estados permanentes de felicidade tal como, igualmente, ninguém persiste em estados contínuos de infelicidade.
É certo que, geneticamente, há indivíduos cujo estado de satisfação normal é superior ao de outros mas os limites são sempre transitórios. Numa escala de 0 a 10 podemos adimitir que o estados estáveis se situarão entre 4 e 7 e as flutuações provocadas pelos acontecimentos externos poderão levar, durante algum tempo, a níveis 9 ou 10 ou, por oposição, ao 0 e 1. Inevitavelmente regressar-se-á ao nível estável de partida. As pessoas com tendência para a boa disposição, voltarão aos seu estado de satisfação moderada e as rezingonas tenderão a regressar à sua condição  de angústia contida. Tal como se o estado psicológico de satisfação fosse um compartimento cuja temperatura seja controlada por um sistema de ar-condicionado cujo valor estável é pré-programado. A exposição ao ambiente externo provoca alterações na temperatura, para cima ou para baixo, mas, com o decorrer do tempo o sistema encarrega-se de a estabilizar ao valor fixado. A sensação agradável (ou desagradável) da transição é mais relativa que absoluta pois entrar num compartimento a 10.º graus centígrados pode causar-nos um arrepio ou uma sensação de calor dependendo do ambiente externo ser de grande calor ou glacial.
O grau de felicidade de quem adquiriu, para uso próprio, uma cabana numa floresta longínqua, pode ser, da mesma ordem de grandeza de quem acabou de se instalar numa fabulosa penthouse numa movimentada avenida de Nova Iorque. Para o que conta, o cérebero, não mede nem avalia a sofisticação da decoração ou a facilidade de acesso, bem como a tecnologia de apoio, mas tão somente a quantidade adicional de serotonina libertada.
É certo que a globalização e os meios atuais de comunicação elevam a fasquia que serve de limiar pois coloca em comparação não o que nos rodeia no nosso ambiente habitual, mas tudo o que de melhor existe em todo o mundo.

A revolta que levou à queda de Mubarack foi originada pela insatisfação que os egípcios sentiam... não porque se estivessem a comparar com os seus ancestrais do tempo de Ramsés mas porque o termo de comparação foi a sociedade ocidental, europeia e americana.

Por outro lado a sociedade descrita por Aldous Huxley em O Admirável Mundo Novo  em que um governo ditatorial induzia nos cidadãos, por meios biológicos e psicológicos um estado de felcicidade constante é assustador. Na minha modesta opinião, muito mais que o próprio 1984 de George Orwell.

Há aliás outras razões e argumentos para que esta demanda do Graal não possa ser mais que isso. Uma busca constante e permanente que, se atingida, retirar-lhe-ia a própria essência da própria procura. Em crónica futura e quando houver oportunidade, regressarei ao tema.